A crise de 2008

Crise de 2008? Já é um assunto batido, por que eu deveria ler esse texto? Você deve estar se pergutando isso no momento. Bom, as recessões não ocorrem por um motivo aleatório, há todo um padrão que se repete por anos.

Entender esse padrão pode te ajudar a proteger seu patrimônio e identificar as melhores oportunidades de investimento.

A crise de 2008 ocorreu por conta do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos. No entanto, esta bolha foi causada pelo crédito fácil e barato que era emitido através de duas agências do governo: Fannie Mae e Freddie Mac. As pessoas basicamente utilizavam as hipotecas de seus imóveis para financiar a compra de novos imóveis, esperando uma valorização, ou seja, era tudo uma mera especulação.

As pessoas se endividaram a um nível além do que o sistema financeiro suportava, graças a uma baixa taxa de juros mantida artificialmente pelo FED (Banco Central Americano). O problema é que tudo ia bem enquanto era possível sustentar essa política, entretanto, as coisas mudaram quando ninguém conseguia mais vender seus imóveis.

preço dos imóveis na crise de 2008
Como ninguém conseguia vender, o preço dos imóveis começou a cair. As áreas em cinza indicam a recessão.

Ainda em 2006, o modelo de expansão americano de crédito fácil já dava sinais de exaustão, o preço das ações começava a cair. Além disso, imensos estoques de imóveis “encalhados” já começavam a se formar. O estopim aconteceu quando as hipotecas começaram a ser reajustadas e o nível de calote aumentou repentinamente. O economista Peter Schiff já havia previsto a crise de 2008 com bastante antecedência, conforme o vídeo abaixo:

O inimaginável acontece

A economia mundial chegou no abismo quando o inimaginável aconteceu: a falência do Lehman Brothers. Um banco centenário de grande relevância na economia declarando falência foi o ponto alto da crise de 2008, o que quase deu início a uma corrida bancária.

No auge da crise financeira de 2008, os bancos centrais das economias mais ricas do mundo (Europeus e Americanos), passaram a realizar o uso do Quantitative Easing (afrouxo quantitativo).

Que consistia na emissão extrema de moeda para comprar ativos tóxicos de bancos importantes para a economia, reduzindo o passivo destes bancos e evitando sua falência, o que pode ser resumido como resgate aos bancos.

jornal noticiando o auge da crise de 2008
Capa do The Times noticiando resgate aos bancos. É possível encontrar o título da reportagem no Bloco gênesis do Bitcoin.

Tal evento expôs as falhas do modelo econômico mundial praticado até hoje, um modelo que tem os pilares de centralização, cartelização dos grandes bancos e irracionalidade econômica. Muitas pessoas perderam quase tudo o que tinham nos bancos, o que fez surgir o questionamento que indagava se as pessoas eram de fato donas do seu dinheiro e riqueza.

Liberdade Financeira

O Bitcoin propõe uma solução disruptiva ao modelo econômico atual, uma solução em que as pessoas possuem não mais a independência financeira e sim a liberdade financeira.

O conceito de liberdade financeira consiste no fato de que as pessoas são livres para gerenciar o seu dinheiro como elas de fato desejam, sem depender de grandes instituições como bancos e governos.

Ele possibilita que as pessoas sejam de fato as donas de sua riqueza, porque é um sistema monetário confiável e descentralizado. Poderíamos dizer que se o nosso sistema monetário fosse baseado em Bitcoin, a crise de 2008 jamais teria ocorrido.

Inflação

A inflação é um mal que corrói a estrutura econômica silenciosamente com o passar do tempo. Ela pode ser caracterizada como um aumento da oferta de moeda na economia, sem que a quantidade de bens e a produtividade da economia aumente.

O resultado é um aumento de preços generalizado e contínuo, uma vez que a produtividade e a quantidade de bens também não foram aumentadas conforme o aumento da oferta. A entrada de novo dinheiro na economia não se dá de forma linear, isto é, há pessoas que recebem o novo dinheiro antes e há pessoas que recebem este dinheiro por último.

Isso aumenta o poder de compra de quem recebe primeiro (Bancos, Funcionários Públicos e Fornecedoras de serviço para o estado) em relação ao poder de compra de quem recebe por último (normalmente a população mais pobre e distante dos grandes centros financeiros). 

Pode-se dizer que inflação não ocorre de forma homogênea, ela se dá por ondas que vão aumentando sua amplitude. Como uma gota que pinga em uma piscina, gerando ondas com maior raio com passar do tempo, passando por quem recebeu o dinheiro primeiro, até o último.

Reservas fracionárias: o grande problema

As reservas fracionárias acontecem da seguinte forma: uma pessoa deposita R$10,00 no banco, ele guarda R$0,50 e empresta o restante para outro cliente. No entanto, o cliente pode solicitar o resgate daquele depósito a qualquer momento, mesmo que o outro cliente não tenha pago.

Ou seja, em um sistema de reserva fracionária o banco empresta mais do que possui em depósitos.

O que possibilita a criação de dinheiro é o monopólio de emissão por parte dos bancos centrais e o sistema de reserva fracionária praticada pelos bancos. Não há como haver um sistema de reserva fracionária com Bitcoin, porque não existem bancos de bitcoin que emprestam as moedas.

