Minerador de bitcoin, dono de exchange, programador e revolucionário, poucas pessoas conhecem Rocelo Lopes, considerado tão empreendedor quanto o lendário Visconde de Mauá – o arquétipo de empresário brasileiro. 

Rocelo Lopes não é o típico empresário brasileiro, que vende o almoço para comer o jantar e ter a sobra para o café da manhã, ele é um dos magnatas mais importantes para as criptomoedas no Brasil.

Rocelo Lopes, engraxate aos 12 anos

Mas sua história não foi fácil, Rocelo começou a vida de trabalho aos 12 anos como engraxate. 

“Eu queria muito ir num parque de diversões que tinha em São Paulo, chamado de Play Center, e eu queria demais ir, mas meu pai não tinha dinheiro para me mandar lá. Meu pai falou que não tinha condições de me mandar, mas disse que iria me ensinar a engraxar sapato para que da próxima vez pudesse ir.” 

A realidade do pequeno Rocelo é hoje compartilhada com 2,3 milhões de crianças e adolescentes trabalhadores de todo o Brasil, segundo dados IBGE.

Contudo, as adversidades tornaram a vida do pequeno trabalhador ainda mais complexa. Rocelo conta que teve que criar sua própria graxa para diminuir os custos e poder trabalhar, com tamanha inventividade ele começou a vender a sua graxa para outros engraxates e acabou criando seu pequeno negócio.

“Minha graxa dava um brilho muito melhor no sapato”, afirmou Rocelo contando com emoção o que aconteceu. 

Pouco tempo depois ele foi estudar no SENAI, onde ele encontrou a paixão por tecnologia ao estudar eletrônica. 

Nascia aí o que seria um dos maiores, se não o maior empreendedor do mercado brasileiro de criptomoedas. 

Um dos pioneiros no Brasil na área de criptografia

A jornada para se tornar o maior empresário do setor não foi fácil. Rocelo era apaixonado por tecnologia e por isso resolveu começar o curso de Ciências da Computação em 1994 na Universidade Ibirapuera. 

Um ano depois surgiu o primeiro protocolo de VoIP, ou Voz sobre IP. Por que pagar altas taxas de ligações internacionais se você poderia fazer isso pela internet de forma mais barata? Foi isso que pensou Lopes, mas tinha um problema, o VoIP não tinha criptografia. Ou seja, era desprotegido e alvo fácil para hackers e agências do governo, então ele começou a desenvolver o próprio VoIP criptografado.

“Trabalho com telecomunicações desde que surgiu o voz sobre IP, quando eu vi a tecnologia de voz sobre IP eu falei que era nisso que eu iria entrar… E sempre desenvolvendo ferramentas que davam privacidade… tinha o voz sobre IP, mas não era criptografado. Então eu desenvolvi algoritmo de criptografia para criptografar as ligações para que somente houvesse uma ligação ponto-a-ponto” – disse o Visconde do Bitcoin.

Em suma ele criou uma das primeiras redes P2P (sem servidor central) de VoIP e ainda com criptografia. Algo completamente novo na década de 90. 

A paixão por tecnologia e o talento na área levou o jovem Rocelo, na época com 23 anos, a estudar em Israel, um dos maiores polos tecnológicos do planeta. Ele também foi adquirir conhecimentos em telecomunicações no Canadá.

Após muito estudo ele criou sua própria empresa de telecomunicações, com foco em privacidade e criptografia, ela atraiu bancos e grandes empresas que precisavam dessa segurança a mais. 

O “vale quermesse” de R$ 350 milhões em bitcoin

Mas tudo mudou em 2013, época em que nosso Visconde dos Bitcoins já havia criado a Othos Telecom, uma empresa que oferece soluções de VoIP para o Brasil, Costa Rica, Hong Kong e África do Sul.

Neste último país havia um cliente que estava com 6 meses de faturas atrasadas e uma dívida de US$180 mil. Ao ser cobrado, foi oferecido um pagamento com uma nova moeda, um tal de bitcoin. 

Na época, sem conhecimento sobre essa nova moeda, ele revelou que não queria esse “vale coxinha” ou “vale quermesse” e sim “algo sério”. Mas com muita insistência, o bitcoiner sul-africano conseguiu pagar as contas de telecomunicações com seus mais de 1.000 bitcoins. 

Atualizando com a cotação atual, esses mil bitcoins são avaliados em mais de R$ 350 milhões. 

