Bitcoin e Ethereum Sofrem Pressão com Decisão do Federal Reserve
O mercado de criptomoedas registrou queda significativa nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, com Bitcoin (BTC) negociado em torno de US$ 87 mil (-2,47% em 24h) e Ethereum (ETH) em aproximadamente US$ 2.928 (-3,55% em 24h). A pressão sobre os preços reflete a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas entre 3,50% e 3,75%, sem sinais de cortes iminentes.
A maior criptomoeda do mundo perdeu o suporte psicológico de US$ 88 mil, operando lateralizado entre US$ 85 mil e US$ 95 mil. O Índice de Força Relativa (RSI) em 42 pontos indica momentum vendedor, com Bitcoin negociado abaixo das principais médias móveis exponenciais.
Decisão do Fed e Impacto nos Mercados
Na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) realizada em 28 de janeiro, o Federal Reserve manteve sua postura cautelosa. O presidente Jerome Powell destacou que a inflação permanece elevada e o mercado de trabalho está estabilizado, justificando a manutenção das taxas.
O índice de Medo e Ganância do mercado cripto caiu para 26 pontos, indicando zona de “medo extremo”. Apesar da pressão de curto prazo, analistas apontam que juros estáveis são positivos para ativos de risco como criptomoedas no longo prazo, reforçando o Bitcoin como hedge contra pressões monetárias futuras.
Desempenho das Principais Criptomoedas
Além de Bitcoin e Ethereum, outras criptomoedas também registraram quedas nas últimas 24 horas: BNB (-1,34%), XRP (-3,37%), Dogecoin (-4,53%), Cardano (-4,62%) e Tether (-0,03%).
Regulação no Brasil Entra em Vigor em Fevereiro
Em contexto positivo para o setor cripto brasileiro, o Banco Central do Brasil (BC) publicou novas instruções normativas que definem regras específicas para instituições financeiras atuarem no mercado de criptomoedas. As normas entram em vigor pleno a partir de 2 de fevereiro de 2026.
As principais exigências incluem: autorização prévia do BC, governança robusta, segurança de custódia com cold wallets e múltiplas assinaturas, e transparência nas comunicações com clientes.
O mercado espera que a regulação clara aumente a segurança jurídica e acelere a entrada de bancos tradicionais no setor cripto brasileiro.
Direito de Autocustódia em Tramitação
O Projeto de Lei 311/25 segue em tramitação no Congresso Nacional, assegurando ao cidadão o direito de autocustódia de criptomoedas. A aprovação dessa lei representaria um avanço significativo para o ecossistema cripto brasileiro, alinhando-se a padrões globais como a regulação MiCA da Europa.
Perspectivas Geopolíticas e Econômicas
O mercado de criptomoedas continua sensível a fatores geopolíticos globais. O Fórum Econômico Mundial identificou conflitos internacionais como o maior risco para 2026-2028. No entanto, a semana de 19 a 23 de janeiro apresentou sinais de maior estabilidade, com avanços diplomáticos entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.
A desvalorização do dólar também beneficia ativos cripto. O índice do dólar (DXY) recuou para 97,04 pontos em 26 de janeiro, uma queda de 2,12% apenas em janeiro.
Perspectivas para o Primeiro Trimestre de 2026
Analistas divergem sobre cenários futuros para o Bitcoin. Arthur Hayes prevê Bitcoin chegando a US$ 500 mil com futuro afrouxamento monetário, enquanto outros veem consolidação como proteção contra inflação.
O consenso aponta para persistência da volatilidade no primeiro trimestre, com decisões do Federal Reserve, desenvolvimentos geopolíticos e dados econômicos como principais catalisadores. As expectativas de inflação para 2026 permanecem acima da meta, situando-se em 4,0%.
O Federal Reserve provavelmente manterá sua abordagem orientada por dados até maio de 2026. Essa postura oferece tanto riscos quanto oportunidades para o mercado cripto, que continua buscando seu equilíbrio entre volatilidade de curto prazo e perspectivas de longo prazo.
Conclusão
O mercado de criptomoedas enfrenta um momento de transição, com pressões de curto prazo vindas de decisões de política monetária, mas com perspectivas construtivas para o longo prazo. A regulação clara no Brasil e em outras jurisdições, combinada com a expectativa de flexibilização monetária futura, sugere que o setor cripto está amadurecendo e se integrando ao sistema financeiro tradicional.