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Bitcoin Cai para US$ 91 Mil em Meio a Tensões Geopolíticas e Incertezas Regulatórias

Mercado de Criptomoedas Enfrenta Pressão de Fatores Macroeconômicos Globais

O mercado de criptomoedas registra queda significativa nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, com o Bitcoin (BTC) negociado abaixo de US$ 91 mil e o Ethereum (ETH) consolidando em torno de US$ 3.195. A volatilidade reflete uma combinação de tensões geopolíticas, incertezas regulatórias nos Estados Unidos e perspectivas econômicas globais desafiadoras.

Bitcoin Sob Pressão: Queda de 2% em 24 Horas

O Bitcoin abriu a semana em patamares próximos a US$ 97 mil, mas recuou significativamente para US$ 91.148 nesta terça-feira, representando uma queda de mais de 2% nas últimas 24 horas. A criptomoeda mantém suporte técnico em US$ 91.298, com potencial de recuperação para US$ 93.471 caso os níveis técnicos se mantenham.

Analistas apontam que os fluxos robustos de ETFs de Bitcoin spot têm compensado a volatilidade de curto prazo, oferecendo algum suporte ao ativo. No entanto, o aumento de opções de venda indica que investidores estão buscando proteção contra possíveis quedas adicionais.

Ethereum Consolida Após Falha de Breakout

O Ethereum apresenta consolidação lateral em torno de US$ 3.195, após falhar em romper um padrão técnico de triângulo simétrico. A criptomoeda abriu a semana em US$ 3.118, atingiu máxima de US$ 3.405 em 14 de janeiro, mas recuou devido às incertezas macroeconômicas globais.

Apesar da pressão de curto prazo, dados recentes mostram que a Bitmine Immersion Technologies acumulou 35.268 ETH na semana, totalizando 4,2 milhões de tokens (3,48% do suprimento total de ETH), com 1,838 milhão em staking. Este movimento sugere confiança institucional no ativo de longo prazo.

Altcoins Estendem Perdas Semanais

O mercado mais amplo de criptomoedas também sofre pressão, com altcoins importantes registrando quedas significativas:

  • Solana (SOL): -3,33% em 24 horas, negociada em torno de US$ 129,15
  • TRON (TRX): -3,39% em 24 horas, cotada em US$ 0,3045
  • Monero (XMR): -1% após atingir recorde de US$ 798 há cinco dias
  • Story (IP): -13% para US$ 2,39

Moedas focadas em privacidade enfrentam volatilidade particular, com Monero perdendo força após ganhos iniciais, enquanto Zcash sofre com a renúncia da equipe da Electric Coin Company em 7 de janeiro.

Geopolítica e Tensões Comerciais Pressionam Ativos de Risco

A queda do mercado cripto está diretamente ligada a fatores geopolíticos e comerciais globais. Comentários do presidente Donald Trump sobre possível anexação da Groenlândia e anúncio de tarifas de até 25% sobre importações europeias a partir de 1º de fevereiro geram aversão ao risco entre investidores.

Criptomoedas, como ativos de risco de alta beta, são particularmente sensíveis a rotações para refúgios seguros como ouro e prata. O Índice Fear & Greed do mercado cripto encontra-se em zona de “medo”, refletindo o sentimento negativo predominante.

Analistas destacam que a fragmentação econômica global, com rivalidades entre blocos (EUA-China-Rusia) e conflitos regionais, cria um ambiente de incerteza que pressiona ativos de risco. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento global de 3,3% para 2026, enquanto a ONU reduz a previsão para 2,7%, ambas abaixo da média pré-pandemia de 3,2%.

Incertezas Regulatórias nos EUA Ampliam Volatilidade

Nos Estados Unidos, o projeto “Clarity for Payment Stablecoins Act” (H.R. 3633) enfrenta obstáculos significativos no Senado, apesar de avanços iniciais. A proposta busca dividir a autoridade regulatória entre a SEC (Securities and Exchange Commission) e a CFTC (Commodity Futures Trading Commission), com mais de 130 emendas pendentes.

A Coinbase retirou seu apoio ao projeto após discordar de restrições propostas em finanças descentralizadas (DeFi) e tokenização de ações, ilustrando divisões internas no setor quanto à direção regulatória. A aprovação em 2026 permanece incerta, adicionando camadas de incerteza ao mercado.

Brasil Emerge como Líder Global em Regulação de Criptomoedas

Enquanto os EUA navegam incertezas regulatórias, o Brasil consolida sua posição como líder em regulação de criptomoedas. O Banco Central publicou resoluções que entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, regulamentando as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV).

O país alcançou posição entre os top 5 globais em adoção de stablecoins, ao lado de Índia, EUA, Paquistão e Filipinas, com salto de 125% na adoção pelo varejo e volumes de US$ 4 trilhões em 2025. As novas normas visam trazer segurança jurídica ao setor, integrando as atividades de criptoativos ao sistema financeiro tradicional.

Essa regulação ocorre em meio a avanços globais, como a MiCA (Markets in Crypto-Assets) na Europa, posicionando o Brasil como pioneiro em 2026 na implementação de marcos regulatórios claros para o setor.

Criptomoedas como Ferramenta Geopolítica

Em contexto geopolítico mais amplo, criptomoedas emergem como ferramentas para contornar sanções internacionais. Rusia utiliza criptomoedas para sustentar operações apesar de sanções ocidentais, junto com moedas não ocidentais e fragmentação energética, erosionando o domínio financeiro tradicional dos EUA.

Economias emergentes como Brasil e Índia redefinem as regras do jogo, com a Índia propondo integração de moedas digitais dos países BRICS para reduzir dependência do dólar americano. Esses desenvolvimentos indicam que criptomoedas transcendem seu papel como ativos especulativos, tornando-se instrumentos de política econômica e geopolítica.

Perspectivas para os Próximos Dias

Analistas apontam que a volatilidade de curto prazo deve persistir enquanto as tensões geopolíticas e comerciais permanecerem elevadas. No entanto, a perspectiva de longo prazo para Bitcoin permanece construtiva, sustentada por adoção institucional crescente e fluxos positivos de ETFs.

Pesquisas indicam que 2026 marca o fim do “ciclo de quatro anos” tradicional, com preços de criptomoedas sendo impulsionados por forças estruturais como adoção global, regulação clara e integração ao sistema financeiro tradicional, em vez de ciclos de halving.

A implementação de regulações claras no Brasil e em outras economias emergentes, combinada com a adoção institucional crescente, sugere que o mercado de criptomoedas está evoluindo para uma fase mais madura e resiliente, apesar das turbulências de curto prazo.

Conclusão

O mercado de criptomoedas enfrenta pressão significativa nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, refletindo uma combinação de fatores geopolíticos, incertezas regulatórias e perspectivas econômicas globais desafiadoras. Enquanto Bitcoin recua para US$ 91 mil e Ethereum consolida em torno de US$ 3.195, desenvolvimentos positivos como a regulação clara no Brasil e adoção institucional crescente sugerem que o setor está em transição para uma fase mais madura.

Investidores devem monitorar de perto as tensões comerciais EUA-UE, desenvolvimentos regulatórios nos EUA e a implementação das novas normas brasileiras em fevereiro de 2026, que podem definir a trajetória do mercado nos próximos meses.

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