Bitcoin Volta aos US$ 70 Mil Após Turbulência Extrema no Mercado
O mercado de criptomoedas vivencia um período de volatilidade extrema em fevereiro de 2026, com o Bitcoin recuperando aproximadamente 10% após sofrer uma das piores quedas dos últimos cinco anos. A maior criptomoeda do mundo oscilou entre US$ 63.400 e US$ 70 mil nas últimas 24 horas, refletindo a incerteza que domina os mercados globais.
Queda Recorde Evaporou Trilhões do Mercado
No início de fevereiro, o Bitcoin despencou para US$ 65 mil (aproximadamente R$ 342 mil), marcando o menor nível desde a posse de Donald Trump como presidente dos EUA. A queda acumulada no ano já atinge 20,7% em dólares, enquanto em reais o prejuízo chega a 22,47% apenas em fevereiro, configurando o quinto mês consecutivo de desvalorização.
Comparado ao pico histórico de US$ 126.186 registrado em outubro de 2025, a desvalorização acumula quase 45%, evaporando aproximadamente US$ 2 trilhões do mercado de criptomoedas global. Este cenário afeta não apenas investidores individuais, mas também fundos especializados em ativos digitais, que registram perdas de até 70% no ano.
Fundos de Criptoativos Sofrem Impacto Severo
Os fundos de investimento focados em moedas digitais enfrentam perdas significativas. Segundo dados de 4 de fevereiro, veículos como Safra Cripto Selection (-25,01%), Hashdex Bitcoin (-20,74%) e BB Mult Criptoativos Full (-21,01%) acumulam prejuízos substanciais. A correlação com quedas em ações de tecnologia e inteligência artificial amplifica a pressão sobre os ativos digitais.
Fatores Econômicos e Geopolíticos Explicam a Turbulência
Economistas apontam múltiplos fatores para a queda do Bitcoin. O economista Roberto Troster destaca a oferta crescente via algoritmo, demanda em baixa, saída de recursos para ativos alternativos como a bolsa brasileira (beneficiada por perspectivas de queda de juros) e incertezas relacionadas ao Federal Reserve dos EUA.
A política monetária emerge como fator crítico. Investidores liquidam posições aguardando ações de Kevin Warsch na presidência da Fed a partir de maio, com expectativas de juros altos para controlar a inflação. Este cenário impacta não apenas Bitcoin, mas também metais preciosos como ouro e prata, que enfrentam oscilações semelhantes.
Contexto Geopolítico Global Amplifica Incerteza
A turbulência no mercado cripto não ocorre isoladamente. O cenário geopolítico global em 2026 caracteriza-se por fragmentação crescente, com rivalidades entre Estados Unidos, China e Rússia instrumentalizando comércio, investimento e tecnologia. Esta dinâmica cria um ambiente de incerteza que afeta decisões de investimento em ativos de risco como criptomoedas.
América Latina enfrenta perspectivas de estancamento econômico, enquanto a Europa busca autonomia geoeconômica entre o tecnocapitalismo americano e o capitalismo de estado chinês. Neste contexto, investidores reduzem exposição a ativos voláteis, priorizando segurança.
Movimentações Notáveis: Trump e DeFi
Uma carteira ligada à World Liberty Financial (WLFI), associada ao presidente Donald Trump, vendeu 173 BTC na plataforma Aave em 5 de fevereiro para quitar US$ 11,75 milhões em dívida. O movimento elevou o health factor para 1,54, reduzindo riscos de liquidação. Esta ação reflete a pressão que até mesmo grandes detentores de Bitcoin enfrentam no mercado atual.
ETFs de Bitcoin Registram Saídas Recordes
Os ETFs de Bitcoin registraram saídas de US$ 272,02 milhões em 3 de fevereiro, com o FBTC da Fidelity liderando os saques com US$ 148,70 milhões. Este movimento indica que investidores institucionais também estão reduzindo exposição ao ativo, em meio a dados fracos de emprego nos EUA e revisões no setor de inteligência artificial.
Inovações em Web3 Continuam Apesar da Turbulência
Apesar da volatilidade, o ecossistema blockchain continua evoluindo. O token RNBW do Rainbow Wallet estreou na Coinbase e Binance Alpha, destacando a evolução de carteiras como portas de entrada para blockchain. A Coinbase confirmou a listagem do HYPE (Hyperliquid) para negociação à vista, impulsionando o ecossistema.
No Brasil, a B3 lançou o primeiro token RWA (Real World Assets) negociado em bolsa, inovando em tokenização de ativos reais. A Fundação Ethereum, por sua vez, iniciou defesas ativas contra ameaças quânticas, saindo da pesquisa teórica para desenvolvimento prático.
Perspectivas para Recuperação Permanecem Incertas
Analistas debatem se o Bitcoin conseguirá se recuperar após voltar aos US$ 70 mil. A recuperação de 7% nas últimas 24 horas representa o maior ganho diário desde março de 2023, sinalizando possível estabilização. Porém, a incerteza macroeconômica global e as expectativas de juros altos mantêm a volatilidade elevada.
O mercado permanece atento a desenvolvimentos na política monetária americana, dados de emprego e movimentações geopolíticas que possam influenciar decisões de investimento. A próxima semana será crucial para determinar se a recuperação atual representa um piso ou apenas um alívio temporário.
Conclusão: Mercado Aguarda Sinais de Estabilização
O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 reflete a complexidade do ambiente econômico e geopolítico global. Enquanto Bitcoin recupera-se parcialmente dos níveis mais baixos, a incerteza persiste. Investidores monitoram atentamente indicadores econômicos, decisões de política monetária e desenvolvimentos geopolíticos que possam sinalizar uma mudança de tendência.
A volatilidade atual oferece tanto riscos quanto oportunidades, mas a prudência permanece como melhor estratégia em um cenário marcado por incertezas múltiplas.