daniel fraga

A INTERNET CHEGOU CEDO DEMAIS

Usada inicialmente para fins militares, os protocolos de comunicação que evoluíram para a internet que conhecemos hoje não faziam mais do que “simples” cálculos como mapeamento e envio de coordenadas. Em 2019 ela está presente em praticamente tudo o que nos rodeia. Celulares, geladeiras, relógios, televisores, até roupas (pano mesmo) e a tendência é piorar.

Antes, quando tínhamos dúvidas sobre algum assunto sobre história ou sociologia por exemplo, as opções se limitavam a um professor ou especialista que poderiam ser tendenciosos, livros da biblioteca da escola ou biblioteca pública que para estarem lá geralmente precisam passar pelo crivo do MEC (logo, tendenciosos) ou pessoas mais experientes, o que gerava pouca credibilidade já que é quase (eu disse quase) uma regra alguém mais velho ser tendencioso. Tipo no filme “Matilda” onde seu pai e a diretora da escola esboçam arrogância com a emblemática frase:

“”Porque eu sou grande e você pequena, porque eu sou forte e você fraca, porque eu estou certo e você errada!”

Com o advento da internet tudo ficou mais fácil! Se não souber sobre algo, 1 min de pesquisa no pai Google te dará algo rápido. Às vezes ralo às vezes profundo, mas tendo em vista que normalmente os primeiros resultados são da “Wikipedia” ou “Brasil Escola” e que as pessoas não costumam passar do 3° link ou 2ª página de resultado, o conteúdo quase que certamente será raso.

Novo cenário à mesa, eis uma das características mais asquerosas (e humanas); que temos: a preguiça!

Sim! Perdemos o hábito, se é que um dia o tivemos, de pesquisar a fundo sobre qualquer assunto. Este é o tipo de comportamento que põe em evidência Youtubers e trata-os como formadores de opiniões. E olha que alguns poucos chegam a citar livros, mesmo eu crendo fielmente que não leem 5% do que citam!

Como próximo passo aparecem os Intelectuais Orgânicos, conceito usado para descrever a galera que sabe meia dúzia de jargões e cards prontos e acreditam finalmente que sua pífia gama de argumentos é mais do que o suficiente para salvar o mundo. Pondé chama isso de “inteligentinhos” e são presentes na esquerda, na direita e em alguns libertários chatos. (Calma, eu disse alguns).

Segue alguns exemplos de guerra de narrativas

FOI/NÃO FOI GÓPI!
– Defensores de que uma das piores presidentes que já tivemos, Dilma foi injustiçada vs a Classe média batedora de panela odiada pela esquerda;

ELE NÃO, ELE SIM!
– Modinha de comportamento que dá like e gera views, seguido de adolescentes histéricos e peritos em termos em inglês como “mansplaining” (Kéfera e Cia);

FEMINICÍDIO
– Guerra de narrativa entre pessoas que não entenderam que Homicídio não significa tirar a vIda de um HOMEM e sim de qualquer ser humano;

NAZISMO É DE DIREITA/ESQUERDA!
– Peritos de YouTube que aprenderam o necessário para passar no vestibular da Federal vs “Olavetes” que resumem tudo a direita e esquerda;

COTAS!
– Discussão entre quem não entendeu ainda a diferença entre direitos e privilégios;

GOLPE MILITAR OU CONTRA-REVOLUÇÃO?
– Galera que acha que de trás para frente a palavra “ditadura” se transforma na palavra “militares” vs quem acha que regime militar é menos pior do que ditadura comunista;

E por aí vai! As brigas são as mais diversas e a cada dia uma nova aparece causando mais histeria…Por isso que olho com tanta importante a visão Libertária sobre esses e tantos outros assuntos.

Um libertário olhará por exemplo a discussão sobre cotas e de início, ao invés de defender ou ser contra ele pensará coisas como:
– Existe esse sistema porque há uma dívida histórica, é importante para inclusão social ou pelo ÓBVIO que é uma forma de mascarar a decadência e precariedade do ensino básico adjunto à obrigatoriedade dos pais colocarem suas crianças em escolas que mais parecem presídios?

Sobre se em 1964 houve ou não um golpe, um libertário pensaria algo como:
– Independente de como sucedeu, o resultado foi uma ditadura? As pessoas continuaram sob um regime governamental onde elas não tinham opção de sair? Se sim, está errado da mesma forma, independente se quem estava no poder eram os militares ou comunistas!

Um libertário geralmente procura entender a raiz do problema e oferece soluções a partir dela, não a partir da superfície tapando o sol com a peneira. De que adianta usufruir de recursos como cotas raciais e provavelmente não conseguir manter a vaga porque o ensino fundamental era uma porcaria?
De que adianta criar uma categoria de crime e chamá-la de feminicídio, se a pena para qualquer assassinato é pequena, a reparação total não é empregada, e há redução de pena?

Estes são só dois exemplos mas é uma tendência libertária analisar mais a fundo qualquer que seja a questão, independente do que os pseudo intelectuais, professores e filósofos modinhas ou YouTubers disserem sobre o assunto.

Sem olhos voltados para uma ética que verdadeiramente visa a liberdade do indivíduo, respeita à propriedade e o direito à autodefesa,  nenhum problema será resolvido e acabaremos todos como essas bestas que ficam se linchando nas redes sociais achando que estão salvando o mundo.

*Se você se interessou em saber um pouco mais sobre a Ética Libertária, recomendo fortemente ler sobre Hans-Hermann Hoppe.*

Sobre o criador de conteúdo

Prazer, eu sou o Ronaldo, estudante de Processos Gerenciais, entusiasta de criptoeconomia e amante de política. Vou trazer nesta coluna, uma visão um pouco diferente sobre política com muita cultura pop.

Comentário

  • xavierbarros
    3 de abril de 2019

    Ótimo texto.
    Olhar com empatia para estes temas e buscar a causa raiz pode ser a solução. Mas ainda acredito que o objetivo da grande maioria não é esse e sim o “like”.

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