Mercado Cripto Enfrenta Volatilidade em Meio a Pressões Macroeconômicas e Avanços Regulatórios
O mercado de criptomoedas registrou movimentos significativos nesta sexta-feira, 24 de janeiro de 2026, com o Bitcoin recuperando-se para aproximadamente US$ 89.500 após queda recente, enquanto o Ethereum caiu abaixo de US$ 2.900, negociando em torno de US$ 2.898 com perda de 2,46%. Os movimentos refletem um cenário complexo marcado por pressões macroeconômicas globais e avanços importantes na regulação de ativos digitais nos Estados Unidos.
Bitcoin Busca Estabilidade Acima de US$ 89 Mil
O Bitcoin operava em US$ 89.558 nas primeiras horas do dia, apresentando uma tendência de alta modesta após tocar a marca de US$ 90.000 e recuar. A máxima do ano foi registrada em meados de janeiro, quando a criptomoeda atingiu US$ 97.900, mas desde então enfrenta dificuldades para manter esse nível.
Analistas de mercado apontam que os mercados de previsão indicam uma baixa chance de 6-7% de o Bitcoin atingir US$ 100.000 antes de 31 de janeiro. No entanto, há uma probabilidade de 65% de que a criptomoeda ultrapasse essa marca até junho de 2026, sugerindo que o otimismo de longo prazo permanece, apesar das pressões de curto prazo.
A Glassnode, empresa de análise de blockchain, alertou que o recente rally a US$ 97.600 gerou atividade de opções de curto prazo, mas sem convicção de longo prazo. Isso indica que os investidores institucionais ainda estão cautelosos em relação aos próximos movimentos do mercado.
Ethereum em Encruzilhada Técnica
O Ethereum enfrenta uma situação mais delicada, consolidando-se em uma área estreita após meses de volatilidade. A segunda maior criptomoeda por capitalização de mercado falhou em manter-se acima de médias móveis chave, sugerindo uma compressão que pode preceder um movimento decisivo para cima ou para baixo.
A queda de 2,46% em 24 horas reflete a aversão ao risco que domina os mercados globais, com investidores buscando segurança em ativos menos voláteis.
Liquidações Massivas Afetam Traders
O mercado cripto registrou liquidações globais de US$ 149 milhões em apenas uma hora, com posições vendidas (shorts) sofrendo mais intensamente, totalizando US$ 146 milhões. Ao longo de 24 horas, as liquidações chegaram a US$ 30,3 milhões, afetando 105.156 traders em todo o mundo.
A maior liquidação individual foi registrada em ETH-USD na plataforma Hyperliquid, atingindo US$ 3,038 milhões. Esses números ilustram a volatilidade extrema que caracteriza o mercado de derivativos de criptomoedas.
SEC e CFTC Avançam em Harmonização Regulatória
Em desenvolvimento crucial para o setor, a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) dos Estados Unidos anunciaram um evento conjunto marcado para 27 de janeiro de 2026. O encontro discutirá o alinhamento de supervisão, critérios de capital, padrões de dados e tratamento de criptoativos.
O objetivo principal é reduzir sobreposições regulatórias, eliminar zonas cinzentas para exchanges registradas e posicionar os Estados Unidos como “capital mundial das criptomoedas”, alinhado à agenda do presidente Donald Trump.
Legislação no Senado Avança com Impasses
O Comitê de Agricultura do Senado apresentou emendas a um projeto de lei sobre estrutura de mercado de criptoativos, com votação prevista para 27 de janeiro. O texto distingue claramente entre commodities digitais (sob supervisão da CFTC, como Bitcoin spot) e seguranças (sob SEC).
A legislação busca fortalecer a CFTC para mercados à vista, preencher lacunas federais contra fragmentação estadual e abordar proteção ao consumidor e conformidade com regulações anti-lavagem de dinheiro (AML). No entanto, há impasse com democratas, sem acordo final até o momento.
Saídas de ETFs Refletem Aversão ao Risco
Os fundos de investimento em Bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 1,62 bilhão (aproximadamente R$ 8,57 bilhões) ao longo de quatro pregões, representando um dos maiores e mais prolongados períodos de resgates desde 2024. Essa tendência reflete a aversão ao risco que domina os mercados globais.
A volatilidade é impulsionada por múltiplos fatores: queda do S&P 500, fraqueza do iene japonês, disputas comerciais entre EUA e Europa, e possíveis intervenções do Banco do Japão. Bitcoin, frequentemente promovido como “ouro digital”, não conseguiu manter seu papel de ativo refúgio em ciclos de aversão ao risco.
Contexto Geopolítico Amplifica Incerteza
A geopolítica tornou-se a maior preocupação dos agentes econômicos globais, ultrapassando considerações puramente econômicas. O Relatório de Risco Global do Fórum Econômico Mundial confirmou uma instabilidade acentuada, com a geopolítica ditando o ritmo da economia global.
As ameaças de tarifas do presidente Trump contra países europeus pela recusa em permitir a aquisição da Gronelândia pelos EUA ilustram como questões geopolíticas afetam diretamente os mercados financeiros. A fragmentação comercial, aumento de sanções econômicas e competição tecnológica estão reduzindo a velocidade das inovações e elevando a inflação.
Perspectivas para 2026
Apesar dos desafios de curto prazo, analistas mantêm otimismo de longo prazo. CZ, CEO da Binance, prevê altas significativas em um horizonte de 5-10 anos. A estabilização do mercado pode ocorrer com decisões do Federal Reserve (Fed), especialmente após o fim do mandato de Jerome Powell em maio de 2026.
Os ETFs de criptomoedas estão se adaptando à volatilidade com produtos mistos que combinam exposição a criptomoedas com stablecoins, oferecendo maior flexibilidade aos investidores.
Conclusão
O mercado de criptomoedas em janeiro de 2026 reflete a complexidade da economia global atual, onde fatores técnicos, macroeconômicos e geopolíticos se entrelaçam. Enquanto Bitcoin busca estabilidade acima de US$ 89 mil e reguladores americanos avançam em harmonização de regras, investidores enfrentam um cenário de incerteza que exige cautela e análise fundamentada.
Os avanços regulatórios anunciados pela SEC e CFTC representam um passo importante para a maturação do mercado cripto, potencialmente atraindo mais investidores institucionais. No entanto, as pressões macroeconômicas e geopolíticas continuarão a influenciar os preços no curto prazo.