A Gold Fields, uma empresa sul-africana de mineração, está impedida de explorar uma mina que contém mais de 3,5 milhões de onças de ouro por conta de 25 chinchilas e uma lei chilena.

O CEO da mineradora de ouro, Nick Holland, explicou em 2017 que os roedores eram um dos principais obstáculos para a extração da significativa quantidade de ouro, porém ele estava determinado a proteger a colônia.

Iniciativas de grandes minerações demoram anos para acontecer, sendo a burocracia de compliance uma das partes mais complicadas de resolver. A licença ambiental da Gold Fields para este projeto dependia de encontrar uma maneira de mover as chinchilas, que são protegidas pela lei chilena.

O acampamento do projeto de mineração Salares Norte. Fonte: Undark.
O acampamento do projeto de mineração Salares Norte. Fonte: Undark.

Mas ainda não está claro se o projeto realmente protegerá os roedores. As pessoas estão esperando para ver como as empresas de mineração, com a pressão dos investidores, estão respondendo ao novo governo para contabilizar os impactos ambientais.

Iniciada em agosto, a operação de conservação da Gold Fields – prevista para durar nove meses – visa capturar e mover 25 chinchilas do local da mina para uma área com habitat adequado a cerca de quatro quilômetros de distância.

O custo desse projeto dos roedores até o momento é de US$ 400.000, pois inclui diversas pesquisas populacionais usando tecnologia de satélite para garantir a sobrevivência das chinchilas.

Os pequenos animais estão sendo transportadas por meio de pequenas armadilhas para outra área, de acordo com Luis Ortega, gerente ambiental chileno que supervisiona a remoção de roedores. “Os animais são presas fáceis: os caçadores de peles podem retirar os roedores do tamanho de coelhos de suas tocas rasas”, disse Ortega.

As chinchilas são atraídas para as gaiolas com iscas de comida e essência de baunilha. Fonte: Undark.
As chinchilas são atraídas para as gaiolas com iscas de comida e essência de baunilha. Fonte: Undark.

As chinchilas foram caçadas até quase à extinção nos séculos passados por conta das suas valiosas peles. Por isso as atuais leis dão todo esse cuidado a esses roedores.

“Todo o processo deve ser feito para cada uma das nove áreas rochosas para onde os animais serão retirados durante a construção da mina”, disse Ortega. “De acordo com o processo aprovado pelo governo, duas tentativas de captura de espécimes devem ser feitas em cada área rochosa, cada uma com duração de 10 dias.”

Se a tentativa não for bem-sucedida, a operação deve ser suspensa por 20 dias antes de ser tentada novamente, para minimizar a perturbação.

Quando cada chinchila for presa e levada para seu novo território, ela será colocada em um recinto de malha de arame por algumas semanas para se adaptar ao novo ambiente e, em seguida, monitorada com colares de rádio – técnicas também frequentemente usadas com transferências de megafauna como rinocerontes e búfalo do cabo.

De acordo com um documento de discussão de 2017 feito pelo Instituto de Pesquisa de Estruturas Econômicas, “a obtenção de uma licença ambiental tornou-se um processo mais lento, rigoroso e incerto para as empresas de mineração” no Chile, pois o governo “reagiu às preocupações ambientais do público e de organizações como a OCDE.”

O CEO da Gold Fields disse a repórteres em agosto que o processo de licenciamento havia levado três anos e exigia que a empresa respondesse a centenas de perguntas dos reguladores.