Bitcoin Cai 3% e Testa Suportes Críticos Enquanto Regulação Avança Globalmente
O Bitcoin registrou queda de quase 3% na quarta-feira (11 de fevereiro), atingindo mínimas semanais próximas a US$ 66.500, em um contexto de pressão contínua no mercado de criptomoedas. A maior criptomoeda do mundo acumula perdas de 14,4% apenas em fevereiro, aproximando-se de uma retração de 50% desde as máximas históricas registradas em outubro de 2025.
Dinâmica do Mercado: Falta de Momentum dos Compradores
Analistas alertam para a falta de momentum dos compradores para recuperar o suporte crítico de US$ 69.000. Gabriel Bearlz, da Mercurius Crypto, e Valter Rebelo, da Empiricus, consideram a correção atual normal dentro dos ciclos históricos do Bitcoin, inferior aos recuos de 70-80% observados em ciclos anteriores.
Apesar da volatilidade, Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, mantém visão otimista de longo prazo, afirmando que o Bitcoin entregará o dobro ou triplo do desempenho do S&P 500 nos próximos 4 a 8 anos. A empresa continua suas compras estratégicas de Bitcoin, mesmo com a queda de 45% desde o pico de outubro de 2025.
Impacto Institucional: Coinbase e Empresas com Bitcoin Treasuries
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, viu sua fortuna pessoal reduzida pela metade desde julho de 2025, saindo da lista dos 500 mais ricos do mundo. As ações da exchange caíram 60% no período, com revisões negativas de analistas como JPMorgan devido à fraqueza prolongada no mercado de criptomoedas e stablecoins.
Empresas que mantêm Bitcoin em seus treasuries enfrentam desvalorização ainda maior, com ações caindo mais de 30% em apenas 30 dias, superando a desvalorização do próprio Bitcoin (13,6% no período).
Desenvolvimentos Institucionais: ETPs e Novos Produtos
Em sinal de confiança institucional, o iShares Bitcoin ETP (IB1T), listado na Bolsa de Valores de Londres, emitiu 660.000 novos títulos, com taxa temporariamente reduzida a 0,15%. A negociação iniciou em 12 de fevereiro de 2026, sinalizando interesse contínuo de investidores institucionais apesar da volatilidade.
Regulação Global: Avanços e Impasses Políticos
EUA: Disputa sobre Stablecoins Trava Legislação Abrangente
Nos Estados Unidos, a regulação de criptomoedas avança em paralelo a um impasse político-econômico. O GENIUS Act (Lei de Entidade Garantida e Inovação sob Supervisão) permite que não-bancos emitam stablecoins reguladas, eliminando riscos de “caixa preta” em reservas e integrando-as a pagamentos mainstream como USDC e PYUSD em varejistas.
Porém, reuniões na Casa Branca entre representantes do setor cripto, bancos e legisladores revelam disputas fundamentais. Bancos tradicionais opõem-se a rendimentos (yield) em stablecoins por temerem ameaças aos depósitos tradicionais. A Coinbase retirou apoio à Lei CLARITY, que foi aprovada na Câmara em 2025 mas permanece estagnada no Senado.
A NCUA (Administração Nacional de Cooperativas de Crédito) propôs regras para cooperativas de crédito emitirem stablecoins sob o GENIUS Act, com período de comentários até abril de 2026. Divergências partidárias persistem, com republicanos pró-cripto (influenciados pela administração Trump) e democratas alinhados aos interesses bancários tradicionais.
Europa: MiCA Implementado com Rigor Regulatório
A Europa implementou totalmente o MiCA (Markets in Crypto-Assets), estabelecendo regras claras para stablecoins e outros ativos digitais. O regulamento exige atestações auditadas mensais de reservas, proíbe juros diretos em stablecoins para diferenciá-las de títulos, e cria divisão entre stablecoins reguladas para pagamentos e algorítmicas experimentais.
O foco europeu em transparência e estabilidade técnica facilita adoção em pagamentos internacionais, criando ambiente mais previsível para empresas e investidores.
Tokenização de Ativos Reais: Inflexão Corporativa em 2026
Adoção Institucional Acelerada por Blockchain
A tokenização de ativos reais (RWA) emerge como tendência dominante em 2026, impulsionada por regulação favorável e eficiência operacional. Empresas e investidores institucionais tokenizam títulos, fundos, ações e ativos privados em blockchain para maior eficiência, rastreabilidade e compliance.
Plataformas como BLOCKBR e Rise Network automatizam ciclos de vida de ativos digitais, reduzindo custos operacionais em até 60% e integrando DeFi ao mercado tradicional. Bancos, fundos e gigantes como Robinhood testam blockchains próprias, com Robinhood Chain operando como layer-2 do Ethereum para aplicativos de tokenização.
