Uma falha operacional transformou uma simples promoção em um dos episódios mais constrangedores – e potencialmente mais caros – da história recente do mercado de criptomoedas. A gigante Bithumb, segunda maior corretora de criptomoedas da Coreia do Sul, corre contra o tempo para recuperar o equivalente a dezenas de bilhões de dólares após enviar, por engano, 620 mil bitcoins a clientes durante uma ação promocional.
O erro, que ganhou mais detalhes na terça-feira (10), expôs fragilidades internas, provocou reação imediata do regulador financeiro sul-coreano e abriu um debate jurídico sobre a responsabilidade dos usuários que venderam os ativos recebidos.
De 620 mil won para 620 mil bitcoins
O erro ocorreu em 6 de fevereiro, durante uma promoção do tipo “caixa aleatória”, em que clientes elegíveis poderiam receber prêmios em dinheiro. O plano original era distribuir um total de 620 mil won coreanos — cerca de R$ 2195 — entre 695 participantes.
No entanto, um funcionário inseriu os valores do prêmio em bitcoin, e não em won.
Resultado: em vez de distribuir algumas centenas de dólares, o sistema creditou 620 mil bitcoins. Na cotação aproximada da época, isso equivaleria a cerca de US$ 42 bilhões.
Dos 695 elegíveis, 249 chegaram a abrir suas caixas e receberam as recompensas antes que o erro fosse identificado. O volume creditado representava aproximadamente 14 vezes mais bitcoins do que a própria corretora possui em custódia, segundo estimativas divulgadas na imprensa local.
Most people think the Bithumb incident was 2,000 $BTC sent by mistake.🚨
That’s not what happened.
Picture this:👇
An exchange runs a small promo.Pocket change.Something you barely notice.
But deep inside the system, a single unit gets misread.
Not won.Not minted.Just… https://t.co/HyRGybJyKM pic.twitter.com/7BekYg9ywp
— Zia ul Haque (@ImZiaulHaque) February 6, 2026
Corrida contra o relógio
A Bithumb afirma ter revertido 99,7% dos lançamentos incorretos por meio de ajustes internos em seu livro-razão. Ainda assim, o estrago não foi totalmente contido.
De acordo com autoridades financeiras, 86 clientes venderam cerca de 1.788 bitcoins nos 35 minutos que antecederam o congelamento das contas afetadas. Parte dos recursos foi transferida para contas bancárias pessoais; outra parte foi utilizada na compra de diferentes criptomoedas.
Tal movimento provocou uma breve distorção nos preços dentro da própria plataforma.
Mesmo após as reversões, aproximadamente 13 bilhões de won (cerca de US$ 9 milhões) permanecem sem recuperação.
A corretora iniciou o que descreve como conversas de “persuasão individual” com cerca de 80 clientes que sacaram valores, pedindo devolução voluntária do equivalente em moeda local.
A estratégia busca evitar disputas judiciais prolongadas. Pela legislação civil sul-coreana, um tribunal poderia determinar a devolução do ativo original — ou seja, bitcoin — e não apenas seu valor e