Bitcoin Cai para Mínimas de US$ 74,5 Mil Enquanto Tensões Globais Afetam Mercado
O mercado de criptomoedas iniciou fevereiro de 2026 sob pressão significativa, com Bitcoin (BTC) negociado em torno de US$ 77 mil a US$ 80 mil após atingir mínimas de US$ 74,5 mil durante o fim de semana. A queda representa uma correção de aproximadamente 35% desde o pico de US$ 125 mil registrado em outubro de 2025, impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos, geopolíticos e técnicos que redefinem o cenário para investidores globais.
Liquidações Massivas e Movimento de Baleias
A volatilidade recente foi intensificada por liquidações de US$ 2,5 bilhões em posições long durante o fim de semana, segundo dados de plataformas de análise on-chain. Simultaneamente, grandes investidores (conhecidos como “baleias”) venderam aproximadamente US$ 750 milhões em Bitcoin, sinalizando cautela entre os detentores institucionais.
Apesar da pressão, o suporte técnico em US$ 75 mil manteve-se firme, permitindo um rebote inicial. Analistas monitoram resistências em US$ 79.890, US$ 78.400–83.900 e US$ 84.140 como níveis críticos para determinar se o mercado consegue se estabilizar ou se enfrenta novas quedas.
Ethereum Oscila Enquanto Altcoins Atingem Mínimas Multimês
Ethereum (ETH) oscila entre US$ 2.400 e US$ 2.500, bem abaixo de suas máximas históricas, enquanto a rede continua evoluindo com hard forks recentes focados em escalabilidade e eficiência. As altcoins, por sua vez, atingiram mínimas de vários meses, com Bitcoin dominando 60% da capitalização total do mercado cripto, avaliada em US$ 1,8 trilhão.
Geopolitica e Economia Global: Os Verdadeiros Catalisadores
Diferentemente da percepção histórica de Bitcoin como “ouro digital” defensivo, a criptomoeda não funcionou como proteção durante períodos de incerteza geopolítica. Enquanto o ouro subiu em janeiro, Bitcoin caiu, indicando que investidores buscam proteção em ativos mais tradicionais e menos voláteis.
As tensões geopolíticas globais constituem o principal fator de risco para os mercados cripto em 2026:
- Tensões EUA-China: Disputas comerciais e tecnológicas continuam afetando a confiança nos mercados
- Conflitos Regionais: Situações na Ucrânia e Oriente Médio mantêm aversão ao risco elevada
- Aumento de Gastos de Defesa: Países aumentam investimentos militares, reduzindo liquidez para ativos especulativos
- Fragmentação Comercial: Regionalização da economia global limita crescimento e aumenta incerteza
Segundo a agência Moody’s, essas fraturas geopolíticas podem deteriorar as condições de crédito globais ao afetar a confiança econômica e restringir acesso a insumos estratégicos como semicondutores e minerais críticos.
Contexto Macroeconômico: Inflação em Queda, Mas Riscos Persistem
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a inflação mundial deverá descer para 3,8% em 2026, impulsionada por menor demanda e preços energéticos mais baixos. No entanto, a fragmentação comercial persiste, limitando o crescimento global e aumentando a aversão ao risco em ativos especulativos como criptomoedas.
A Moody’s alerta que uma recuperação dos rendimentos dos títulos soberanos poderá pressionar as posições fiscais e desacelerar a atividade econômica, refletindo-se em curvas de rendimento mais íngremes mesmo em países onde as taxas começaram a cair.
Compras Institucionais Aproveitam o Dip
Apesar da pressão, investidores institucionais continuam comprando a queda. A empresa de investimentos Strategy adquiriu 855 BTC por US$ 75 milhões (preço médio de US$ 87.974), totalizando 713.502 BTC em sua carteira. A estratégia de compras semanais mantém-se firme mesmo durante períodos de volatilidade.
No Brasil, o cenário é particularmente interessante: enquanto investidores globais retiraram US$ 1,7 bilhão de fundos de criptomoedas em uma semana, brasileiros investiram R$ 8,9 milhões (US$ 1,7 milhão) em fundos de Bitcoin, demonstrando confiança local no ativo apesar da volatilidade global.
Regulação nos EUA: Novo Rumo com Administração Trump
Sob a administração Trump 2.0, a SEC propôs regras mais claras para stablecoins e DeFi, exigindo registro para plataformas com mais de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão. Gary Gensler deixou o cargo em janeiro de 2026, sendo substituído por Paul Atkins, que foca em “inovação regulada”.
