Existem milhares de criptomoedas competindo nesse momento no mercado. Cada uma delas oferece mecanismos, recursos e diferentes características que esperamos de uma moeda.

Bitcoin vs Grin

Nesse texto vou abordar uma dessas características: a oferta disponível de moeda, também conhecida como supply. Existem moedas com um supply ilimitado e outras com um limite de emissão. Ou seja, haverá um debate de Bitcoin vs Grin.

A questão é que moedas sem um limite de emissão estão sendo chamadas, erroneamente, de fraudes por pessoas que não conhecem muito bem uma boa economia monetária.

Supply limitado – Bitcoin

O Bitcoin tem uma oferta máxima de 21 milhões unidades de moedas. Sua emissão é previsível: Começa com 50 Bitcoins a cada bloco (ou a cada 10 min) e emissão é reduzida pela metade a cada 4 anos (atualmente estamos em 12,5 BTCs a cada 10 min).

Abaixo fica a curva da evolução da oferta de bitcoins, assim como sua inflação esperada:

bitcoin vs grin - inflação do bitcoin
Emissão monetária de Bitcoin e a inflação

Uma moeda com um supply limitado tem suas consequências: no longo prazo ela tende a se tornar deflacionária. Isso quer dizer que cada moeda tenderá a valer cada vez mais com o passar do tempo.

Ou seja, quando vamos no mercado e percebemos que aquela nota de R$100 compra menos produtos, estamos passando por inflação.

Mas se nós conseguimos comprar mais produtos do que no mês passado, estamos passando por uma deflação e, esse é o caso do Bitcoin.

Implicações de uma moeda deflacionária

Uma moeda deflacionária tem um grande ponto positivo: sua função ímpar de servir como reserva de valor.

Não existe nada mais bonito, monetariamente falando, do que uma moeda que consegue manter seu poder de compra com o passar dos tempos ou até mesmo aumentá-lo!

Só vimos esse comportamento acontecer durante o padrão ouro clássico – desconsiderando a hiperinflação do Império Romano (período o qual o estado se apossou do papel de emitir moeda).

Mas toda moeda tem a sua segunda face (que metáfora ruim). E no caso de uma moeda deflacionária com o Bitcoin, o lado negativo é, também, a sua apreciação.

Uma sociedade com moeda que se aprecia, tenderia a poupar mais. Segundo os economistas clássicos, entre eles Knut Wicksell, a taxa de juros natural é determinada pelo nível de poupança da sociedade.

Uma economia extremamente poupadora faria a taxa de juros tender, naturalmente, a 0. Dependendo do nível de poupança, ela poderia chegar a se tornar negativa.

A imagem abaixo demonstra a teoria de juros natural exposta por Wicksell. A curva S representa a poupança da sociedade, a curva I representa os investimentos.

bitcoin vs grin - wicksell
Modelo de juros naturais de Wicksell

No eixo vertical do gráfico temos a taxa de juros natural e no eixo horizonal, temos a quantia de poupança e investimento.

Logo, notamos que a taxa de juros é função da interação entre a demanda por empréstimos (investimentos) e a oferta de empréstimos (poupança).

Um deslocamento da curva S para a direita, representa um aumento da poupança da sociedade. A curva S1 mostra essa nova poupança. Note como a taxa de juros diminuiu.

É isso o que acontece em sociedades nas quais tendem a se tornar poupadoras graças à uma moeda deflacionária.

Aí está o problema: você emprestaria seu dinheiro a uma taxa próxima de 0 ou iria preferir mantê-lo em seu controle e arriscar menos e garantir a apreciação da moeda?

Uma moeda com um supply fixo permitiria uma alavancagem tão alta no setor financeiro como temos hoje? A resposta é não. E isso diminui a liquidez, tão importante para o crescimento econômico.

Os emprestadores serão mais restritivos com empréstimos. Isso seria positivo porque eliminaria os problemas dos malinvestments – investimentos ruins que geram ciclos econômicos extremamente destrutivos a longo prazo..

Mas ainda assim, essa é uma dúvida que ainda está em debate na academia: uma moeda deflacionária funcionaria em uma sociedade?

Moeda com supply infinito – Grin

A Grin é uma moeda que possui um supply ilimitado. Assim como Monero e Ethereum e outras mais. E isso não é necessariamente ruim, é apenas uma alternativa que proporciona um bom debate.

Abaixo fica a curva de oferta e inflação da Grin. Note a sua semelhança com a curva do Bitcoin.

Bitcoin vs grin  - supply infinito
Emissão de Grin e a inflação

A Grin possui uma hiperinflação a curto prazo, porque sua base monetária é pequena. Conforme ocorre o crescimento da base, a sua inflação decresce e tende a 0 no longo prazo, exatamente igual a do Bitcoin.

Em hipótese alguma a comparação entre Grin e Dogecoin poderia ser válida, porque são emitidas 10000 Dogecoins por minuto. A Grin, por outro lado, tem uma emissão de 60 moedas por minuto.

Consequências de uma moeda inflacionária

Uma moeda sem limite de emissão e sem previsibilidade do aumento de oferta monetária, tende a ser inflacionária. Se uma moeda tende a perder seu poder de compra, as pessoas são incentivadas a gastá-la ou aplicá-las em operações que lhe garantam lucro.

