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Bitcoin Recupera US$ 90 Mil Após Alívio Geopolítico; Ethereum Enfrenta Pressão Enquanto Regulação Avança no Brasil

Mercado Cripto Reage Positivamente ao Recuo de Tensões EUA-UE

O mercado de criptomoedas registrou recuperação significativa nesta quarta-feira (22 de janeiro) após o presidente Donald Trump recuar em suas ameaças de tarifas de 10% contra oito países da União Europeia. O Bitcoin, que havia caído abaixo do suporte crítico de US$ 87.250 nas últimas 48 horas, recuperou-se para negociar próximo a US$ 89.832, mirando o nível psicológico de US$ 90 mil.

A capitalização total do mercado de criptomoedas recuperou-se para US$ 3 trilhões, revertendo perdas de até US$ 150 bilhões registradas durante o pico das tensões geopolíticas. O movimento reflete a sensibilidade crescente dos ativos digitais a fatores macroeconômicos e geopolíticos, consolidando o Bitcoin como ativo correlacionado a mercados de risco tradicionais.

Bitcoin Mostra Resiliência Relativa Enquanto Altcoins Sofrem

Apesar da volatilidade, o Bitcoin demonstrou resiliência relativa frente às altcoins, reforçando seu domínio no ciclo atual. Analistas apontam que métricas on-chain sugerem que holders de longo prazo não estão distribuindo agressivamente, com o supply em exchanges mantendo tendência de queda e o hash rate próximo a máximas históricas, sinalizando confiança dos mineradores.

Os fluxos de entrada em ETPs (Exchange Traded Products) de Bitcoin foram de US$ 440 milhões nos últimos 30 dias, comparado com saídas de US$ 1,3 bilhão no período anterior. Nos últimos 30 dias, o Bitcoin teve desempenho forte com retorno de +12%, enquanto a volatilidade caiu significativamente em 29%.

Analistas técnicos indicam que uma movimentação decisiva acima da resistência de US$ 90 mil poderia impulsionar o BTC em direção a US$ 91.298 e posteriormente a US$ 93.471. No entanto, o risco de queda persiste caso a tendência de alta falhe, podendo levar o Bitcoin de volta abaixo do suporte de US$ 89.241.

Ethereum Enfrenta Pressão Crítica Abaixo de US$ 3 Mil

O Ethereum, por sua vez, enfrenta pressão significativa após cair abaixo do suporte crítico de US$ 3.000, afetando a estabilidade do mercado. O ativo está sendo negociado aproximadamente 40% abaixo de seu recorde histórico de agosto, refletindo a fraqueza relativa das altcoins em relação ao Bitcoin.

Apesar do fraco desempenho de preço, a BlackRock mantém-se otimista sobre Ethereum em 2026, destacando que a rede domina 66% da participação de mercado em tokenização de ativos do mundo real. Instituições como JPMorgan e Morgan Stanley continuam fazendo grandes apostas em Ethereum, com o ETF iShares Ethereum Trust da BlackRock atingindo US$ 11 bilhões em ativos sob gestão.

ETFs de Bitcoin e Ether registraram cerca de US$ 1 bilhão em saídas conforme a volatilidade macro estimulou redução de risco entre investidores institucionais.

Geopolitica e Economia Global Moldam Dinâmica do Mercado

O cenário geopolítico atual, caracterizado por “Real Politics” onde interesses nacionais se sobrepõem a considerações multilaterais, está alterando fundamentalmente as dinâmicas de investimento. As negociações sobre a Groenlândia e as ameaças tarifárias do presidente Trump levaram investidores a reduzir exposição a ativos de risco, incluindo criptomoedas.

O índice de medo e ganância das criptomoedas caiu para 24, indicando “medo extremo” nos mercados. Capital de risco está migrando para refúgios tradicionais como ouro, que ultrapassou US$ 4.700 por onça, enquanto o Bitcoin comporta-se atualmente mais como ativo de risco tradicional, com sua correlação com ações aumentando e com ouro diminuindo.

Segundo análise da XP Investimentos, essa mudança contrasta com a histórica função de hedge do Bitcoin, tornando-o uma “incógnita” em cenários de aversão ao risco. A palavra de ordem para investidores é adotar estratégias balanceadas sem reações emocionais às volatilidades de curto prazo.

