O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, indicou que a aguardada reforma do índice de alavancagem suplementar (SLR) dos bancos é iminente, uma mudança de política que pode impactar os mercados de Bitcoin. Ele afirmou em entrevistas que os reguladores estão “muito próximos de agir” sobre a regra e que o ajuste pode reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro em “dezenas de pontos base”.
Embora a proposta ainda precise ser aprovada pelo Federal Reserve, pelo Escritório do Controlador da Moeda e pelo FDIC, a direção é clara: isentar, ou parcialmente isentar, os títulos do Tesouro dos EUA do SLR permitirá que grandes bancos reutilizem a capacidade de seus balanços para novas compras de dívida governamental. O SLR, introduzido após a crise de 2008-2009, exige que até mesmo ativos sem risco, como os títulos do Tesouro, tenham um encargo de capital. O plano de Bessent aliviaria esse fardo para os títulos soberanos, um passo pelo qual a indústria tem feito lobby desde que a isenção temporária da pandemia expirou em março de 2021.
Comentadores de mercado, como Furkan Yildirim, destacam que os bancos dos EUA detêm coletivamente cerca de US$ 5 trilhões em títulos do Tesouro; eliminar o corte de capital de cinco por cento liberaria aproximadamente US$ 250 bilhões de capital de nível um. Isso é visto como uma injeção de liquidez sem que o Fed precise imprimir dinheiro, o que historicamente leva investidores a buscar ativos de maior risco. O mercado já está reagindo a essa expectativa, com os rendimentos de referência de dez anos caindo após as declarações de Bessent.
Nem todos estão convencidos de que a mudança na regra funcionará como pretendido. Críticos, como Peter Boockvar da Bleakley Advisory, observam que o apetite dos bancos por risco de duração não se recuperou totalmente desde as falências de bancos regionais em 2023. Se os negociantes não conseguirem absorver o suprimento adicional de títulos do Tesouro, o impacto esperado pode não se concretizar.