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Bitcoin recua para a faixa de US$ 68 mil com saída de ETFs e baixa liquidez; Brasil discute reserva em BTC e UE aperta regras em 2026

São Paulo, Mon, Feb 16, 2026 — O mercado de criptomoedas começou a semana em modo defensivo. O bitcoin (BTC) operava na faixa de US$ 66 mil a US$ 69 mil na manhã desta segunda-feira (16), com queda diária em torno de 2%, em um ambiente marcado por baixa liquidez, fluxo negativo em ETFs e cautela global com ativos de risco. O ethereum (ETH) também recuava, acompanhando o sentimento do mercado.

O que está por trás da queda do Bitcoin hoje

Relatos do mercado apontam que o BTC segue “travado” em uma zona de consolidação, com operações mais fracas no início da semana e liquidez reduzida — um cenário que tende a amplificar oscilações quando entram ordens maiores, especialmente via derivativos e produtos listados.

No radar, cresce o peso do investidor institucional: análises publicadas no Brasil destacaram que a correção recente se assemelha mais a um evento de liquidez ligado a ETFs do que a um pânico típico de varejo, com impacto direto na dinâmica de curto prazo do preço. Money Times e CriptoFácil reportaram que o bitcoin voltou a operar na casa dos US$ 68 mil sob esse pano de fundo.

ETFs no centro: por que os fluxos importam tanto neste ciclo

Desde a popularização dos ETFs à vista, o mercado passou a reagir de forma mais imediata ao vai-e-vem de entradas e saídas desses produtos, que funcionam como uma ponte direta entre o capital tradicional e o BTC. Em momentos de aversão ao risco, resgates em ETFs podem pressionar o preço no curto prazo e reduzir o “piso” de demanda.

Esse debate se intensificou após notícias de forte oscilação e volume em produtos ligados ao bitcoin, incluindo o ETF da BlackRock, em dias de volatilidade acentuada. Exame noticiou que o IBIT chegou a registrar recordes de negociação em uma sessão marcada por queda do BTC.

Geopolítica e macro: bitcoin volta a se comportar como “ativo de risco”

O pano de fundo macro segue sendo determinante. Em fases de incerteza e de busca por proteção, o capital global tende a migrar para ativos percebidos como porto seguro — e, neste momento, o BTC tem alternado entre a narrativa de “ouro digital” e a prática de ativo de risco correlacionado a ciclos de liquidez.

Um termômetro disso apareceu em cobertura de mercado que citou o bitcoin em torno de US$ 68,3 mil após oscilações no fim de semana, enquanto outros mercados (como câmbio e commodities) exibiam variação mais contida. Bloomberg Línea registrou esse quadro de estabilidade relativa do dólar com BTC lateralizado.

Brasil no centro do debate: projeto de “reserva estratégica” em Bitcoin avança

No Brasil, a discussão ganhou um componente político-institucional que chamou a atenção do mercado: um projeto de lei que propõe a criação de uma Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins segue em tramitação na Câmara. O texto trata da possibilidade de aquisição de BTC pelo governo ao longo do tempo, o que, se avançar, colocaria o país em um debate global sobre criptoativos como instrumento de diversificação de reservas e política econômica.

A ficha de tramitação do projeto pode ser consultada no portal oficial da Câmara (PL 4501/2024). A cobertura do tema no noticiário cripto brasileiro aponta estimativas e metas associadas ao texto, incluindo valores em reais e horizonte plurianual. Portal do Bitcoin detalhou o avanço e os números citados na proposta.

Por que isso importa: em um ambiente de juros globais ainda restritivos e disputa por fluxo de capital, qualquer sinal de institucionalização — seja via ETFs nos EUA, seja via debates soberanos — pode alterar a percepção de risco e o perfil de demanda no médio prazo. Ainda assim, o tema é politicamente sensível e depende de viabilidade fiscal, governança e critérios de custódia.

Europa endurece: DAC8 já começou e MiCA entra na fase decisiva em 2026

Na União Europeia, 2026 marca uma virada regulatória. A diretriz DAC8, voltada ao reporte fiscal de operações com criptoativos, começou a valer em 1º de janeiro de 2026, exigindo que provedores de serviços cripto organizem dados e se preparem para o compartilhamento com autoridades tributárias em prazos definidos. A CoinDesk reportou o início do regime e os prazos de conformidade.

Já o MiCA (Markets in Crypto-assets), marco regulatório europeu para emissores e prestadores de serviços, entra em fase de aplicação mais ampla ao longo de 2026, consolidando requisitos de licença, governança e transparência. A leitura geral do mercado é que regras mais claras podem reduzir incerteza no longo prazo, mas elevam custos de conformidade e devem acelerar a consolidação do setor — especialmente para exchanges e emissores de stablecoins.

Outro vetor de pressão: semana de desbloqueios de tokens e oferta extra

Além de macro e regulação, o mercado monitora eventos de desbloqueio de tokens (token unlocks), que aumentam a oferta circulante e podem gerar pressão vendedora em determinados ativos. Relatórios de mercado apontaram desbloqueios somando mais de US$ 321 milhões na janela de sete dias, com eventos relevantes em projetos específicos. Phemex compilou os dados e alertou para potencial aumento de volatilidade.

O que acompanhar nas próximas horas

  • Faixas técnicas do BTC: o mercado acompanha a defesa de suportes na casa de US$ 66 mil–US$ 68 mil e a dificuldade de recuperação consistente acima de US$ 70 mil.
  • Fluxos de ETFs: entradas e saídas seguem como principal termômetro de apetite institucional.
  • Agenda regulatória: avanço de marcos como DAC8/MiCA na Europa e debates nacionais (como o PL de reserva em BTC no Brasil) podem influenciar narrativa e risco regulatório.
  • Liquidez e volatilidade: início de semana com liquidez menor tende a amplificar movimentos, sobretudo se houver notícias macro relevantes.

Nota ao leitor: esta reportagem tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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