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Confiança não se impõe, se constrói – Por que o Bitcoin é diferente? Bitcoin

Confiança não se impõe, se constrói – Por que o Bitcoin é diferente?

Como o Bitcoin que pode ser clonado é tão único?

Antonio Lucas Ribeiro
Antonio Lucas Ribeiro

Por que o Bitcoin é diferente?

Todos reconhecemos que confiança é fundamental para quase todas as interações humanas, especialmente troca. Se valor é subjetivo então dinheiro é, na sua essência, um jogo de confiança: Uma quantidade suficiente de pessoas precisa confiar que tal dinheiro manterá seu valor, caso contrário elas não irão querer retê-lo.

A confiança em um dinheiro requer tempo, e qualquer moeda bem sucedida precisa priorizar longevidade, imutabilidade e escassez, antes de quaisquer outras características. O que levou o Bitcoin a ter a confiança que tem hoje? O que o faz essencialmente diferente das outras criptomoedas? E, mais importante, como um investidor pode medir o valor à longo prazo de uma moeda? Nesse artigo veremos o que faz o Bitcoin diferente e como o Bitcoin é um sistema que, apesar de todas as clonagens, está longe de ser verdadeiramente replicado.

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A verdadeira inovação

Para entender e diferenciar a proposta de valor do Bitcoin é preciso dar uma olhada na história do mercado das criptomoedas. É tentador pensar que a mais nova ICO ou Altcoin será a que finalmente vai desbancar o Bitcoin através da adição de alguma função. De fato, quase todos os autores de Altcoins, ICOs ou hardforks pensam que estão sendo fundamentalmente inovadores, mas falham em perceber que a maior inovação já aconteceu.

Escassez digital e descentralizada é a verdadeira inovação. O Bitcoin foi e continua sendo, a única criptomoeda com tais propriedades. Todas as outras “novas funções” como: tempo menor de confirmação nas transações, mudança do algorítimo de mineração ou de assinatura, diferente método de ordenamento das transações e até mesmo privacidade, são variações pequenas demais diante da inovação gigantesca que é o Bitcoin.

É importante relembrar aqui que alternativas ao Bitcoin têm sido propostas desde 2011 e nenhuma delas chegou sequer perto de desbancar o Bitcoin em termos de preço, uso ou segurança. IxCoin foi um clone do Bitcoin criado em 2011 com maior tamanho do bloco e pré-minerado (grande número de moedas enviadas aos criadores). Solidcoin foi outra altcoin criada em 2011, também pré-minerada. Dessa primeira era de Altcoins as únicas que ainda possuem alguma relevância são a Namecoin e Litecoin, que se distinguiam exatamente por não ter havido pré-mineração.

ICOs e Altcoins tentaram diversas formas de “inovação” que se tornaram triviais perto do que o Bitcoin já oferecia no momento de seus lançamentos, tanto é que a enorme maior parte delas não têm sido úteis ou adotadas. Por que parece que o Bitcoin tem um lugar especial no ecossistema? Exploremos aqui, dois aspectos únicos que são pilares fundamentais da confiança que os usuários depositam no sistema hoje: o efeito rede e a descentralização

O Efeito Rede

Porque o Bitcoin tem a rede mais robusta e o maior ganho do efeito rede, todas as outras moedas estão, essencialmente e desde o momento de seu nascimento, tentando alcançá-lo, como num grande jogo de pega-pega. É como se o Bitcoin fosse o padrão de semana de 7 dias e todas as outras Altcoins fossem uma leve variação desse padrão ( vamos ter semanas de 4 dias! Dias de 18 horas! Vamos mudar o comprimento da semana de acordo com os desejos de alguma autoridade central!).

Como já foi dito, boa parte dessas “novas funções” são, na melhor das hipóteses, pequenas e geralmente não são adotadas. Isso acontece por que o efeito rede do bitcoin cresce com o tempo e as pessoas envolvidas no uso e na construção de infraestrutura da rede otimizam seguindo os padrões da rede, retendo cada vez mais usuários.

