Mercado de Criptomoedas em Turbulência: Bitcoin Recua Abaixo de US$ 90 Mil
O mercado de criptomoedas enfrenta um período de alta volatilidade nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, com o Bitcoin (BTC) travado abaixo da marca de US$ 90 mil. O preço atual do BTC está em US$ 89.269,46, refletindo pressões macroeconômicas e eventos geopolíticos que impactam diretamente os ativos digitais.
A volatilidade é impulsionada por dois fatores principais: a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) marcada para hoje, 28 de janeiro, e uma intensa tempestade de neve que afeta a mineração de Bitcoin nos Estados Unidos.
FOMC Pressiona Bitcoin com Histórico de Quedas
A reunião do FOMC é um evento crítico para o mercado cripto. Analistas apontam que em 7 de 8 reuniões realizadas em 2025, o Bitcoin registrou quedas, incluindo uma queda de 9% na última reunião. A expectativa de corte de juros em janeiro é baixa, com apenas 2,8% de probabilidade, levando especialistas como Ali Charts a recomendar cautela aos investidores.
O histórico demonstra que semanas de reuniões do FOMC estão tipicamente associadas a alta volatilidade e riscos de downside. Analistas indicam possível teste de suporte entre US$ 83 mil e US$ 86 mil caso o anúncio seja negativo para o mercado cripto.
Nevasca nos EUA Interrompe Mineração de Bitcoin
Uma intensa tempestade de neve pressiona as redes elétricas dos Estados Unidos, forçando mineradores de Bitcoin a reduzirem ou suspenderem operações, especialmente no Texas. A taxa de hash da Foundry caiu de 260 EH/s (24 de janeiro) para 124 EH/s no pico da crise, recuperando para aproximadamente 134 EH/s.
Essa redução na capacidade de mineração elevou temporariamente os intervalos de blocos de 10 para 11-12 minutos, impactando a eficiência da rede. Como os EUA concentram a maior parte da mineração global de Bitcoin, o evento reacendeu debates sobre a dependência energética da rede e a vulnerabilidade da infraestrutura cripto a eventos climáticos extremos.
SEC e CFTC Coordenam Regulação em Evento Conjunto
Em desenvolvimento positivo para o setor, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e a CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities) realizarão um evento público conjunto em 29 de janeiro de 2026 para discutir a harmonização da regulação de criptomoedas.
Esse passo alinha-se à administração Trump para posicionar os EUA como centro global de criptoativos, criando regras claras que definem ativos como commodities (sob supervisão da CFTC) e securities (sob supervisão da SEC). A coordenação entre as agências é vista como fundamental para criar um ambiente regulatório mais previsível.
Avanços Legislativos e Novos Produtos Financeiros
A Comissão de Agricultura do Senado adiou a votação de um projeto de lei sobre regulação de criptomoedas para 29 de janeiro de 2026, devido à nevasca e riscos de shutdown governamental. O texto avança com apoio bipartidário, embora enfrente resistência democrata.
Paralelamente, a BlackRock registrou na SEC o iShares Bitcoin Premium Income ETF, um novo produto que utiliza estratégia de opções para gerar renda extra aos investidores além da valorização à vista do Bitcoin. O lançamento reflete a crescente institucionalização do mercado cripto.
Ethereum Enfrenta Pressão com Risco de Queda para US$ 2 Mil
Enquanto o Bitcoin recebe atenção, o Ethereum (ETH) enfrenta uma tendência de queda mais preocupante. Estrategistas alertam que a segunda maior criptomoeda corre risco de cair para US$ 2 mil em meio ao aumento da volatilidade macroeconômica. 2026 marca o sexto ano de inatividade para o Ethereum, apesar de recordes em ouro, ações e Bitcoin.
Contexto Geopolítico e Econômico Global
A volatilidade do mercado cripto não ocorre em isolamento. A geopolítica global pressiona a economia com tensões comerciais EUA-China, conflitos regionais (Estreito de Ormuz, Mar Negro, Canal do Panamá) e incertezas tarifárias que reduzem o crescimento do comércio internacional.
A Moody’s alertou para seis riscos que podem pressionar o crédito global em 2026, incluindo tensões geopolíticas, incertezas no Federal Reserve e correções em ações de inteligência artificial. Esses fatores criam um ambiente de incerteza que beneficia ativos defensivos e voláteis como criptomoedas.
Para o Brasil, a economia global mais equilibrada beneficia emergentes e papéis de commodities, com perspectivas positivas para o Ibovespa. No entanto, tensões fiscais e geopolíticas aumentam incertezas, com projeções de déficit de US$ 64,2 bilhões (2,6% do PIB) em 2026.
Perspectivas de Curto Prazo para o Mercado Cripto
Analistas recomendam posições longas cautelosas após padrões de reversão confirmados por indicadores técnicos. O alvo imediato é a recuperação para US$ 90 mil, com suportes críticos em US$ 83 mil-86 mil.
Os fluxos de ETFs de Bitcoin registraram entradas positivas em 26 de janeiro, os primeiros fluxos em cinco dias, sugerindo possível apoio institucional para recuperação. No entanto, a volatilidade persiste influenciada pela macroeconomia global e decisões de política monetária.
Conclusão: Semana Crítica para Criptomoedas
A semana de 28-29 de janeiro de 2026 marca um ponto de inflexão para o mercado cripto. A reunião do FOMC, o evento regulatório SEC-CFTC e a recuperação da mineração após a nevasca criarão dinâmicas que definirão a direção do mercado nos próximos meses.
Investidores devem monitorar atentamente esses desenvolvimentos, mantendo cautela em relação à volatilidade esperada e aproveitando oportunidades em níveis de suporte bem definidos. A regulação mais clara, embora traga incertezas de curto prazo, pode fortalecer a confiança institucional no setor a longo prazo.