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Blockspot Conference e a “Máquina da confiança”

Confiança (e falta dela) foram temas muito abordados, trabalhados e lembrados, de diferentes formas, durante a Blockspot Conference Latam, que aconteceu em São Paulo, nos dias 28 e 29 de maio.

A tradicional capa da “The Economist” foi ilustrada algumas vezes no evento como exemplo do que o blockchain pode trazer de mudanças conceituais profundas no nosso tempo e no futuro não tão distante.

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A crise da confiança é muito baseada em não saber quem está na outra ponta de uma negociação, em não ter a certeza de que um contrato será cumprido, que um produto adquirido será entregue, de que seus dados não foram vendidos ou estão soltos, perdidos por aí e fora do seu controle. De uma geração que começa a prezar, de alguma forma, pela segurança de suas próprias informações, surgem as soluções.

Um dos painéis com mais alto nível de debate discutiu não só o que o blockchain pode trazer e modificar em diversas esferas sociais e profissionais, mas o verdadeiro interesse de população em correr atrás da informação. Sair do comodismo para ter maior controle de suas finanças e de diminuir a necessidade e dependência bancária, valores naturalmente carregados pelo bitcoin, e que aparecem intrinsecamente sempre que se fala em criptoativos.

O painel “Blockchain, Governo e Sociedade” contou com os contrapontos de Natalia Garcia, sócia e diretora jurídica da Foxbit, que questionou também o “hype” sobre os smart contracts, tema de uma das palestras. Renata Barros, juíza do Estado de São Paulo, Graziela Brandão, supervisora jurídica da Walltime, e Pedro Almeida, gerente de produto da Udacity, também participaram do painel. Dividiram opiniões sobre o otimismo com os aspectos legais da nova tecnologia.

Fortalecimento da democracia e empoderamento do indivíduo: temas presentes em qualquer conversa sobre a tecnologia foram bastante abordados pelos painelistas.

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Painel: Blockchain, Governo e Sociedade

BNDES token

Pela segunda vez em apenas uma semana, o BNDES pôde apresentar o projeto de seu token próprio. O intuito é claro com o movimento atual: uma tentativa de recuperar a comunicação com o público. Combater a crise de confiança global, a descrença generalizada com os poderes públicos através da “máquina da confiança”, da imutabilidade, rastreabilidade e transparência do acesso público que o blockchain oferece.

O token é baseado na rede Ethereum (ERC-20), e a segurança para o senso comum é o tão falado “lastro”, fornecido pela moeda de troca, o real, garantido pelo próprio BNDES. Há também o apoio da validação de assinatura dos smart contracts.

Afinal, o que é um smart contract? Entenda a tecnologia

Saúde e Blockchain

Outro painel que atraiu muito interesse, até pela temática universal, tratou de “Blockchain na saúde”, com especialistas da área e também estudiosos da tecnologia. Foi importante a desmistificação idealista de que o blockchain resolverá todo e qualquer problema com soluções simples. A burocracia institucional, o conflito de interesses e restrições do mercado podem e serão entraves por muito tempo, em muitas áreas.

Transporte de dados, interoperabilidade e privacidade que podem economizar tempo, dinheiro, exames e procedimentos desnecessários. Todas seriam palavras de ordem que a tecnologia poderia pôr em prática para facilitar e organizar a vida dos profissionais da saúde. Mas o conservadorismo da área médica como um todo (belamente comparado à velocidade de mudança de direção de um transatlântico) ainda pode restringir muitas ideias assaz libertárias desse movimento.

Organização, descentralização e contraponto

Dessa geração ansiosa por menos centralizações, taxas e excessos de regras tratadas como cláusulas pétreas surgiu a geração da “economia colaborativa”. Spotify, Uber, Airbnb, para apenas ficar nos exemplos populares. As ideias já não se prendem no que “sempre foi assim”, e a ânsia é por movimentos que se baseiem em identidade digital verdadeira, que sirva para tudo, evite burocracia no dia-a-dia, mas que mantenha seus dados seguros.

É possível? A geração está aí, nos provando a todo momento, através da matemática, cálculos e muita tecnologia, que sim. Que ficar parado não é uma opção. E essa barca tem espaço pra muita gente, sedenta por ideias.

Sobre o criador de conteúdo

Coordenadora de conteúdo do Cointimes. Jornalista, com trabalhos em rádio, TV e internet. Atuo na produção de conteúdo da Foxbit, e tenho interesse em passar o máximo de conhecimento para mostrar que não existe bicho de sete cabeças. Sonha que mais pessoas busquem, atinjam a liberdade financeira e mergulhem no empreendedorismo.

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