Bitcoin Atinge Menor Nível desde Eleição de Trump; Liquidações Massivas Atingem US$ 2,5 Bilhões
O mercado de criptomoedas enfrenta uma das piores semanas de 2026, com o Bitcoin (BTC) caindo para mínimas próximas de US$ 74 mil — seu menor nível desde a eleição de Donald Trump em 2024. A queda acumulada no mês já ultrapassa 13% a 18%, eliminando mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado global.
Segundo dados de plataformas de análise, o Bitcoin recuava 4,31% para US$ 74.820 na terça-feira (3 de fevereiro), enquanto o Ethereum acompanhava a tendência negativa com queda de 5,65% para US$ 2.197,97. A volatilidade reflete um cenário de “medo extremo” no mercado cripto, com indicadores técnicos confirmando uma tendência de baixa dominante.
Liquidações em Cascata Impulsionam Queda
As liquidações de posições longas atingiram US$ 2,5 bilhões nos últimos dias, com mais de US$ 500 milhões liquidados apenas nas últimas 24 horas. Esse movimento sincroniza com estresse global nos mercados financeiros, incluindo vendas em ações e metais preciosos, levando o Bitcoin abaixo da média de mercado real (US$ 80.500) pela primeira vez em 30 meses.
Os analistas apontam que a alavancagem baixa em janeiro reduziu a probabilidade de liquidações em cascata, mas a tendência vendedora prevalece. O Bitcoin testou suportes críticos, com possibilidade de queda adicional até US$ 69 mil caso não mantenha o nível de US$ 74 mil.
ETFs de Bitcoin Captam US$ 561,9 Milhões: Sinal de Apetite Institucional
Em meio à turbulência, um sinal positivo emergiu: os ETFs de Bitcoin captaram US$ 561,9 milhões (R$ 2,9 bilhões) na segunda-feira (2 de fevereiro), encerrando uma sequência de resgates. Esse movimento sinaliza o retorno gradual do apetite institucional, apesar da queda do preço do BTC.
A entrada de capital institucional sugere que grandes investidores estão vendo os níveis atuais como atrativos para recomposição de portfólios. Analistas destacam que, embora os touros não tenham força para uma alta imediata, a redução de oferta líquida via ETFs pode fornecer suporte de preço nos próximos dias.
Contexto Econômico Global: Desalavancagem e Migração para Ativos Defensivos
A queda do Bitcoin não ocorre isoladamente. Mercados globais enfrentam uma fase de desalavancagem generalizada, com investidores migrando para ativos defensivos. O Bitcoin recuou 27,9% em 90 dias, em sintonia com a queda em tecnologia e financeiro nos Estados Unidos.
A postura rígida do Federal Reserve em manter juros elevados continua pressionando ativos de risco, evocando comparações com o “inverno cripto” de 2018 e 2022. Essa dinâmica global afeta não apenas Bitcoin e Ethereum, mas também altcoins como BNB, que caiu 2,28% para US$ 748,80.
Geopolítica e Regulação: A Bifurcação do Mercado Cripto em 2026
Estados Unidos: Liderança via Inovação e Controle do Dólar
Os Estados Unidos consolidaram sua posição como hub global de criptomoedas em 2025-2026, com a aprovação da Crypto Market Structure Act (CMSA) pelo Congresso em dezembro de 2025. A lei define stablecoins como “ativos regulados” pelo Federal Reserve e SEC, exigindo reservas 1:1 em dólares e auditorias mensais.
A administração Trump 2.0 acelerou a adoção de criptomoedas como ferramenta contra a desdolarização chinesa. Ordens executivas promovem mineração de Bitcoin nos EUA, aumentando o hashrate americano de 0% para 35% do total global, reduzindo a dependência da China. Sanções secundárias contra exchanges que lidem com yuan digital (e-CNY) foram impostas via OFAC em outubro de 2025.
China: Controle Estatal e Supressão de Concorrentes
A China mantém sua proibição total de criptomoedas privadas desde 2021, intensificada em 2026 com a Lei de Moeda Digital Soberana (DCMS), efetiva em janeiro. A lei expande o e-CNY (yuan digital) para 95% da população, com transações transfronteiriças via mBridge — parceria com Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e Tailândia.
Pequim criminaliza mineração e trading de Bitcoin e Ethereum, com penas de até 10 anos. O e-CNY processou US$ 2 trilhões em comércio com 60 países da Belt and Road Initiative em 2025, erodindo a dominância do SWIFT. Essa estratégia reflete o uso de criptomoedas como arma geopolítica para desafiar a hegemonia do dólar.
Europa: Equilíbrio Regulatório e Soberania Digital
A União Europeia implementou o MiCA 2.0 (Markets in Crypto-Assets, fase 2) em julho de 2025, totalmente em vigor em 2026. A regulação classifica ativos em categorias, exigindo licenças obrigatórias para provedores de serviços cripto via ESMA. Stablecoins euro-backed devem manter reservas no Banco Central Europeu, limitando a dominância do USDT e USDC.
