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Bitcoin Cai para US$ 82 Mil em Pior Janeiro desde 2022: Geopolítica e Pressões Macro Dominam Mercado Cripto

Mercado de Criptomoedas Encerra Janeiro em Queda Acentuada

O mercado de criptomoedas fechou janeiro de 2026 com perdas significativas, refletindo um ambiente de incerteza geopolítica e pressões econômicas globais. O Bitcoin, principal criptomoeda do mundo, caiu aproximadamente 6% durante o mês, encerrando em torno de US$ 82-83 mil — seu pior desempenho em janeiro desde 2022.

A capitalização total do mercado cripto recuou mais de 6%, chegando a US$ 2,78 trilhões, enquanto Ethereum registrou queda de cerca de 2% nas últimas 24 horas, sendo negociado em US$ 2.623 a US$ 2.739. O Ethereum acumula queda de 5% no ano, após encerrar 2025 em US$ 2,9 mil, distante de sua máxima de US$ 4,9 mil.

Liquidações Massivas e Volatilidade Extrema

O mercado enfrentou liquidações massivas de US$ 594,4 milhões em 24 horas, envolvendo 145.989 traders. Os contratos tokenizados de prata lideraram as perdas, com queda de 35% e liquidações de US$ 142 milhões. A maior liquidação individual registrada foi de US$ 18,1 milhões em Hyperliquid, evidenciando a volatilidade extrema que caracteriza o período.

O índice Medo e Ganância do mercado cripto permanece em 28 pontos, na zona de medo, refletindo a aversão ao risco dos investidores. Apesar disso, analistas alertam que não há quebra estrutural de longo prazo, sugerindo que as quedas podem representar oportunidades para investidores de horizonte estendido.

Investidores no Prejuízo: 63% do Capital Acima de US$ 88 Mil

Um levantamento recente revelou que 63% do capital em Bitcoin foi movido acima de US$ 88 mil, deixando a maioria dos investidores em posição de prejuízo. Com pouca oferta de suporte entre US$ 70-80 mil, existe risco de queda rápida abaixo de US$ 70 mil caso o suporte em US$ 80 mil seja rompido.

Analistas alertam para a possibilidade de fevereiro ser o quarto mês consecutivo de queda para o Bitcoin, intensificando as pressões sobre o mercado cripto. A saída de capital institucional reforça o clima de cautela que domina o setor.

Geopolítica e Economia Global Pressionam Mercado

As tensões geopolíticas foram determinantes para o desempenho negativo das criptomoedas em janeiro. A captura de Nicolás Maduro no início do mês elevou a volatilidade dos mercados globais, enquanto as ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia e as retaliações comerciais da União Europeia geraram instabilidade adicional.

O confronto entre os EUA e o Irã também reforçou um ambiente de cautela. Especificamente, as sanções americanas ao Irã por uso de criptomoedas para burlar restrições comerciais evidenciam como o setor cripto está cada vez mais no radar das autoridades geopolíticas.

No contexto econômico global, a manutenção dos juros pelo Federal Reserve e a rápida alta nos juros dos títulos públicos japoneses afetaram significativamente o fluxo de capital para ativos de risco. Enquanto isso, o Brasil experimentou um influxo robusto de capital estrangeiro, com o Ibovespa subindo 13,09%, demonstrando a rotação de capital entre mercados.

Kevin Warsh no Fed: Favorável a Cripto, Mas Hawkish na Política Monetária

A indicação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve por Donald Trump, anunciada em 30 de janeiro, trouxe sinais mistos para o mercado cripto. Warsh já expressou visão favorável ao Bitcoin como reserva de valor similar ao ouro, rejeitando a ideia de que ele enfraqueceria a capacidade do Fed de conduzir a economia.

No entanto, sua postura hawkish — com ênfase em juros altos, controle fiscal rígido e redução de liquidez — pode impactar negativamente o setor cripto. Uma política monetária mais restritiva tende a atrair capital para títulos do Tesouro e reduzir a demanda por ativos voláteis como criptomoedas.

