Mercado de Criptomoedas Enfrenta Volatilidade Extrema em Fevereiro de 2026
O Bitcoin opera abaixo da barreira psicológica de US$ 70 mil neste domingo (15 de fevereiro), consolidando uma queda de quase 50% desde seu pico histórico acima de US$ 126 mil em outubro de 2025. A criptomoeda registrou leve alta no sábado, mas permanece sob pressão de múltiplos fatores macroeconômicos e geopolíticos que definem o cenário cripto em 2026.
A Queda de 50% e Sinais de Consolidação
O mercado de criptomoedas começou 2026 sob forte pressão. O Bitcoin, que estava sendo negociado acima de US$ 90 mil no início de janeiro, chegou a tocar os US$ 60 mil, acumulando uma das quedas mais intensas do ciclo recente. Nos últimos dias, porém, os preços mostram sinais de consolidação, com o BTC oscilando entre US$ 65 mil e US$ 70 mil e reduzindo a intensidade das liquidações.
Analistas apontam que essa queda, embora significativa, pode ser interpretada como sinal de maturidade do mercado. A queda recente trouxe de volta o medo e reduziu o apetite por risco, levando muitos investidores a questionarem se o mercado entrou em um novo inverno cripto.
Previsões Divergentes para 2026
As perspectivas para o futuro das criptomoedas variam significativamente entre analistas. O banco Standard Chartered reduziu suas expectativas, cortando a previsão de preço do Bitcoin para US$ 100 mil (antes era US$ 150 mil), alertando que os preços podem cair ainda mais nos próximos meses antes de se recuperarem no fim do ano.
Por outro lado, Gabriel Bearlz, analista da Mercurius Crypto, identifica três gatilhos que poderiam impulsionar o Bitcoin às máximas históricas em 2026, destacando a possibilidade de uma “recuperação saudável” ao longo do ano caso surjam os catalisadores certos. Previsões gerais para 2026 variam de US$ 75 mil a US$ 225 mil, dependendo de fatores como fluxos de ETFs, cortes de juros e choques globais.
Pressões Macroeconômicas e Geopolíticas
O contexto macroeconômico global amplifica a volatilidade do mercado cripto. Europa, China e Japão preparam estímulos fiscais contra deflação e baixo crescimento, criando incerteza para criptoativos. Simultaneamente, tensões entre EUA e China redefinem cadeias de suprimento, com a China controlando minerais raros e o Ocidente diversificando fontes.
Pesquisas indicam que 41% dos traders veem as tensões EUA-China como o maior risco para mercados, superando até mesmo preocupações com inteligência artificial. Tensões entre Trump e o Federal Reserve geram volatilidade adicional em Bitcoin, ouro e prata, com um dólar mais forte pressionando ativos de risco.
Mercados de previsão como Polymarket indicam baixas probabilidades (1-2%) de escaladas geopolíticas como ataques dos EUA a Cuba ou Irã até março, priorizando Ucrânia e Oriente Médio como focos de tensão.
Avanços Regulatórios Criam Clareza Institucional
Em desenvolvimento positivo para o setor, a SEC dos EUA está transitando de uma abordagem punitiva para diretrizes claras e permanentes. O presidente da SEC, Paul Atkins, enfatizou que a criação de regras permanentes para criptomoedas requer ação do Congresso, com propostas como a “Clarity Act” em discussão para aprovação na primavera de 2026.
O Federal Reserve sinalizou mudanças significativas em fevereiro de 2026: está abrindo acesso a “master accounts reduzidas” — contas que permitem acesso direto ao sistema bancário central para empresas de criptomoedas — e publicou um modelo de risco específico para criptomoedas. Essas medidas indicam que o FED está criando estruturas de integração institucional ao invés de barreiras regulatórias.
Adicionalmente, o FED planeja oferecer acesso a pagamentos diretos para empresas de criptomoedas e fintech sem licenças bancárias tradicionais, embora essa iniciativa enfrente oposição de bancos que alegam riscos sistêmicos.
Aprovações de ETFs Aceleram
As aprovações de ETFs de Bitcoin e Ethereum avançam com velocidade acelerada. A Trump Media registrou recentemente dois novos ETFs cripto abrangendo Bitcoin, Ether e Cronos, em parceria com a Crypto.com, com taxa de administração de 0,95%. Apesar da aceleração, há atrasos em produtos com staking ou altcoins de menor capitalização.
Regulação no Brasil Marca Nova Era
Desde 2 de fevereiro, o Banco Central do Brasil impõe novas normas para ativos virtuais, marcando uma “nova era” com foco em segurança e inovação. Essa regulação coincide com recuperação recente: Bitcoin subiu 3,5% para US$ 69.567 e Ethereum subiu 5,5% para US$ 2.075 em 14 de fevereiro, via apetite por risco e inflação desacelerando.
Adoção Institucional Continua Avançando
Apesar da volatilidade de preços, a adoção institucional de blockchain continua acelerando. A circulação do USDC da Circle atinge US$ 73,7 bilhões, dobrando ano a ano graças à maior adoção institucional e integração em serviços financeiros tradicionais. Plataformas como Vert tokenizam debêntures, oferecendo tokenização para bancos e empresas com conformidade regulatória e integração simplificada.
A Ripple busca aprovações para custódia institucional de ativos digitais e emissão de stablecoins sob o Ato GENIUS, expandindo infraestrutura blockchain para pagamentos federais. Grandes players como MicroStrategy continuam acumulando Bitcoin, detendo 3,4% do suprimento total a um preço médio de US$ 76 mil.
CBDCs e o Futuro das Moedas Digitais
Globalmente, os bancos centrais avançam em projetos de moedas digitais. A China continua expandindo o e-CNY em transações offline, enquanto os EUA estudam a possibilidade de uma CBDC via Federal Reserve, sem lançamento previsto até 2026. A Rússia planeja lançar uma stablecoin doméstica em 2026, refletindo avanços regulatórios globais nessa área.
Perspectivas para os Próximos Meses
O mercado de criptomoedas em 2026 será definido pela interação entre três forças principais: volatilidade técnica de curto prazo, avanços regulatórios que criam clareza institucional, e dinâmicas macroeconômicas globais. A aprovação de legislação clara, a trajetória das taxas de juros americanas e evoluções geopolíticas determinarão se Bitcoin e outras criptomoedas conseguem recuperação ou enfrentam quedas mais profundas.
Cenários para Bitcoin em 2026 incluem faixa neutra (US$ 110 mil–160 mil) ou altista (US$ 180 mil–225 mil) com alocação institucional forte, mas choques geopolíticos dominam o curto prazo. Investidores e analistas monitoram atentamente a aprovação da “Clarity Act” e as decisões do Federal Reserve sobre política monetária como catalisadores-chave para o próximo movimento do mercado.
Conclusão
Enquanto o Bitcoin consolida abaixo de US$ 70 mil, o mercado de criptomoedas demonstra sinais de maturidade institucional apesar da volatilidade. Os avanços regulatórios nos EUA e no Brasil, combinados com a adoção contínua por instituições financeiras, sugerem que o setor está evoluindo para um modelo mais sustentável e integrado ao sistema financeiro tradicional. Os próximos meses serão críticos para determinar se o mercado consegue recuperação ou enfrenta pressões adicionais.