Política Monetária do Fed Mantém Juros Estáveis

O Federal Reserve deverá manter as taxas de juros no nível atual com probabilidade de 95%, já que a inflação subjacente permanece entre 2,8% e 2,9% ao ano, acima da meta de 2% da instituição. Essa “consolidação em alto nível” da inflação eliminou o medo de um aperto monetário inesperado e reforçou as apostas de que o Fed manterá os juros estáveis no encontro de 28 e 29 de janeiro.

Porém, analistas preveem uma possível reavaliação das expectativas de cortes nas taxas para 2026. Se Kevin Warsh assumir a presidência da Fed (atualmente com mais de 60% de probabilidade), ele tenderá a uma abordagem “dependente de dados” em vez de “impulsionada politicamente”, o que poderia levar a menos disposição para cortar taxas caso a inflação permaneça teimosa.

Um ambiente prolongado de altas taxas de juros limitará as melhorias de liquidez no curto prazo e manterá a correlação do Bitcoin com ativos de risco. No entanto, se a inflação permanecer persistente e as taxas reais atingirem o pico, os ativos cripto podem recuperar apelo como proteção contra a incerteza da política monetária.

Brasil Entra no Top 5 Global de Uso de Stablecoins com Regulação em Fevereiro

O Brasil está consolidando sua posição como um dos principais mercados de criptomoedas do mundo. O governo, por meio do Banco Central, publicou resoluções que regulamentam criptomoedas e entram em vigor em fevereiro de 2026, consolidando o papel das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV) para intermediação, custódia e negociação.

O avanço da adoção de stablecoins posicionou o Brasil no top 5 global de uso, com salto de 125% liderado pelo varejo e 99% de atividade lícita. Nos primeiros 21 dias de 2026, investidores brasileiros já movimentaram R$ 5,7 bilhões em USDT e USDC, as duas principais criptomoedas atreladas ao dólar.

O marco regulatório marca 2026 como o ano da regulação no Brasil, acompanhando a maturidade do mercado com menor volatilidade, entrada de fundos institucionais e integração a carteiras conservadoras, sob supervisão do Banco Central. As SPSAV serão responsáveis por trazer conformidade e eficiência, alinhando o setor à economia tradicional e derrubando mitos sobre criminalidade.

Plataformas devem priorizar segurança, transparência e adesão a essas regras para os cerca de 25 milhões de investidores brasileiros em criptomoedas. O Brasil segue tendências globais como MiCA na Europa e debates nos EUA sobre legislação bipartidária para criptoativos.

Perspectivas Otimistas para Primeira Metade de 2026

Apesar da turbulência atual, há otimismo de longo prazo entre analistas institucionais. A Grayscale projeta que o Bitcoin atingirá novo recorde histórico na primeira metade de 2026, impulsionado por demanda macroeconômica, clareza regulatória nos EUA e aprovação esperada de legislação bipartidária sobre cripto.

Tom Lee, co-fundador da Fundstrat, espera que as condições melhorem uma vez que o Federal Reserve mude para uma postura mais dovish e termine o aperto quantitativo, permitindo que os mercados se recuperem fortemente até o final de 2026. Mesmo com volatilidade no curto prazo, Lee continua confiante que o Bitcoin alcançará um novo recorde histórico durante o ano.

A BlackRock também identificou criptomoedas e tokenização como “temas que impulsionarão os mercados” em 2026, reforçando a presença de Bitcoin, Ethereum e stablecoins como ativos que passaram a ser vistos como parte de transformações estruturais na economia global.

Conclusão: Volatilidade Esperada, Mas Fundamentos Permanecem Sólidos

O mercado de criptomoedas em janeiro de 2026 reflete a complexidade do cenário geopolítico e macroeconômico global. Enquanto tensões geopolíticas e incerteza sobre política monetária continuam gerando volatilidade de curto prazo, os fundamentos de longo prazo permanecem sólidos, com adoção institucional crescente, regulação progressiva e reconhecimento de criptomoedas como classe de ativos legítima.

Investidores devem manter cautela, adotar estratégias balanceadas e focar em horizontes de longo prazo, evitando reações emocionais às flutuações de curto prazo. A recuperação do Bitcoin para próximo de US$ 90 mil e o avanço da regulação no Brasil sinalizam que, apesar dos desafios imediatos, o mercado cripto continua em trajetória de maturação e institucionalização.

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