Avanços Regulatórios nos EUA Contrastam com Volatilidade

Apesar da volatilidade de preços, o mercado cripto registra avanços importantes na regulação. O GENIUS Act estabelece definições claras, critérios para emissores, supervisão e exigências de reservas, permitindo a circulação regulada de stablecoins no mercado americano.

O Digital Asset Market Clarity Act (Clarity Act), ainda em tramitação, promete definir estruturas de mercado e competências regulatórias para ativos digitais. Esses desenvolvimentos refletem uma maior clareza regulatória que atraiu US$ 1,4 bilhão em investimentos de capital de risco apenas em janeiro de 2026.

Investimento Institucional Robusto Apesar da Queda

Surpreendentemente, o setor cripto atraiu investimentos recordes de capital de risco em janeiro, apesar da volatilidade de preços. Venture capitalists investiram US$ 1,4 bilhão em empresas de criptomoedas durante o mês, impulsionados pela maior clareza regulatória nos Estados Unidos.

O setor de infraestrutura institucional foi o mais popular entre os investidores, junto com empresas de stablecoins, tarjetas e pagos. BitGo completou uma oferta pública inicial de US$ 212,8 milhões, um momento histórico para empresas de infraestrutura criptográfica em mercados públicos. A empresa de custodia institucional recebeu aprovação regulatória para converter seu charter estatal em federal.

LMAX Group recaudou US$ 150 milhões em uma inversão estratégica liderada por Ripple, fortalecendo os vínculos entre estruturas de mercado tradicionais e capas de liquidação blockchain.

Stablecoins Brasileiras Ganham Tração

No Brasil, a BRL1, stablecoin brasileira, entrou entre os cinco ativos de maior volume nas exchanges brasileiras. A regulação de stablecoins entra em vigor em 2 de fevereiro de 2026, marcando um passo importante para a institucionalização do mercado cripto no país.

As Resoluções do Banco Central publicadas no fim de 2025 definem stablecoin como “ativo virtual referenciado em moeda fiduciária”, amarrando o conceito de ativos digitais e abrindo caminho para maior integração entre o sistema financeiro tradicional e o blockchain.

Tecnologia Blockchain Avança Apesar da Volatilidade

Enquanto os preços caem, a tecnologia blockchain continua evoluindo. Bitcoin Everlight lançou sua preventa pública como uma rede de transações leve que opera junto ao Bitcoin sem modificar seu protocolo base. O projeto se enfoca em enrutamento de transações e coordenação de rede em lugar de produção de blocos.

Além disso, o mercado de agentes de IA está projetado para crescer de US$ 7,8 bilhões em 2025 para US$ 52,6 bilhões até 2030, abrindo novas aplicações em finanças descentralizadas e criando oportunidades para inovação no setor cripto.

Perspectivas para Fevereiro: Cautela e Oportunidades

O mercado de criptomoedas entra em fevereiro sob um clima de cautela, com preços pressionados e saída de capital institucional. No entanto, alguns analistas consideram as quedas atuais como oportunidades de compra para investidores a longo prazo.

CZ, fundador da Binance, mantém sua previsão de que o Bitcoin chegará a US$ 200 mil em 2026, sugerindo que a volatilidade atual pode ser apenas uma correção dentro de uma tendência de longo prazo construtiva. Especialistas também apontam para memecoins como possível classe de ativos com potencial de multiplicação de até 300 vezes, embora com risco significativamente maior.

A combinação de avanços regulatórios, investimento institucional robusto e desenvolvimento tecnológico contínuo sugere que o mercado cripto está em transição para uma fase mais madura e institucionalizada, apesar dos desafios de curto prazo impostos pela geopolítica e pressões econômicas globais.

Conclusão

Janeiro de 2026 ficará marcado como um mês de consolidação para o mercado de criptomoedas, onde a volatilidade de preços contrastou com avanços estruturais importantes. Enquanto Bitcoin e Ethereum enfrentam pressões de curto prazo, os fundamentos do setor — regulação clara, investimento institucional e inovação tecnológica — continuam se fortalecendo.

A próxima semana será crucial para determinar se o mercado consegue encontrar suporte e iniciar uma recuperação, ou se as pressões geopolíticas e econômicas continuarão dominando o sentimento dos investidores.

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