Bitcoin Despenca Abaixo de US$ 70 Mil em Maior Queda de 2026
O mercado de criptomoedas enfrenta seu pior momento desde o início de 2026, com o Bitcoin registrando quedas acentuadas que o levaram abaixo de US$ 70 mil pela primeira vez desde a reeleição de Donald Trump em novembro de 2024. A maior criptomoeda do mundo perdeu mais de US$ 900 bilhões em valor de mercado em apenas 22 dias, refletindo uma “crise de fé” generalizada entre investidores.
Magnitude da Queda: Números Alarmantes
Na quinta-feira (5 de fevereiro), o Bitcoin caiu para US$ 69.821, sua mínima mais recente, representando uma queda de 12% em apenas 24 horas. Ao longo da semana, a criptomoeda acumulou perdas de 13% nos primeiros cinco dias de fevereiro e 22% desde o início do ano. O Ethereum, segunda maior criptomoeda, também sofreu impacto significativo, caindo 6,25% para US$ 2.065.
A capitalização total do mercado de criptomoedas perdeu US$ 128 bilhões em um único dia, caindo para menos de US$ 2,5 trilhões. Dados da plataforma Polymarket revelam o pessimismo extremo: 72% de chance de o Bitcoin cair abaixo de US$ 70 mil até 1º de março, com apostas indicando possível queda para US$ 65 mil em 2026.
Fatores Macroeconômicos Pressionam o Mercado
A queda não é isolada ao mercado cripto. Aversão global ao risco está afetando ativos voláteis em geral, incluindo ações de tecnologia e metais preciosos. Vários fatores macroeconômicos convergem para criar um ambiente hostil para criptomoedas:
Juros Elevados nos EUA: A indicação de Kevin Warsh para o Federal Reserve gerou ambiguidade no mercado. Embora Warsh defenda taxas de juros mais baixas, investidores temem que a inflação persista e mantenha juros elevados por mais tempo do que o esperado.
Tensões Geopolíticas: Conflitos entre EUA e Irã elevam a incerteza global, reduzindo o apetite por ativos de risco e aumentando a liquidez em ativos seguros como ouro e títulos do governo.
Saídas de ETFs: Quase US$ 4 bilhões foram retirados de ETFs de criptomoedas nos últimos três meses, sinalizando saída de investidores institucionais que apostavam em recuperação.
Questões Internas do Mercado Cripto
Além dos fatores externos, o mercado cripto enfrenta problemas internos. Liquidações automáticas de posições alavancadas criaram um efeito cascata, com traders sendo forçados a vender ativos para cobrir margens. Analistas alertam para possível “espiral da morte” se as quedas persistirem, onde a venda em pânico alimenta mais vendas.
O Índice de Medo & Ganância marca 11 pontos, indicando “Medo Extremo” no mercado. Suportes técnicos críticos em US$ 70 mil, US$ 68 mil e US$ 66 mil foram rompidos, sinalizando fraqueza estrutural de curto prazo.
Regulação Incerta nos EUA Agrava Pessimismo
A Lei CLARITY, que buscaria definir de forma mais clara como os ativos digitais devem ser regulados nos EUA, permanece travada no Senado. Esperava-se que avanços regulatórios pudessem trazer clareza e confiança ao mercado, mas a falta de progresso contribui para o pessimismo.
Comentários de Scott Bessent, secretário do Tesouro, sobre possível tributação de ganhos cripto também alimentam incertezas. Reguladores discutem enquadrar operações com criptomoedas como câmbio, abrindo espaço para cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Avanços Regulatórios no Brasil
Enquanto o mercado global enfrenta turbulências, o Brasil avança em sua regulação de criptomoedas. O Ministério da Fazenda iniciou consulta pública para equiparar operações com criptomoedas (especialmente stablecoins) a câmbio, permitindo cobrança de IOF com alíquotas variáveis por tipo de operação.
As Resoluções do Banco Central nº 519, 520, 521, 693, 701 e 704 entraram em vigor em fevereiro, impondo capital mínimo e maior fiscalização sobre prestadores de serviços de ativos virtuais. Essa regulação mais clara pode reduzir incertezas em remessas internacionais e pagamentos.
Perspectivas para os Próximos Meses
Analistas divergem sobre o futuro próximo. Alguns veem a correção atual como parte de um ciclo natural, com possível recuperação acima de US$ 2,45 trilhões em capitalização total. Outros são mais pessimistas, prevendo quedas para US$ 60 mil a US$ 55 mil, representando 60% a 70% do pico histórico de US$ 126.251 atingido em 2025.
Projetos como Ripple Prime (integração com Hyperliquid para DeFi) e World Mobile (expansão global em 2026) continuam avançando, sinalizando que nem todo o ecossistema cripto está paralisado. Tokens ligados a ouro (XAUT e PAXG) acima de US$ 5 mil mostram rotação para ativos com lastro tangível.
O Que Esperar Agora
Os próximos dias serão críticos. Se o Bitcoin conseguir se estabilizar acima de US$ 65 mil, pode haver recuperação técnica. Se cair abaixo desse nível, novos suportes em US$ 60 mil podem ser testados. Investidores devem monitorar:
- Decisões do Federal Reserve sobre taxas de juros
- Desenvolvimentos na Lei CLARITY no Senado dos EUA
- Evolução das tensões geopolíticas EUA-Irã
- Fluxos de entrada/saída em ETFs de criptomoedas
- Implementação das novas regulações brasileiras
Conclusão
A queda do Bitcoin abaixo de US$ 70 mil marca um ponto de inflexão importante no mercado de criptomoedas em 2026. Embora a volatilidade seja característica do setor, a convergência de fatores macroeconômicos, regulatórios e geopolíticos cria um ambiente desafiador. Investidores devem manter cautela, diversificar portfólios e acompanhar de perto os desenvolvimentos regulatórios, especialmente nos EUA e Brasil, que podem definir o rumo do mercado nos próximos meses.