A aprovação de ETFs spot de Solana (SOL) e XRP em dezembro de 2025 sinalizou uma mudança de postura regulatória, impulsionando adoção institucional. No entanto, a SEC continua com ações contra exchanges, incluindo processo contra Coinbase por listagem de 50+ tokens não registrados, com audiência marcada para 15 de fevereiro de 2026.
Brasil Avança com Regulação e Inovação
O Banco Central do Brasil implementou o “Pix Cripto” em novembro de 2025, integrando stablecoins ao Pix para pagamentos instantâneos. A autorização para Nubank e Mercado Pago emitirem stablecoins lastreadas em real representa um marco importante para a adoção de criptomoedas no país.
Simultaneamente, a CVM intensificou a fiscalização, multando 15 exchanges em R$ 150 milhões por lavagem de dinheiro e falta de relato de transações acima de R$ 30 mil. O Congresso também aprovou tributação de 15% sobre ganhos cripto acima de R$ 35 mil mensais, com declaração obrigatória no Imposto de Renda.
Um acordo recente entre o Banco Central e a SEC (anunciado em 1º de fevereiro de 2026) visa compartilhamento de dados sobre fraudes transfronteiriças, reforçando a cooperação regulatória global.
Blockchain Além das Criptomoedas: Adoção Corporativa Acelerada
Enquanto o mercado de criptomoedas enfrenta volatilidade, a tecnologia blockchain consolidou-se como ferramenta madura para aplicações empresariais. Segundo o Gartner Hype Cycle 2025, 68% das empresas Fortune 500 estão usando ou testando soluções blockchain, comparado a 45% em 2023.
A adoção é particularmente forte em setores específicos:
- Financeiro (85%): Pagamentos cross-border e tokenização de ativos reais (RWA) em US$ 16 trilhões de valor
- Supply Chain (72%): Rastreabilidade com redução de 40% em fraudes
- Saúde (55%): Registros médicos imutáveis com conformidade regulatória
- Energia (48%): Trading peer-to-peer e créditos de carbono tokenizados
JPMorgan processa US$ 1 trilhão em transações diárias via sua blockchain Onyx, enquanto Walmart reduziu em 30% o tempo de recall de alimentos usando rastreamento blockchain.
Perspectivas para Recuperação: O Que Esperar
A recuperação do mercado cripto depende de vários fatores convergentes:
- Melhora na Liquidez Global: Redução de taxas de juros pelos bancos centrais
- Avanços Regulatórios: Clareza nas regras nos EUA e convergência global
- Retomada do Apetite por Risco: Redução de tensões geopolíticas
- Adoção Institucional: Continuação de investimentos em ETFs e soluções blockchain
Analistas apontam que fatores positivos para 2026 incluem uma agenda regulatória favorável nos EUA, PMI acima de 52 (sinalizando aquecimento econômico) e possíveis sinais de fundo em suportes técnicos pré-eleição.
Fear & Greed Index em Medo Extremo: Oportunidade ou Aviso?
O Fear & Greed Index está em 15 (medo extremo), historicamente indicativo de possíveis fundos de mercado. No entanto, compradores permanecem cautelosos, aguardando sinais mais claros de estabilização antes de aumentar exposição.
Analistas monitoram atentamente métricas on-chain para determinar se o suporte em US$ 75 mil se mantém ou se há risco de queda até US$ 63 mil–74 mil, conforme indicado por três métricas técnicas preocupantes.
Conclusão: Volatilidade Estrutural em 2026
O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 reflete uma realidade mais complexa: Bitcoin e altcoins não são imunes a ciclos econômicos globais e pressões geopolíticas. Enquanto a tecnologia blockchain continua evoluindo e sendo adotada por empresas Fortune 500, o preço das criptomoedas permanece vulnerável a fatores macroeconômicos e de sentimento de mercado.
Para investidores, o momento exige cautela e análise fundamentada. Para empresas, a oportunidade de adotar blockchain para eficiência operacional permanece robusta, independentemente da volatilidade de preços de criptomoedas.
A próxima semana será crítica para determinar se o mercado consegue se estabilizar acima de US$ 75 mil ou se enfrenta novas pressões de queda. Acompanhe as atualizações regulatórias, dados macroeconômicos e desenvolvimentos geopolíticos para entender melhor o cenário à frente.