À medida que a rede cresce, o que vemos são benefícios sutis que passam despercebidos pela maioria dos usuários que estão diretamente agregados as normas do sistema. O que parecem ser, superficialmente, características ineficientes, na verdade têm consequências de segunda e terceira ordem que beneficiam as pessoas conformantes com as normas.

Lembrando que, tais normas resistiram ao teste do tempo e se provaram resilientes em formas que não são nem um pouco óbvias para aqueles sem conhecimento técnico. O Bitcoin, de certa forma, tem o maior sistema de recompensas do mundo para revelar qualquer falha na segurança. Como resultado, o Bitcoin provou sua segurança perante ao mais supremo Juiz: o tempo. Qualquer outra criptomoeda é bem mais jovem e/ou comprovadamente menos segura.

De fato, a natureza dúbia de muitas dessas “novas funções” se tornam óbvias depois de um tempo. Por exemplo: Os bugs que culminaram no nascimento do Ethereum Classic em julho de 2015 (DAO e carteira Parity) foram possíveis graças a uma das “novas funções” da plataforma Ethereum, a Turing-completude. Em contraste, a linguagem de smart contracts usada no Bitcoin, a Script, tem evitado Turing-completude exatamente pela possibilidade de comprometer a segurança! E pior, a resposta padrão da autoridade central que comanda a moeda é tentar consertar tais vulnerabilidades com mais autoritarismo. Em outras palavras, o efeito rede e o fator tempo têm efeito negativo para uma moeda centralizada.

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Avaliação de Criptomoedas: Ethereum

É muito mais fácil conseguir acessórios para um aparelho popular do que para um não-popular. O Bitcoin tem a maior rede e isso significa que ele cresce em utilidade e liquidez simplesmente por ter mais usuários. O ecossistema construído em volta do Bitcoin tem facilitado e continuará facilitando a aquisição e a custódia de bitcoins para os usuários, agregando cada vez mais confiança e em um ritmo muito mais acelerado do que qualquer Altcoin ou ICO. Por exemplo, a Bitbol colabora diretamente com a liquidez prestando o serviço de pagamento de boleto e recarga de celular.

Descentralização

O segundo pilar da confiança no Bitcoin hoje é o que nenhuma outra criptomoeda tem: descentralização. E por descentralizado eu me refiro a não ter um ponto único de falha para ataques. Todas as outras criptomoedas têm um fundador (ou um time de fundadores/programadores) ou uma empresa que criou o código da moeda e têm, direta ou indiretamente, a maior influência sob a moeda. Um hardfork (uma mudança no código que torna seus tokens incompatíveis com a nova versão do software) que é imposto sob o usuário, por exemplo, é uma indicação clara de que a moeda é bem centralizada.

Não estou dizendo centralização seja algo necessariamente ruim, criptomoedas centralizadas certamente tem a “vantagem” de executar mudanças rapidamente, de acordo com as demandas do mercado. Centralização com certeza é algo positivo para empresas, já que normalmente eles estão tentando prover um bem ou serviço para seus clientes. Uma empresa centralizada pode responder melhor às demandas de mercado e adaptar aquilo que está sendo vendido para obter uma melhor margem de lucro.

Entretanto, para dinheiro, centralização é algo ruim. Primeiro, uma das principais propostas de valor para uma reserva de valor é ser algo que não mude quantitativamente com o passar do tempo (imutabilidade). Uma reserva de valor requer que suas qualidades permaneçam ou melhorem com o tempo. Um mudança que prejudique suas qualidades (Exemplos: Inflação, diminuição da aceitação, mudanças na segurança) pode afetar drasticamente a utilidade do dinheiro como reserva de valor.

Segundo, centralização de uma moeda tem a tendência de mudança de regras, comumente para efeitos catastróficos. Fatidicamente, as últimas décadas têm sido a história de bancos centrais degradando lentamente a função de reserva de valor das moedas fiduciárias nacionais.