Relatórios preveem inflexão na curva de adoção corporativa (padrão “S” da Gartner/Forrester), com regulação como a Lei Clarity nos EUA acelerando influxo de capital institucional. Eventos como RWA Summit Hong Kong e Liquidity 2026 reúnem líderes para integrar blockchain a finanças tradicionais.
Inovações no Brasil: Blockchain na Identidade Nacional
O Brasil avança em adoção de blockchain com resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, criando regras para Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) e fomentando governança e supervisão. O governo federal determinou a adoção de tecnologia blockchain na emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN).
Surge também a RESBit como reserva estratégica de Bitcoin com transparência em cadeia, sinalizando reconhecimento oficial de criptomoedas como ativo estratégico nacional.
Moedas Digitais de Bancos Centrais: Progresso Desigual
Brasil: Drex em Piloto com Foco em Interoperabilidade
O Banco Central do Brasil estrutura normas para ativos virtuais, integrando stablecoins pareadas ao real para liquidações 24/7, com ênfase em compliance e interoperabilidade financeira. O Drex avança em piloto, preparando infraestrutura para pagamentos instantâneos e redução de fricções em operações internacionais.
China: e-CNY Líder em Adoção Prática
A China lidera em adoção prática de CBDC, com o e-CNY operando amplamente e impulsionando uso em serviços financeiros digitais e transações globais. A moeda digital chinesa alinha-se a tendências de integração de CBDCs em bancos digitais.
EUA: Infraestrutura em Preparação
Nos EUA, discussões regulatórias como a Lei Clarity preparam infraestrutura para bancos centrais, focando em stablecoins respaldadas por fiat com auditorias rigorosas e direitos de resgate. Instituições como BNY Mellon discutem mudanças institucionais para suportar ativos digitais, mas sem lançamento confirmado de CBDC federal até 2026.
Contexto Geopolítico: Tensões EUA-China Remodelam Economia Global
A geopolítica está remodelando a economia global em 2026, com tensão entre Estados Unidos e China como fator dominante. Esta disociação econômica redefiniu cadeias de suministro globais, especialmente em recursos estratégicos como minerais de terras raras e tecnologias relacionadas.
A competição por supremacia em inteligência artificial adiciona complexidade ao ambiente. Europa enfrenta pressões especiais, com líderes europeus advertindo que “a crescente competição entre EUA e China ameaça arrastar a Europa a uma confrontação ou obrigá-la a escolher um lado”.
Frente a estas tensões, Europa, China e Japão implementam programas de estímulos fiscais. Na Europa, a política fiscal substitui o Banco Central Europeu como principal fonte de apoio ao crescimento. China utiliza medidas monetárias e fiscais para estimular economia vulnerável a riscos de deflação.
O 64% dos family offices considera geopolítica como o maior risco atual para investimentos, com volatilidade em mercados financieros e incerteza geopolítica afetando margens e logística internacional.
Perspectivas para 2026: Inflexão Institucional e Regulatória
O banco Citi projeta Bitcoin atingindo US$ 143 mil até o final de 2026, impulsionado por regulação favorável e adoção institucional consolidada. Stablecoins dominam debates regulatórios, com bifurcação de mercado e maior aceitação comercial devido a riscos legais reduzidos.
Expectativa de licenças para emissores e influxo institucional com clareza regulatória acelera ETFs de Bitcoin e infraestruturas como blockchain permissionada. Métricas como US$ 8 trilhões assegurados por oráculos Chainlink em 2024 e crescimento de 47% em aplicativos descentralizados sinalizam maturidade para escala empresarial.
O momento atual, apesar da volatilidade de curto prazo, marca inflexão estrutural no mercado de criptomoedas, com transição de especulação para adoção institucional e integração com finanças tradicionais. Regulação clara, tokenização de ativos reais e CBDCs em desenvolvimento redefinem o papel de criptomoedas na economia global.
Conclusão
Fevereiro de 2026 marca período crítico para o mercado de criptomoedas, com pressões de curto prazo convivendo com avanços estruturais de longo prazo. Enquanto Bitcoin testa suportes críticos, regulação global avança, tokenização de ativos reais acelera adoção institucional, e moedas digitais de bancos centrais progridem em diferentes velocidades.
O contexto geopolítico de tensão EUA-China e competição por supremacia tecnológica adiciona urgência a estas transformações, com criptomoedas e blockchain emergindo como infraestruturas críticas para economia digital do futuro.