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Bitcoin Cai para Mínima de 9 Meses em Meio a Liquidações Massivas e Tensões Geopolíticas

Mercado de Criptomoedas Enfrenta Desalavancagem Desastrosa com US$ 1,7 Bilhão em Liquidações

O mercado de criptomoedas vivencia um dos seus piores dias de janeiro de 2026, com o Bitcoin (BTC) caindo para US$ 82 mil, atingindo sua mínima de nove meses. A queda de 7,4% em 24 horas reflete uma onda de vendas generalizadas que liquidou mais de US$ 1,7 bilhão em posições alavancadas, segundo dados do CoinGlass.

O Ethereum também sofreu impacto significativo, recuando 6,54% para US$ 2.734,71, enquanto outras grandes criptomoedas apresentaram perdas expressivas: BNB caiu 6,28%, XRP 6,40% e Solana 5,70%. O valor total de mercado das criptomoedas contraiu 6,7%, refletindo o sentimento avesso ao risco que domina os mercados globais.

Fatores Macroeconômicos e Geopolíticos Desencadeiam Venda Generalizada

A queda não é isolada ao mercado cripto. Mudanças de política em Washington tiveram papel central no movimento de risco. O anúncio do presidente Donald Trump sobre seu próximo indicado para presidente do Federal Reserve gerou incerteza nos mercados. Fontes indicam que o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, se reuniu com Trump e teria “impressionado” o presidente.

Analistas apontam que Warsh é considerado um defensor do controle rigoroso da inflação e crítico do afrouxamento quantitativo, o que é negativo para Bitcoin no curto prazo. O mercado interpreta essa possível indicação como um sinal de política monetária mais restritiva, reduzindo o apetite por ativos de risco como criptomoedas.

Além disso, tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas sobre políticas comerciais dos EUA amplificam o sentimento de aversão ao risco. Economistas globais identificam a geopolítica como o principal risco à economia mundial em 2026, superando até mesmo preocupações com correções bursáteis.

Wall Street Também Sofre com Preocupações em IA e Economia

O mercado de ações americano também registrou quedas significativas, com o S&P 500 caindo 0,58% e o Nasdaq recuando 1,28%. Resultados mistos de grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial contribuem para o pessimismo. A Microsoft caiu 10% por fraco desempenho em nuvem, enquanto a Meta subiu 9% com receitas fortes.

Esse contexto de volatilidade em Wall Street amplifica a pressão sobre criptomoedas, que historicamente sofrem quando o apetite por risco diminui nos mercados globais.

SEC Avança com Regulação de Títulos Tokenizados

Em meio à turbulência de preços, há sinais positivos no front regulatório. A SEC (Securities and Exchange Commission) dos EUA emitiu, em 28 e 29 de janeiro de 2026, comunicados oficiais validando títulos tokenizados como valores mobiliários sujeitos às leis federais, estabelecendo regras claras para emissores e terceiros.

Três divisões da SEC publicaram um guia que reconhece a blockchain como infraestrutura legítima para registros de acionistas, especialmente no modelo “Issuer-Sponsored” (patrocinado pelo emissor). Isso elimina dúvidas jurídicas e permite transferências definitivas de propriedade via DLT (tecnologia de registro distribuído), desde que haja conformidade total com regras de valores mobiliários.

O presidente da SEC, Paul Atkins, declarou em 29 de janeiro que “chegou a hora” de incluir Bitcoin em fundos de aposentadoria como 401(k), de forma gradual com salvaguardas. Essa posição marca uma mudança significativa na abordagem regulatória americana.

Perspectivas para 2026: Curto Prazo Desafiador, Longo Prazo Otimista

Apesar da turbulência atual, analistas da Binance Research preveem um impulso macroeconômico em 2026 via cortes de juros, baixa inflação e estímulos fiscais. Segundo o relatório, o Bitcoin pode atingir US$ 160 mil ao longo do ano, partindo de uma base de US$ 126 mil em outubro de 2025.

A economia global deve crescer 3,0% em 2026, segundo projeção de economistas consultados pela Reuters. Avanços regulatórios como o Clarity Act em debate no Senado americano são considerados positivos a longo prazo para o setor cripto, definindo papéis claros da SEC e CFTC (Comissão de Negociação de Commodities e Futuros).

Especialistas esperam um “início doloroso para fevereiro”, mas mantêm otimismo para o restante do ano, condicionado à estabilização das tensões geopolíticas e à implementação de políticas monetárias previsíveis.

Criptoativos como Vetor de Risco Sistêmico

Autoridades regulatórias globais, como a CNMV (Comissão Nacional do Mercado de Valores da Espanha), alertam que criptoativos emergiram como vetor de risco por suas crescentes interconexões com o sistema financeiro tradicional. Isso amplifica contagios rápidos em períodos de instabilidade geopolítica, recomendando vigilância contínua.

A integração cada vez maior de criptomoedas com instituições financeiras tradicionais torna essencial uma regulação clara e coordenada entre países para evitar riscos sistêmicos.

Conclusão: Volatilidade Esperada em Contexto de Incerteza Global

O Bitcoin e o mercado cripto enfrentam um período de volatilidade intensa, refletindo incertezas macroeconômicas e geopolíticas mais amplas. A queda para US$ 82 mil marca um ponto de inflexão importante, mas não necessariamente o fim da tendência de alta de longo prazo.

Investidores devem monitorar atentamente desenvolvimentos em política monetária americana, tensões geopolíticas e avanços regulatórios. A clareza regulatória que está emergindo nos EUA pode ser um catalisador importante para recuperação institucional nos próximos meses.

Fontes: CoinGlass, CoinGecko, Binance Research, SEC, Reuters, CNMV, Portal do Bitcoin, Money Times, Exame, LiveCoins

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