Não é a toa que o tempo de vida médio dessas moedas fiduciárias é de 27 anos, apesar de terem por trás instituições poderosas como governos e usabilidade praticamente infinita como meio de troca (aqui no Brasil, via Lei de Curso Forçado). Para a sobrevivência de uma moeda, imutabilidade e escassez são muito mais importantes do que qualquer possível “vantagem” que a centralização possa prover, seja ela de usabilidade ou resposta rápida às demandas do mercado.

O Bitcoin é diferente. Uma das melhores coisas que Satoshi Nakamoto fez pelo bitcoin foi desaparecer. Nos dias iniciais do Bitcoin, Satoshi controlava quase tudo que estava sendo desenvolvido. Desaparecendo, agora nós temos uma situação onde partes que não se gostam (usuários das mais variadas filiações) todos têm alguma influência sobre como a rede opera.

Todas as atualizações são voluntárias (Softforks) e não forçam nenhum usuário à tomar qualquer medida para manter seus bitcoins. Em outras palavras, não há um ponto único de falha para ataques. Bitcoin tem um sistema onde mesmo que um grupo enorme dos desenvolvedores sofram alguma fatalidade, ainda existem diversas implementações com código aberto que continuam oferecendo opções à todos os usuários. No Bitcoin, você tem total soberania sobre seus bitcoins.

Isso é algo excelente para se ter já que não há uma autoridade central que possa diminuir a utilidade de suas moedas. Isso significa que o bitcoin é realmente escasso (ao invés de teoricamente ou temporariamente escasso) e nenhuma mudança qualitativa pode ocorrer sem o consenso da rede, o que o torna uma boa reserva de valor.

Conclusão

A confiança depositada no Bitcoin hoje foi construída pelo efeito rede e reforçada pela descentralização e é devido a esses aspectos únicos que o Bitcoin é diferente de todos os impostores ao trono. Isso não quer dizer que não possa existir algo que desbanque o Bitcoin. Mas o que fica claro estudando a história do mercado de criptomoedas é que o Bitcoin tem uma vantagem que não será facilmente derrotada. Uma “inovação” que custe o efeito rede e a descentralização simplesmente não é uma troca interessante para a longevidade de uma moeda.

O que seria necessário para desbancar o Bitcoin? Provavelmente alguma inovação pelo menos tão grande quanto o próprio Bitcoin ou um bug que fizesse do Bitcoin inseguro. A adição de alguma função específica, mesmo que relevante (Privacidade, por exemplo) dificilmente será o suficiente já que o efeito rede já criou todo um ecossistema específico para o Bitcoin que é, até o presente momento, a principal porta de entrada para qualquer novo investidor no meio de criptomoedas.

Descentralização também não é algo facilmente alcançável… Altcoins ainda não descobriram como guiar seus projetos para essa direção. Afinal, a própria ideia de guiar uma moeda em qualquer direção já sugere uma moeda centralizada! É difícil de imaginar criadores de uma valorosa criptomoeda querendo descentralizar seu projeto já que eles estão incentivados emocionalmente, economicamente e socialmente à manter o controle e poder sob suas criações. Não dá pra impor que seus usuários confiem na sua moeda, não é mesmo?

Como investidores esperançosos, é tentador acreditar que encontramos “o novo bitcoin” que nos dará o ticket dourado para o enriquecimento via pioneirismo. Infelizmente, esse desejo não vai alterar propriedades tão fundamentais quanto o efeito rede e descentralização. Milhares de criptomoedas e quase oito anos não foram capazes de replicar essas propriedades. Elas são os pilares da confiança no Bitcoin e as razões pelas quais o Bitcoin é a verdadeira revolução.

Artigo redigido através da mesclagem e tradução livre dos seguintes artigos do Jimmy Song:
https://medium.com/@jimmysong/why-bitcoin-is-different-e17b813fd947
https://medium.com/@jimmysong/why-you-cant-shortcut-trust-a6fe866a8007

Antonio Lucas Ribeiro
Antonio Lucas Ribeiro

Entusiasta da tecnologia do Bitcoin e investidor. Libertarianismo e educação financeira foram o que me encorajaram a empreender, desejo compartilhar o máximo possível sobre aquilo que tem meu genuíno interesse.

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