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Bitcoin Consolida em US$ 67 Mil Enquanto Trump Aumenta Tarifas Globais para 15%

Mercado de Criptomoedas Enfrenta Teste de Resiliência em Meio a Incertezas Geopolíticas

O Bitcoin mantém consolidação lateral em torno de US$ 67.691 neste domingo, 22 de fevereiro de 2026, após sofrer breve queda provocada pelo anúncio de Donald Trump sobre aumento de tarifas globais de 10% para 15%. A volatilidade reduzida e a recuperação parcial do ativo demonstram resiliência do mercado cripto diante de choques políticos e econômicos.

Dinâmica de Preços e Análise Técnica

De acordo com análises técnicas, o Bitcoin apresenta viés levemente altista, com previsões apontando para uma faixa de negociação entre US$ 67.500 e US$ 69.200 nas próximas horas. O ativo está sendo negociado acima da linha média das Bandas de Bollinger (US$ 67.283,82), sugerindo possível expansão de preço iminente.

O cruzamento positivo no indicador MACD e o aperto nas Bandas de Bollinger indicam que o mercado pode estar preparando um movimento significativo. Analistas identificam suporte em US$ 66.210 e resistência em US$ 68.357, com possibilidade de “stop hunt” abaixo de US$ 67.000 antes de potencial alta para US$ 69.000.

Apesar da consolidação, o Bitcoin acumula queda de 23% no início de 2026, marcando o pior começo de ano da história do ativo. No entanto, ciclos anteriores indicam que períodos de baixa já antecederam recuperações expressivas.

Saídas de ETFs e Sentimento de Mercado

Os ETFs de Bitcoin spot nos EUA registraram US$ 316 milhões em saídas líquidas durante a semana encurtada pelo feriado de Presidents’ Day. Esse movimento reflete cautela institucional em relação ao cenário macroeconômico.

Curiosamente, buscas por “Bitcoin is dead” atingem novos picos, um indicador que historicamente precede rallies significativos. O sentimento de medo extremo domina o mercado, mesmo com a taxa de hash do Bitcoin em máximas recordes, sinalizando resiliência técnica da rede.

Impacto das Tarifas de Trump no Mercado Global

O anúncio de Trump sobre aumento de tarifas globais para 15% gerou volatilidade imediata nos mercados de risco. A medida, invocando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, permite gravames temporais por 150 dias, com possibilidade de extensão mediante aprovação congressional.

A reação inicial do Bitcoin — queda seguida de recuperação — demonstra que o mercado cripto está sendo testado como ativo de proteção contra incertezas econômicas. Especialistas apontam que as políticas protecionistas podem ampliar o dualismo econômico EUA-China, fortalecendo a busca por ativos alternativos e descentralizados.

O dólar permanece estável em torno de R$ 5,52-5,58 no Brasil e próximo de 98,4 globalmente, resistindo aos avanços devido às tarifas, política monetária e riscos políticos. Novas ameaças tarifárias mantêm ganhos em ativos refúgio, como ouro, que recebe projeção de preço-alvo de US$ 6.200 pela UBS em meio às tensões geopolíticas.

Brasil Avança em Regulação de Criptomoedas

Em contexto positivo para o setor cripto brasileiro, o Banco Central estabeleceu prazo máximo de três anos para decidir sobre pedidos de autorização de funcionamento de plataformas de criptomoedas (exchanges). As normas entraram em vigor em fevereiro de 2026, incluindo requisitos rigorosos como capital mínimo, controles de risco cibernético e prevenção à lavagem de dinheiro.

Um eixo central da agenda regulatória é o aprofundamento das regras para stablecoins, especialmente aquelas referenciadas em moedas estrangeiras. A Receita Federal iniciou fiscalização do mercado através de licitações para software de rastreamento e tributação.

Dados impressionantes mostram que o total declarado em criptoativos no Brasil saltou de R$ 94,9 bilhões em 2020 para R$ 415,8 bilhões em 2024 — um crescimento de 438%. A stablecoin Tether (USDT) registrou R$ 440,9 bilhões em transações nos primeiros nove meses de 2025, superando em mais de 12 vezes o volume do Bitcoin.

Desafio Tributário Ameaça Competitividade

Apesar dos avanços regulatórios, especialistas alertam que a aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em ativos virtuais levanta preocupações constitucionais. O imposto foi estruturalmente concebido para operações de câmbio, crédito e seguro, não para criptomoedas.

A busca por um marco regulatório com baixa tributação e segurança jurídica é vista como essencial para atrair capital institucional e manter a liderança do Brasil no setor de ativos virtuais. Altos impostos podem comprometer a competitividade do país em relação a outras jurisdições cripto-friendly.

Cooperação Internacional Fortalece Regulação

A regulação brasileira reflete tendências globais de 2026, com maior cooperação internacional contra evasão fiscal. A Suíça está compartilhando dados de criptoativos com 74 países, incluindo o Brasil, fortalecendo a integração do país ao sistema financeiro global.

Essas medidas visam alinhar o Brasil a padrões internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e estabilidade financeira, criando um ambiente mais seguro e transparente para operações com criptomoedas.

Perspectivas para os Próximos Meses

Para o restante de 2026, os arancéis temporais de Trump (até aproximadamente junho, salvo extensão) poderão pressionar mercados globais, elevando custos de importação e potencialmente fortalecendo o dólar. Isso afetaria indiretamente as criptomoedas ao aumentar sua correlação com ativos refúgio.

Tensões previstas antes do discurso do Estado da União (terça-feira) poderão amplificar volatilidade nas próximas semanas. Investidores e analistas monitoram de perto a evolução das políticas comerciais e seu impacto no mercado cripto global.

A consolidação atual do Bitcoin, apesar dos desafios, mantém a possibilidade de reversão altista se o ativo romper a resistência em US$ 68.357. O mercado aguarda sinais mais claros sobre a direção das políticas econômicas globais e seu impacto na demanda por ativos descentralizados.

Conclusão

O mercado de criptomoedas enfrenta um período crítico de consolidação, testando sua resiliência diante de incertezas geopolíticas e políticas protecionistas. Enquanto Bitcoin mantém suporte técnico e a rede demonstra força através de máximas recordes na taxa de hash, o sentimento de medo extremo oferece oportunidades para investidores de longo prazo.

No Brasil, os avanços regulatórios criam um ambiente mais estruturado para o setor, mas desafios tributários precisam ser resolvidos para manter a competitividade. A próxima semana será crucial para definir a direção dos mercados globais e seu impacto no ecossistema cripto.

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