A Europa busca autonomia contra EUA e China. O Digital Euro está em fase piloto em 2026, com meta de 20% das transações retail até 2030. A UE também proíbe proof-of-work energívoro pós-2027, favorecendo proof-of-stake, alinhado com objetivos de sustentabilidade.
Tensões Geopolíticas: A “Guerra do Dólar Digital”
A regulação de criptomoedas em 2026 reflete intensas tensões geopolíticas. Os EUA congelaram US$ 10 bilhões em wallets de e-CNY em 2025, escalando a “guerra do dólar digital” com a China. Disputas entre EUA e Europa sobre stablecoins transatlânticos (USDC vs. EURC) também emergem.
A cúpula do G20 em novembro de 2025 falhou em harmonizar regulações globais, elevando a fragmentação: 50 jurisdições agora possuem regras próprias. Esse cenário cria uma “bifurcação cripto”: EUA lideram o mercado livre, China o estatal, e Europa o regulado.
Adoção Institucional Avança Apesar da Volatilidade
Bancos Centrais Avançam com CBDCs
Apesar da queda de preços, a adoção institucional de blockchain continua acelerando. O Banco Central Europeu (BCE) concluiu testes piloto com blockchain para o euro digital em janeiro de 2026, envolvendo 12 bancos comerciais europeus. O sistema usa tecnologia Hyperledger Besu para transações cross-border 24/7, com adoção institucional projetada para 2027.
O Federal Reserve dos EUA testou FedNow com blockchain em parceria com JPMorgan e Visa em dezembro de 2025, alcançando 99,9% de eficiência em liquidações em tempo real. O Banco Central do Brasil concluiu a fase piloto do Drex em janeiro de 2026, com adoção obrigatória para transações acima de R$ 100 mil prevista para Q3 2026.
Instituições Financeiras Tradicionais Adotam Blockchain
A BlackRock expandiu sua presença no mercado cripto, lançando o BUIDL Fund tokenizado na Ethereum com US$ 500 milhões em ativos reais. Em janeiro de 2026, aprovou um ETF de Solana nos EUA, atraindo US$ 2 bilhões em inflows institucionais em uma semana.
O consórcio Onyx da JPMorgan processou US$ 1 trilhão em transações blockchain em 2025. A Goldman Sachs anunciou em fevereiro de 2026 integração de Polygon para tokenização de derivativos de commodities, reduzindo custos em 40%.
Tokenização de Ativos Reais (RWA) Ganha Momentum
A tokenização de ativos reais (RWA) emerge como um dos principais drivers de adoção institucional. Singapura e Hong Kong uniram forças no Project Guardian 2.0 em dezembro de 2025, com 20 bancos globais testando RWAs. O volume transacionado atingiu US$ 10 bilhões.
A Visa integrou USDC em blockchain para pagamentos B2B, com parceria de 5 mil merchants institucionais. A Microsoft implementou Azure Blockchain para supply chain da Maersk, tokenizando 1 milhão de contêineres por ano. O PayPal expandiu PYUSD para DeFi institucional, com integração ao Aave e US$ 300 milhões em TVL.
Perspectivas para os Próximos Meses
Analistas divergem sobre o futuro próximo do Bitcoin. Enquanto alguns veem a zona de US$ 74-78 mil como histórica para reversões, outros projetam quedas adicionais até US$ 69 mil. A sobrevenda atual pode gerar repiques curtos, mas a tendência de baixa dominante persiste.
A manutenção do Bitcoin acima de US$ 78 mil abriria consolidação até US$ 85 mil, enquanto a quebra desse nível sinalizaria pressão contínua. Os próximos dias serão críticos para determinar se o suporte institucional via ETFs consegue estabilizar o mercado.
No contexto geopolítico, a bifurcação cripto entre EUA, China e Europa deve intensificar-se. Investidores globais migram para “crypto compliant” (Solana e Ethereum sob MiCA/CMSA), enquanto a adoção institucional de blockchain continua robusta, desacoplada da volatilidade de preços.
Conclusão
O mercado de criptomoedas enfrenta um momento de inflexão em fevereiro de 2026. A queda do Bitcoin para mínimas de 30 meses reflete desalavancagem global e pressão de juros elevados, mas sinais de apetite institucional via ETFs sugerem que o piso pode estar próximo. A geopolítica continua moldando o futuro das criptomoedas, com EUA, China e Europa seguindo caminhos divergentes.
Enquanto isso, a adoção institucional de blockchain avança sem pausas, com bancos centrais, instituições financeiras tradicionais e empresas de grande porte integrando a tecnologia em suas operações. O mercado cripto em 2026 não é mais sobre especulação: é sobre infraestrutura financeira global em transformação.