Cuidado! ALERTA DE SPOILER

Você já ouviu falar em Death Note? Se sim segue o jogo, se não, não se preocupe pois vou te contar um pouco da história, mas adianto que este é um grande nome nos animes.
A história gira em torno de um jovem incrivelmente inteligente chamado Light Yagami, que encontra um caderno capaz de de ceifar vidas.

A proposta do caderno

Aquele cujo nome for escrito no caderno morrerá. O caderno também tem em suas primeiras páginas uma série de instruções que permitem seu portador não somente determinar o dia e a hora mas também a causa da morte, o que torna a trama mais emocionante ainda pois o desenrolar de cada assassinato pode e implica na participação involuntária de outras pessoas. Também é preciso ter em mente o rosto de quem se quer matar, caso contrário não passará de um nome escrito.

Death Note e o Estado e Poder

Último detalhe importante, o caderno é “dado” ou perdido por uma entidade (na trama, o deus da morte) cuja identidade visual é revelada apenas ao novo portador, no entanto qualquer um que toque o caderno passa a vê-lo também.

Light Yagami

Como dito, Light é um jovem promissor, muito inteligente, analítico e filho de um policial. Tem uma preocupação “genuína” com os anseios de – creio eu – grande parte da população: a dor de ver o mundo “padecer” nas mãos de assolações como a violência.

Sim, sei que este não é o único grande medo popular hoje em dia, mas para este artigo foquemos apenas na violência.

Light também é um jovem muito inseguro (até covarde) e tal insegurança é a fagulha para acender seu desejo de, “pôr suas mãos”, limpar o mundo do mal/violência.

As primeiras vítimas são os criminosos mais conhecidos e pouco a pouco as mortes se afunilam. Se testemunhada por Light uma injustiça ou crime, lá está ele com seu caderno sentenciando arbitrariamente. É assim que nascem as ditaduras. Pessoas idealizando mundos totalmente diferentes da realidade, crendo serem a única representação da moralidade e da ética e que não se importam em utilizar a força extrema para implementação de suas utopias.

Ronaldo, mas o que isso tem a ver com o título do artigo?

TUDO, CARO LEITOR! TUDO!

Não vou entrar no mérito de declarações como “bandido bom é bandido morto!” (farei isso em outro artigo). O que está em cheque aqui são dois assuntos de extrema importância: o ESTADO e o PODER.

Por que ficamos indignados com o senado aprovando um aumento salarial absurdo para o STF no final e um mandato presidencial? Por que temos em nós um senso de justiça.

Este senso tenta de alguma forma nos tornar diferentes dos demais e nos traz incômodos sobre o que julgamos ser certo ou errado.

Assim como Light, todos temos algum senso próprio de justiça e é aí que mora o perigo. O estado é feito por homens e mulheres com intenções  teoricamente boas de tornarem o mundo melhor e mais justo. O estado então detêm as leis e a força, ou seja, O PODER.

Nas declarações do próprio Light: “Eu vou me tornar o deus desse novo mundo!”.

Galera, sem apelo religioso aqui, ok?

Light tenta, a partir de suas próprias convicções e parâmetros, ou seja, suas próprias leis, trazer para si a responsabilidade de um deus que sabe o que a humanidade precisa e que estaria sempre disposto a minar o mal da terra com sua força policial, o Death Note.

Suas intenções, dependendo do ponto de vista eram boas, mas corrompido pelo poder ele caminhou rapidamente para um estado de totalitarismo, e sim, é isso o que acontece quando o Estado tem poder demais.

O poder concentrado nas mãos de Light despertou nele uma característica natural e primitiva do homem, o desejo pelo controle.

Não é atoa que genocídios aconteceram e acontecem. Não é atoa que regimes totalitários se levantaram ao longo da história. Cada um foi sua própria versão de Light Yagami, dotado de senso próprio de justiça e, para construírem um “mundo melhor”, usaram suas próprias versões do Death Note.

Um adendo importante. Na trama, ao perceberem que “milagrosamente” os criminosos estava morrendo, parte do povo passou a apoiar light, neste estágio já chamado pelo pseudônimo de “Kira”, adaptado do inglês “killer” que quer dizer “assassino”.

Esta é a hora de te chocar com uma verdade que não te contaram

Hitler não era Alemão e sim Austríaco e foi nomeado Chanceler da Alemanha pelo seu partido, como diria Marina Silva, “democraticamente”.



O Holocausto foi um estágio extremo que sucedeu a partir de um anseio não admitido pelo povo alemão: influenciados pelas ideias anticapitalistas, eles passaram a crer que os Judeus eram um problema pois de certa forma eram pujantes no mercado Alemão/Austro-Húngaro.

A história revela, o povo alemão apoiou e deu ao Reich o poder de acreditar ser uma espécie de deus e como tal, deliberar sobre o povo, julgar o que fosse certo ou errado e também a punir severamente seus opositores.

Já estou acabando mas rapidamente quero falar sobre “L”, o detetive e rival de Light.

Tão inteligente quanto Light, “L”, episódio após episódio desafia a inteligência do seu rival, chegando ao ponto de se aproximar e revelar a própria identidade a fim de provar que Light não é o deus que pensa ser.

O que nos leva a concluir que a melhor forma de evitar o totalitarismo é indo em direção a  sua opositora, a liberdade.

Quando pensamos em descentralização, não devemos limitar nossa compreensão a eliminar o “middle man” em operações financeiras e encurtar as pontas, mas sim que ela é uma ferramenta de busca da liberdade, que se conquista quando as pessoas passam a assumir a responsabilidade por seus atos, não transferem a instituições como o Estado o poder de deliberar sobre suas vidas e quando não seguem “modelos prontos” de sociedade perfeita idealizadas por pessoas imperfeitas.

O totalitarismo é a exata expressão da ausência de liberdade e cessar a liberdade é um crime contra a humanidade.