Pagando mico milionário na Mt.Gox

Após alguns meses, Rocelo estava em Hong Kong quando, ao conversar com um amigo, recebeu a dica de vender suas criptomoedas e foi apresentado a uma corretora em Tóquio chamada de Mt.Gox que poderia ajudar a liquidar esses ativos digitais.

O empreendedor conseguiu conversar com um sócio do Mark Karpelès, então CEO da Mt.Gox, e pagou um grande “mico”. Com inglês péssimo, o sócio da corretora afirmou que pagaria US$ 1.200 pelos bitcoins, deixando Lopes revoltado com o valor. 

“O cara me devia 180 mil dólares, me deu mil e poucos bitcoins e agora o cara quer me pagar US$ 1.200 pelos mil e poucos bitcoins, tá de sacanagem comigo, só pode estar brincando” – pensou Rocelo.

Contudo, o desentendimento foi desfeito ao perceber que eram US$ 1.200 por bitcoin. Os US$180 mil já haviam se transformado em 1,2 milhão de dólares. 

“Como que 180 mil dólares viraram isso em menos de um ano, tem algo de errado aí”

Procurando Satoshi Nakamoto na primeira La Bitconf e investindo na Foxbit

No mesmo ano ele foi para a Argentina buscar mais conhecimentos e com o objetivo de falar com Satoshi Nakamoto. Era a primeira LaBitConf, um dos eventos mais importantes para o bitcoin na América Latina, obviamente ele não achou o Satoshi, mas adquiriu grandes contatos e pessoas com conhecimento que lhe explicaram tudo sobre a moeda digital.

Foi aí que ele mudou a direção da sua vida, vendeu os bitcoins e começou a primeira grande iniciativa de mineração da criptomoeda na América Latina, inaugurada em julho de 2014.

“Para que eu vou comprar criptomoeda se eu posso produzi-la eu mesmo?”

– disse Rocelo.

Em 2015, Rocelo adquiriu mais experiência ao entrar nas operações da Foxbit e ajudar na liquidez da recém-nascida startup.

O Visconde de Mauá moderno?

Foi nessa operação que ele percebeu as dores dos usuários ao comprar bitcoin e resolveu criar uma plataforma de compra rápida, simples e privada, fundando a CoinBR para atender um público que não tinha o menor conhecimento sobre o mercado.

Mas nada foi fácil. Rocelo advoga pelo fim das políticas de KYC e AML, reconhecidas mundialmente como problemáticas para a privacidade dos usuários e um risco de segurança para as empresas.

Isso gerou muita polêmica, o empresário diz que foi até mesmo perseguido pela Receita Federal e atacado injustamente por auditores. 

Essa perseguição ao empresariado não é novidade no Brasil. Irineu Evangelista de Sousa, conhecido como Visconde de Mauá, também começou a trabalhar muito cedo e aos 11 anos ele era balconista em uma loja de tecidos. 

O jovem Irineu conseguiu aprender inglês na importadora Ricardo Carruthers e aos 23 anos se tornou gerente do empreendimento. Sozinho, ele foi responsável por dar o início na indústria naval brasileira, construiu as primeiras estradas de ferro do país, foi pioneiro na área de telecomunicações ao investir nos primeiros cabos telegráficos submarinos ligando o Brasil à Europa. 

Irineu também foi perseguido pelo Estado, ele queria o fim da escravidão e era contra a Guerra do Paraguai – que matou cerca de 123 mil brasileiros. Por suas opiniões, o Império sabotou suas indústrias, sobretaxou seus produtos e destruiu o primeiro grande empreendedor do país, que morreu pobre e endividado. 

Novamente, o Estado brasileiro corre para destruir as inovações, mas dessa vez no mercado de criptoativos. 

Stratum e Blue Token

Sem medo de enfrentar o establishment, Rocelo lançou o Blue – um criptoativo composto por diversas criptomoedas. O objetivo é facilitar a diversificação dos investidores nos melhores ativos do mercado, além de respeitar a privacidade e dar enorme transparência ao utilizar o blockchain do Ethereum. 

Diferente de um ETF, a criptomoeda Blue não precisa de requerimentos insanos de KYC e AML, é fácil de comprar com liquidez baixa e está disponível para pequenos investidores. 

Rocelo continua lutando para melhorar a criptoeconomia no Brasil e é totalmente contra as atitudes predatórias dos governos e bancos locais contra as criptomoedas e empresas do ramo, sendo o “F*ck the banks” um de seus lemas mais usados. 

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