O mercado de criptomoedas iniciou o dia 14 de janeiro de 2026 em um movimento de recuperação resiliente, após uma semana marcada por intensa volatilidade geopolítica. O Bitcoin (BTC), que chegou a cair abaixo da marca psicológica de US$ 90.000 devido a incertezas políticas em Washington e Caracas, voltou a ser negociado na faixa de US$ 92.300, consolidando-se entre US$ 91.000 e US$ 94.000.
Geopolítica e o “Efeito Caracas-Washington”
As reviravoltas políticas nas capitais dos Estados Unidos e da Venezuela foram os principais catalisadores da instabilidade recente. Em Washington, debates sobre novas tarifas comerciais e incertezas regulatórias geraram um clima de aversão ao risco que drenou cerca de US$ 50 bilhões do valor de mercado global de ativos digitais em poucos dias. Simultaneamente, eventos em Caracas adicionaram uma camada extra de complexidade, afetando a percepção de liquidez e estabilidade em mercados emergentes.
Apesar do susto, o mercado demonstrou força ao recuperar US$ 55,8 bilhões em capitalização total nas últimas 48 horas. Analistas apontam que a demanda institucional continua sendo o “chão” que impede quedas mais profundas, com empresas aproveitando as correções para aumentar suas posições.
Avanço Institucional: BitGo e BNY Mellon no Holofote
Enquanto o preço oscila, a infraestrutura do setor continua a se expandir. A BitGo anunciou planos para um IPO nos Estados Unidos, avaliado em aproximadamente US$ 201 milhões, sinalizando que a confiança no mercado de capitais tradicional para empresas cripto permanece alta. Além disso, o BNY Mellon, o maior banco custodiante do mundo, deu um passo histórico ao iniciar a tokenização de depósitos, integrando ainda mais as finanças tradicionais (TradFi) com a tecnologia blockchain.
Outro destaque relevante é a entrada do Standard Chartered no setor de corretagem de criptomoedas, reforçando a tendência de que 2026 será o ano da “institucionalização definitiva”.
Altcoins: Monero em Máxima Histórica e Ethereum no Radar
No campo das altcoins, a Monero (XMR) roubou a cena ao atingir uma nova máxima histórica de US$ 586, uma alta de 24%. O movimento reflete uma busca crescente por privacidade em um ambiente de vigilância regulatória mais rigorosa. Já o Ethereum (ETH) mantém-se firme acima de US$ 3.000, com investidores de olho nas atualizações “Fusaka” e no aumento da capacidade de blobs, que prometem escalar a rede e levar o preço em direção aos US$ 4.000.
O que esperar para o restante de janeiro?
O foco dos investidores agora se volta para a reunião do Federal Reserve (Fed) em 28 de janeiro. As decisões sobre as taxas de juros nos EUA serão cruciais para determinar se o Bitcoin terá fôlego para romper a resistência de US$ 94.000 e buscar novas máximas. Por enquanto, o sentimento é de otimismo cauteloso, equilibrando o progresso tecnológico e institucional com os riscos macroeconômicos persistentes.
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. O mercado de criptomoedas é altamente volátil.