São Paulo, Thursday, February 5, 2026 — O mercado de criptomoedas entrou em mais uma rodada de realização forte nesta quinta-feira (5), com o bitcoin (BTC) testando a região de US$ 70 mil e o ether (ETH) encostando no patamar de US$ 2 mil, em um movimento que reforça a leitura de “risk-off” (aversão ao risco) no início de fevereiro.
O que aconteceu com o preço do bitcoin e do ethereum
Relatos de mercado apontam uma terceira sessão consecutiva de queda no complexo cripto, com o BTC pressionando suportes e as principais altcoins ampliando perdas. O movimento ocorre após um período de volatilidade elevada e liquidações em cascata em derivativos, típico de fases em que o mercado tenta “encontrar fundo”.
Na mesma janela, o ethereum recuou para a faixa de US$ 2.0xx, enquanto ativos como XRP e Solana também registraram quedas mais acentuadas, segundo compilações de mercado e comentários de analistas.
Leituras técnicas também passaram a ser citadas com frequência: alguns analistas destacam indicadores como RSI em níveis deprimidos, sinalizando enfraquecimento do momentum no curto prazo.
Fontes: Finance Magnates; XTB; BeInCrypto Brasil.
O pano de fundo macro: por que cripto volta a se comportar como ativo de risco
Parte do estresse recente tem sido associada a incertezas macro e geopolíticas — em especial quando o mercado passa a precificar cenários de crescimento mais fraco, ruído político, além de mudanças em expectativas de juros e fluxo global para ativos de risco.
Um relatório citado por veículos financeiros destaca que o BTC vem demonstrando sensibilidade a riscos geopolíticos e à dinâmica de fluxos institucionais, incluindo a percepção sobre entradas e saídas em produtos negociados em bolsa.
Fonte: Investing.com (citação a análises do Citi).
Novo ETF “basket” nos EUA: ProShares lança o KRYP atrelado ao CoinDesk 20
Enquanto preços recuam, o noticiário institucional continua avançando. A ProShares anunciou o lançamento do ProShares CoinDesk 20 Crypto ETF (KRYP), descrito como o primeiro ETF nos EUA com exposição ao índice CoinDesk 20 — um “cesto” que busca acompanhar as 20 criptomoedas mais relevantes e líquidas do mercado (de acordo com a metodologia do índice).
A estreia é relevante por dois motivos:
- Amplia o cardápio de produtos para investidores tradicionais, além de estratégias focadas apenas em BTC/ETH.
- Chega em um momento de volatilidade elevada, em que produtos “diversificados” podem ganhar apelo — mas também ficam sujeitos ao mesmo ciclo de risk-off que afeta o setor como um todo.
Fontes: Business Wire; CoinDesk.
“Tesouraria em bitcoin”: Tian Ruixiang anuncia plano de US$ 1,5 bilhão para adquirir 15.000 BTC
Outro ponto que chamou atenção no início de fevereiro foi o anúncio da Tian Ruixiang (TIRX) sobre um plano de US$ 1,5 bilhão envolvendo a aquisição de 15.000 bitcoins de um investidor estratégico, segundo comunicado distribuído ao mercado.
O caso se insere na tendência de empresas públicas adotarem BTC como parte de estratégias de tesouraria — um movimento que, em ciclos anteriores, reforçou a narrativa de adoção institucional. Ainda assim, em ambientes de queda e maior custo de capital, esse tipo de tese tende a ser testado, já que aumenta a sensibilidade do balanço à volatilidade do ativo.
Fonte: GlobeNewswire.
Ethereum e o debate sobre L2: Buterin diz que o “modelo mental” antigo ficou para trás
No campo tecnológico, o ecossistema Ethereum volta a discutir o papel das redes de segunda camada (L2) e como elas se encaixam no futuro do protocolo. Uma reportagem aponta que Vitalik Buterin argumentou que a visão inicial de L2 como “extensões oficiais” de sharding já não descreve bem o estado atual, dada a evolução do roadmap de escalabilidade e das próprias L2.
A discussão é relevante porque influencia:
- captura de valor entre L1 (mainnet) e L2 (rollups);
- estratégias de taxas e infraestrutura para aplicativos;
- narrativas de longo prazo em torno de utilidade e demanda por ETH.
O que monitorar nas próximas horas
Para além do ruído de curto prazo, alguns vetores tendem a orientar o mercado:
- Fluxos institucionais (ETFs e produtos listados) e sinais de apetite por risco;
- Liquidações e reposicionamento em derivativos, que podem acelerar movimentos;
- Agenda macro (dados e comunicação de bancos centrais), com impacto direto sobre dólar, yields e ativos de risco;
- Noticiário corporativo sobre tesourarias em BTC, que pode afetar narrativa — embora não elimine volatilidade.
Este texto tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.