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Após banimentos locais na China, a mineração de bitcoin provavelmente enxergará um cenário completamente diferente em breve. Segundo relatório do Global Times, mais de 90% da mineração de bitcoin vinda da China será interrompida após reguladores fecharem o cerco na província de Sichuan.

Com a justificativa de controlar os riscos financeiros relacionados à especulação com criptomoeda, mineradores estão sendo impedidos de operar na região, embora ela apresente abundância de energia por conta das usinas hidrelétricas.

Conversando com o Global Times anonimamente um trabalhador local disse que “a janela de saída está se fechando”. “Estamos lutando para encontrar mineradoras no exterior para colocar nossos dispositivos de mineração”, completou ele, acrescentando que inúmeros mineradores sofreram perdas significativas.

E não é de hoje que a repressão ao Bitcoin avança no país. As autoridades falam no banimento da criptomoeda há anos, mas foi apenas em maio de 2021 que discutiram seriamente a repressão à atividade de mineração. No dia 21, o Comitê Financeiro da China colocou o assunto em pauta e foi dito que isso poderia ser necessário para “controlar com firmeza os riscos financeiros”.

Em 18 de junho, os grandes mineradores da região de Sichuan tiveram suas energias cortadas, conforme informou o jornalista local Wu Blockchain. “Sichuan oficialmente expediu um documento requisitando que as companhias geradoras de energia parassem imediatamente de fornecer para qualquer serviço de mineração de moedas digitais, e reportar a situação no dia 25”, disse ele.

Da China para o resto do mundo

Quando falamos de mineração de bitcoin, imaginamos um mapa onde a China domina mais de 60%. Por anos isso foi muito negativo em discussões sobre a descentralização da moeda digital.

Mapa de mineração do bitcoin. Fonte: Universidade de Cambridge.

Os mineradores chineses não só concentram o hashrate do bitcoin geograficamente, mas também tornam a mineração mais “suja” devido ao uso de carvão. O que representa uma das maiores críticas ao criptoativo hoje.

Nem sempre foi assim, e isso pode estar mudando conforme os mineradores migram para outros países, especialmente os Estados Unidos. No início da rede, bitcoins eram minerados apenas pelo próprio criador Satoshi Nakamoto e alguns outros pioneiros como Hal Finney.

Nos primeiros anos do Bitcoin, em 2009 e 2010, cada usuário era um pequeno minerador, essa era provavelmente a época mais “descentralizada” da mineração de bitcoin. O consenso acontecia justamente como descrito no white paper, cada CPU votava com seu pequeno hashrate nos blocos válidos.

Como previsto por Satoshi e outros entusiastas, a atividade foi se profissionalizando e sendo realizada por grandes empresas. Normalmente os usuários apenas utilizam carteiras de verificação de pagamento simplificado (SPV), como os aplicativos de celular que não requerem guardar e verificar todos os blocos do blockchain.

Com um bitcoin mais valorizado, a mineração tornou-se extremamente competitiva e se concentrou em países com energia barata como a China. As críticas decorrentes disso vieram e prejudicaram um pouco a narrativa do BTC como moeda global, mas com os recentes “tiros no pé” que o governo chinês vem dando, isso pode estar prestes a mudar.

Embora o preço do bitcoin esteja caindo 18% nessa semana, de acordo com dados do Coingolive, e os investidores iniciantes possam estar com medo, esse não é o fim da criptomoeda. Assim como a própria internet livre foi restringida na China, esse não representou o fim das empresas do setor. O Google é inacessível no país desde 2010, mas o buscador ainda é líder mundial.

De acordo com Nic Carter, fundador do Coin Metrics, o banimento chinês acaba sendo grandemente positivo no longo prazo. “Pessoas que se preocupam com Bitcoin e o planeta querem que a China venha a banir a mineração de Bitcoin. Elimina um fator de risco (externo), descarboniza a mineração, descentraliza a taxa de hash e oferece maiores margens para mineradores mais limpos nos Estados Unidos.”

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