Bitcoin Recua Ante Pressões Macroeconômicas e Saídas de ETFs
O Bitcoin registrou retração de 0,73% para US$ 89.688 na Binance em 22 de janeiro, pressionado por saídas significativas de US$ 1,19 bilhão em ETFs spot nos Estados Unidos. A criptomoeda tenta reação para a marca de US$ 90 mil, mas enfrenta limitações impostas pelo dólar forte, fenômeno ligado ao “efeito Trump” e à força vendedora predominante no curto prazo.
A volatilidade continua marcando o mercado, com o Bitcoin flutuando entre US$ 88.243 e US$ 90.281 nas últimas 24 horas. Especialistas apontam risco de perda do suporte em US$ 87.200, o que poderia levar a uma correção mais profunda para US$ 82.150. A tendência de baixa persiste, com suporte identificado em US$ 84 mil.
Um dado preocupante: a probabilidade de o Bitcoin alcançar um novo recorde histórico antes de julho diminuiu para apenas 19%, segundo análises da Binance. As quedas recentes de preços combinadas com tensões geopolíticas globais explicam essa redução significativa nas expectativas bullish.
Brasil Regulamenta Serviços de Criptomoedas em Bancos
Em movimento estratégico para integrar o setor de criptomoedas ao sistema financeiro formal, o Banco Central do Brasil publicou em 22 de janeiro a Instrução Normativa BCB 701/2026, definindo regras para que bancos como Itaú e Nubank ofereçam serviços de compra e venda de criptomoedas.
A norma, que entra em vigor em 2 de fevereiro de 2026, estabelece exigências rigorosas de conformidade:
- Auditoria Externa Obrigatória: Bancos devem contratar auditoria externa para comprovar segregação patrimonial e prova de reservas das criptomoedas
- Governança Robusta: Implementação de controles de risco, compliance e segurança cibernética
- Prevenção à Lavagem de Dinheiro: Conformidade com regulações de combate ao financiamento do terrorismo
- Transparência Regulatória: Relatórios disponíveis por pelo menos cinco anos para supervisão do BC
A regulamentação abrange bancos comerciais, múltiplos, de investimento, câmbio, Caixa Econômica Federal e corretoras de títulos. Essa medida alinha o Brasil a tendências globais de maior integração financeira, potencializando inclusão via serviços bancários digitais, mas sob escrutínio regulatório estrito para mitigar riscos sistêmicos.
Fragmentação Regulatória Global e o “Passaporte Regulatório”
Enquanto o Brasil avança com regulação clara, a regulamentação de criptomoedas permanece fragmentada globalmente. No Fórum Econômico Mundial em Davos 2026, líderes como CZ (Changpeng Zhao, ex-CEO da Binance), discutem propostas como o “passaporte regulatório”, visando harmonizar regras para pagamentos em cripto, moedas meme e adoção mais ampla.
Essa fragmentação regulatória representa um desafio significativo para o desenvolvimento do setor, potencialmente inibindo fluxos transfronteiriços de capital e criando barreiras para empresas que operam em múltiplas jurisdições.
Tendências Institucionais Dominam o Mercado em 2026
Apesar das pressões de curto prazo, analistas identificam tendências institucionais robustas que devem ditar o mercado de criptomoedas em 2026. A Ripple, uma das principais empresas do setor, destacou quatro frentes principais:
1. Stablecoins como Padrão de Liquidação Global
As stablecoins emergem como o padrão para liquidação global, oferecendo estabilidade de preço e velocidade de transação superiores aos sistemas tradicionais.
2. Ativos Onchain e Tokenização
A tokenização de ativos reais no blockchain está transformando a forma como empresas gerenciam seus balanços. Espera-se que até o fim de 2026, os balanços corporativos concentrem mais de US$ 1 trilhão em ativos digitais.
3. Custódia Cripto Institucional
A infraestrutura de custódia está se consolidando, permitindo que instituições financeiras tradicionais mantenham criptomoedas com segurança e conformidade regulatória.
4. Automação por Inteligência Artificial
A integração entre blockchain e IA permitirá automação financeira em tempo real. Tesourarias corporativas poderão gerenciar liquidez, executar chamadas de margem e otimizar operações de recompra onchain de forma totalmente automatizada, sem intervenção manual.
Adoção Corporativa Acelerada
Relatórios recentes indicam que cerca de metade das empresas da Fortune 500 formalizará estratégias ligadas a ativos digitais até o fim de 2026. A adoção corporativa do Bitcoin em estratégias de tesouro está sendo impulsionada por fatores como proteção contra inflação, diversificação de portfólio e avanços tecnológicos.
A ARK Invest projeta crescimento do mercado cripto a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 61%, potencialmente alcançando US$ 28 trilhões até 2030.
Contexto Macroeconômico e Geopolítico
A reunião do Banco do Japão (BoJ) em 23 de janeiro pode impactar significativamente o iene e a liquidez global, afetando indiretamente os mercados de criptomoedas. Além disso, as tensões geopolíticas continuam pesando sobre o sentimento de risco dos investidores.
O Brasil, por sua vez, demonstra uma abordagem estatal mais proativa em setores de alto risco. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA-MF) bloqueou mais de 25.000 sites ilegais de bets em 2025, gerando receitas de R$ 2,5 bilhões em outorgas e melhorando o monitoramento econômico e social.
Perspectivas para os Próximos Meses
O mercado de criptomoedas em 2026 está em transição de uma fase experimental para uma infraestrutura madura. Enquanto as pressões de curto prazo continuam afetando os preços, as tendências institucionais de longo prazo sugerem um futuro robusto para o setor.
A clareza regulatória, como a demonstrada pelo Brasil com a Instrução Normativa BCB 701/2026, é fundamental para impulsionar a adoção institucional e a integração do blockchain ao sistema financeiro global. No entanto, a fragmentação regulatória global permanece como um desafio a ser superado.
Investidores e empresas devem monitorar de perto os desenvolvimentos regulatórios, as decisões de bancos centrais e as tendências de adoção institucional, pois esses fatores provavelmente determinarão a trajetória do mercado de criptomoedas nos próximos meses.