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Bitcoin Recua para US$ 95 Mil Enquanto Regulação nos EUA Ameaça Aprovação do Clarity Act

Mercado de Criptomoedas Enfrenta Volatilidade em Meio a Incertezas Regulatórias

O Bitcoin retornou à faixa de US$ 95 mil nesta sexta-feira (16 de janeiro), após um rali na véspera que levou seu preço a superar US$ 97 mil. A maior criptomoeda do mundo registra queda de 1,1% nas últimas 24 horas, operando a US$ 95.613, enquanto o Ethereum negocia a US$ 3.308, também em baixa de 1,1%.

Apesar da queda diária, o Bitcoin caminha para fechar a semana em alta de mais de 5%, refletindo um desempenho positivo no acumulado de janeiro. A volatilidade atual é impulsionada por preocupações macroeconômicas, incluindo interferências políticas no Federal Reserve e yields dos Treasuries acima de 4,3%, sinalizando pressões inflacionárias.

Análise Técnica: Suportes e Resistências em Foco

Analistas técnicos apontam que o Bitcoin está consolidando próximo a suas médias móveis, com resistência importante em US$ 97.925. Se mantiver o suporte em US$ 94 mil, a criptomoeda pode retomar movimento de alta em direção aos US$ 100 mil, um nível psicológico importante para o mercado.

Por outro lado, a perda do suporte em US$ 86.420 poderia levar a uma queda mais acentuada para US$ 80.734. Os indicadores técnicos permanecem altistas, com demanda institucional via ETFs de Bitcoin continuando forte, apesar da volatilidade de curto prazo.

Regulação nos EUA: Clarity Act em Risco de Não Aprovação

O cenário regulatório nos Estados Unidos tornou-se mais complexo após a Coinbase retirar seu apoio ao Clarity Act, o principal projeto de lei que busca estabelecer uma estrutura clara para o mercado de criptomoedas americano. A decisão da maior exchange de criptomoedas dos EUA marca um ponto de inflexão nas negociações legislativas.

O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, identificou quatro pontos críticos que levaram à retirada de apoio: proibições “de fato” em ações tokenizadas, acesso governamental ilimitado a dados de DeFi, restrições a stablecoins e erosão da autoridade da CFTC (Commodity Futures Trading Commission).

A votação no Comitê de Agricultura do Senado está prevista para 27 de janeiro, mas pode ser adiada pelo Comitê Bancário. Tensões políticas e lobby bancário complicam a aprovação, embora a indústria de criptomoedas tenha mobilizado uma “caixa de guerra” de US$ 100 milhões para influenciar o processo legislativo.

Contexto Geopolítico: Blockchain como Ferramenta de Evasão de Sanções

Enquanto o mercado de criptomoedas legítimas enfrenta incertezas regulatórias, o uso ilícito de blockchain intensifica-se globalmente. Segundo o relatório Chainalysis 2026 Crypto Crime Report, transações ilícitas com criptomoedas somaram US$ 145,9 bilhões em 2025, um aumento significativo impulsionado principalmente pela evasão de sanções internacionais.

Países sob sanções, como Venezuela e Irã, utilizam criptomoedas para contornar restrições financeiras impostas pelos EUA e aliados. Essa tendência reflete a evolução das criptomoedas de ferramentas de hackers e golpistas para instrumentos sofisticados em disputas geopolíticas internacionais.

As tensões EUA-China agravam esse cenário. Restrições à NVIDIA para vendas de chips de IA à China, combinadas à doutrina “Donro” de Trump (domínio no Hemisfério Ocidental), pressionam Venezuela e Irã, potencialmente irritando Pequim e escalando riscos em Taiwan.

Desdolarização e Fragmentação Financeira Global

Em paralelo, países ao redor do mundo abandonam o dólar americano em 2026, sinalizando uma mudança estrutural no sistema financeiro global. Blockchain e criptomoedas facilitam essas transações alternativas, reduzindo a dependência da moeda americana.

Esse movimento coincide com uma rotação de capitais dos mercados americanos para setores cíclicos e Ásia, pressionando índices como S&P 500 e Nasdaq. O mercado precifica a retomada do afrouxamento monetário do Federal Reserve apenas para junho, deixando os próximos meses em um ambiente de incerteza.

Adoção Institucional Continua Avançando

Apesar das incertezas, a adoção institucional de criptomoedas prossegue. O Grupo KBC (Bélgica) anunciou o lançamento de negociação de Bitcoin e Ethereum, enquanto o Banco do Bahrein e Kuwait integrou serviços cripto da Binance, marcando a primeira instituição financeira no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) a oferecer esses serviços.

Além disso, a iShares Digital Assets AG emitiu 880 mil títulos de ETP (Exchange Traded Product) de Bitcoin, com preço de US$ 9,66 cada, admitidos para negociação no Mercado Principal da Bolsa de Valores de Londres em 16 de janeiro de 2026.

Perspectivas para 2026

O ano de 2026 apresenta-se como um ponto de inflexão para o mercado de criptomoedas. A aprovação ou rejeição do Clarity Act nos EUA será um catalisador crucial para a direção do mercado. Simultaneamente, a profissionalização do uso ilícito de criptomoedas, a desdolarização global e a adoção institucional contínua moldarão o cenário regulatório e de preços.

Analistas apontam que as forças políticas desempenharão um papel fundamental na definição do cenário do Bitcoin em 2026, atuando em conjunto com padrões técnicos sustentados. A volatilidade deve persistir, mas os indicadores fundamentais sugerem que o mercado de criptomoedas continua em uma trajetória de longo prazo de crescimento e institucionalização.

Conclusão

O Bitcoin e o mercado de criptomoedas enfrentam um período crítico de transição. Enquanto a volatilidade de curto prazo pressiona os preços, fatores estruturais como adoção institucional, desdolarização global e evolução regulatória continuam a moldar o futuro do setor. Investidores e observadores do mercado devem acompanhar de perto os desenvolvimentos legislativos nos EUA e as dinâmicas geopolíticas que influenciam o uso de blockchain em escala global.

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