Se uma moeda se desvaloriza 1% ao ano, tenho duas opções: ou gasto minhas moedas, ou invisto em alguma aplicação bancária para me proteger da inflação.

Em casos de alta inflação, a sociedade tende a se tornar menos poupadora no curto prazo. Nesses casos, seria necessária uma política de elevação de juros para atrair mais poupança.

Mas se a inflação é mantida sob um regime de metas, como é feito hoje no governo brasileiro, o nível de poupança tende subir ou se manter ao menos estável no longo prazo.

Uma moeda sem limite de emissão permite um maior nível de alavancagem do sistema financeiro, o que dá mais liquidez ao sistema. Por um lado, isso possibilita o crescimento econômico.

Por outro, pode gerar ciclos econômicos que levam a malinvestments, que resultou nas crises de 29 e 2008.

Nesses casos, a manipulação da taxa de juros permitiu um descompasso temporal entre o mercado de bens de consumo e o mercado de capitais, que levou a essas duas crises (isso aconteceu mais na crise de 29).

Moedas sem limite de supply podem valer tanto quanto moedas com um limite de emissão. Desde que a taxa de emissão seja controlada, como é o caso da Grin, diferente da Dogecoin.

A grande sacada é a previsibilidade

A grande sacada das criptomoedas é a previsibilidade: nós sabemos exatamente quantos Bitcoins estarão disponíveis daqui a 2, 20, 200 anos.

Assim como também vamos saber quantas Grins nós vamos ter daqui a 200 anos. No caso dela, são emitidas 86400 moedas por dia.

A questão é que a sua curva de emissão cresce a uma taxa constante: 1 moeda por segundo.

Logo, o sistema terá tantas moedas emitidas que a adição de x grins, fará com um incremento se torne insignificante a longo prazo.

Por outro lado, se a emissão de GRINs fosse baseada em um percentual, essa moeda tenderia a colapsar, visto que a sua emissão cresceria em uma escala logarítimica, não mais em uma escala constante.

Milton Friedman, em suas teorias que deram origem à Escola de Chicago, defendia a idéia de uma moeda com uma inflação previsível baseada em algum indexador, nesse caso o PIB de um país.

O problema acontece quando você tira a previsibilidade do arranjo. Você começa a criar indexação na economia, como ocorreu no Brasil durante os anos 80 e 90.

É a idéia da inflação inercial: diante da incerteza, as pessoas começam a ajustar seus preços a uma taxa maior do que necessariamente se daria a inflação. Esse comportamento ajudava a aumentar mais ainda a inflação efetiva.

Os governos tentam dar previsibilidade à economia com as suas metas de inflação. Contudo, o Real ou o Dólar, são moedas controladas por bancos centrais.

Logo, a taxa de emissão de Reais, por exemplo, pode dobrar amanhã, se o governo assim achar melhor para a economia.

Isso não é possível com criptomoedas como Bitcoin e Grin. A emissão delas é previsível e isso torna as duas completamente diferentes do fiatmoney.

Desde que a inflação seja previsível, o ajuste de preços também será previsível, logo, seria altamente improvável uma hiperinflação em qualquer uma das duas moedas.

Conclusão

A conclusão é, não importa se a moeda tem limite de emissão ou não, as consequências serão as mesmas desde que a moeda sem limite de emissão tenha aumentos de oferta previsíveis.

Uma moeda sem limite de emissão pode valer tanto quanto uma moeda com oferta limitada, desde que a quantidade de moedas emitidas não seja tão elevada.

Um exemplo prático disso é a comparação entre Ethereum e Litecoin: a primeira não tem um limite, mas possui uma taxa de emissão previsível e controlada. A Litecoin está limitada a 84 milhões de unidades.

Mesmo assim, quando comparamos, uma unidade de Ethereum está mais cara do que uma unidade de Litecoin.

Bitcoin vs Grin - comparação entre moedas
Ethereum vale tanto quanto Bitcoin Cash e vale mais que Litecoin mesmo com uma quantidade de moedas muito maior.

No longo prazo, os ajustes são descontados e todas as duas moedas assumem um comportamento idêntico: alta inflação no começo de sua emissão, estabilização a médio prazo e tendência de zero para o longo prazo.

Resumindo, o que importa é a previsibilidade dos aumentos de oferta monetária. Desde que essa variável seja previsível, os ajustes ocorrerão naturalmente dada a disponibilidade dessa informação, de forma que eles sejam descontados por serem insignificantes.

Leia também:

https://cointimes.com.br/o-que-e-grin/
https://cointimes.com.br/o-que-e-bitcoin/

Você gostou desse conteúdo? Nós temos muito mais! Siga e compartilhe a página do Cointimes para se manter atualizado com os conteúdos mais relevantes. Estamos em todas as mídias sociais também: FacebookTwitterInstagram e Telegram

Compre Bitcoin na Coinext
Compre Bitcoin e outras criptomoedas na corretora mais segura do Brasil. Cadastre-se e veja como é simples, acesse: https://coinext.com.br