O Bitcoin já surgiu tecnologicamente mais avançado do que qualquer banco, porque ele é uma criptomoeda que não precisa de intermediários para funcionar. Logo, não são necessários bancos ou qualquer outra instituição financeira. Ou seja, a alavancagem de patrimônio dos bancos na crise de 2008 simplesmente não existiria com o Bitcoin

Caso queira entender mais sobre a história da moeda e sistema monetário, nós dispomos de um podcast com muita informação sobre o assunto:

Irracionalidade econômica

Além disso, a inflação é um caminho para a irracionalidade econômica, fazendo com que as pessoas passem a valorizar os bens presentes em prol dos bens futuros, aumentando a preferência temporal de consumo de toda a economia, resultando em uma taxa de juros mais alta no presente.

comportamento da inflação na crise de 2009
Comportamento da inflação no pré-crise e pós-crise.

As pessoas em uma economia inflacionária poupam menos, porque há a expectativa de que a moeda perde o poder de consumo. Ou seja, a recompensa será extremamente baixa por se abster do consumo no presente ao invés de consumir mais no futuro. Logo, a taxa de preferência temporal será muito alta, porque as pessoas vão consumir muito no presente.

poupança na crise de 2008
Comportamento da poupança durante a Crise de 2008

Uma alta preferência temporal leva a uma menor poupança, o que faz com que a taxa de juros seja alta. Logo, as empresas investem menos em processos produtivos mais complexos e linhas de produção mais longas, ou seja, a economia se torna menos produtiva.

taxa de juros antes da crise de 2008
Seguidos cortes na taxa de juros americana antes da crise.

Como tudo começa?

O governo pode baixar as taxas de juros através da legislação, fazendo com que o investimento fique mais barato de forma artificial. Desta forma, os empresários acham que há mais fundos sendo poupados no presente, quando na verdade não há. Esse foi o grande problema da crise de 2008 e 29.

Os empresários passam a alongar a linha de produção e a adotar meios de produção mais complexos. Os projetos passam a visar o longo prazo, em função da baixa taxa de juros, uma vez que eles consideram que a população está se tornando cada vez mais poupadora.

O problema é que acontece um descompasso entre oferta e demanda de bens. Porque os empresários estão pensando em longo prazo, enquanto os consumidores estão pensando no curto prazo, porque agora a recompensa para poupança ficou menor e o custo dos empréstimos também apresentaram uma queda.

Descompasso da economia

O consumidor, portanto, continuará consumindo o que ele sempre esteve habituado. E o que ocorre é que quando os consumidores forem ao mercado, o descompasso será evidente e toda aquela cadeia de produção complexa se mostrará um desperdício de capital, porque haverá uma demanda por bens presentes ao invés de bens futuros.

Todo aquele investimento se mostrará inútil e as empresas precisarão demitir funcionários e liquidar os seus ativos obtidos com crédito fácil. Este processo se espalha por toda economia e acaba por falindo indústrias inteiras, onde milhões perderão seus empregos. Exatamente como ocorreu na crise de 2008 e na crise brasileira que começou em 2014.

Com uma diminuição da demanda, a economia entra em recessão até que o processo de liquidação e recuperação das empresas acabe. Esse processo pode demorar, dependendo da quantidade de tempo que a política de juros baixos esteve vigente.

Este padrão aconteceu em 1929, se repetiu na crise de 2008 e aconteceu no Brasil entre 2011 e 2014. A Escola Austríaca foi a única escola econômica capaz de prever com clareza ambas catástrofes através da sua Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

O ponto central é que o governo, através da emissão de moeda ou manipulação da taxa de juros, pode induzir as pessoas ao erro sistematizado ao longo de toda economia, provocando um certo período de abundância, conhecido como “boom” e um período de depressão, conhecido como “burst”.

Como o Bitcoin poderia ter ajudado?

O Bitcoin ajudaria a impedir este cenário de catástrofe econômica. Porque é impossível uma única pessoa, empresa ou governo controlar a sua oferta monetária, além disso, ela é é limitada. Desta forma, não há como aumentar a quantidade de Bitcoin na economia através de impressão e empréstimos a juros baixos. 

A inflação do Bitcoin já é conhecida e a taxa de criação de moedas cai pela metade a cada 4 anos. Logo, a inflação de Bitcoin é consideravelmente baixa a ponto de se tornar praticamente irrisória no longo prazo.

Em uma sociedade onde não há inflação, as pessoas serão mais responsáveis no consumo. Porque há uma expectativa de que a moeda valerá mais no futuro. Ou seja, a preferência de consumo das pessoas irá baixar no presente, fazendo com que se tornem mais poupadoras.

Como há mais fundos poupados no presente, a taxa de juros permanece baixa de forma natural, porque há mais dinheiro no presente.

Um futuro mais racional

Como existe mais dinheiro no presente e a taxa de juros é mais baixa, os empresários se sentirão mais atraídos para investir. Consequentemente as fábricas vão focar a sua linha de produção para o longo prazo e o processo produtivo se torna mais complexo e produtivo.

Portanto, a produção vai se focar para a produção de bens futuros e a economia se tornará mais rica futuramente.

Poderíamos dizer que a crise de 2008 jamais teria ocorrido se o Bitcoin fosse uma moeda predominante na economia. Ele simplesmente funciona de forma descentralizada, sem governos, sem bancos e sem nenhuma loucura econômica.

Esperamos que você tenha aprendido como funcionam os Ciclos Econômicos e como Bitcoin poderia ter a evitado. Caso tenha gostado, compartilhe com seus amigos nas redes sociais. Se quiser continuar recebendo conteúdos como esse, favorite o Cointimes e ative as notificações clicando no notificações