O evento Blocktrends, promovido pela QR Capital e Tezos, aconteceu ontem (27 de agosto) e reuniu reguladores e investidores no luxuoso Teatro XP Investimentos, localizado no Jockey Club – Gávea, Rio de Janeiro.

O evento foi feito para aproximar os reguladores do governo brasileiro para conversar sobre blockchain e meios de pagamento. Uma boa parcela das palestras focou em regulação do setor de fintechs e exchanges de criptomoeda. Os palestrantes mostraram grande entusiasmo com o sandbox regulatório da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O que é o sandbox regulatório?

A palestra do superintendente da CVM, Antonio Carlos Berwanger, detalha o funcionamento desse sandbox. Empresas com modelo de negócio inovador podem se eleger ao sandbox, onde serão acompanhadas de perto pelo regulador para entender melhor os riscos, no caso, o regulador terá acesso aos dados.

As empresas participantes do sandbox podem solicitar ausência de regulamentação ou permissão para exerção das atividades selecionadas pelo prazo de 1 ano, com o prazo prorrogável por 1 ano.

Através do sandbox, o regulador espera entender melhor o funcionamento de novas tecnologias e capacidade de dimensionar riscos e impacto de sua implementação em mercados regulados. Ele espera aprimorar os processos de normatização e supervisão.

Segundo Berwanger, essa sandbox é favorável para várias empresas que desejam empreender com blockchain e criptomoedas. Criando um ambiente mais favorável e seguro para inovação e competição de serviços financeiros.

BNDES conclui que blockchain possui potencial

Vanessa Almeira, Head de Blockchain do BNDES expôs o trabalho feito pelo BNDES no teste e no estudo da tecnologia Blockchain na rede Ethereum.

Foram feitas duas provas de conceito, era importante testar a tecnologia com clientes do BNDES. Primeira prova de conceito truebudget é utilizada no Fundo Amazonia, ela faz operações não reembolsáveis para combater o desmatamento.

Para fazer essa infraestrutura, foi utilizada uma multichain, tecnologia de blockchain permissionado. Já o BNDES token desenvolvido internamente, utiliza a rede do ethereum, sendo portando um Token ERC-20.

O Truebudget é o logbook do dinheiro. Cada passo do dinheiro é registrado na blockchain e compartilhada entre os doadores do Fundo Amazônia. Já existe um nó na Alemanha e o BNDES pretende colocar um nó de rede na Noruega. Os dos países são os principais doadores do fundo.

A segunda prova de conceito foi o BNDES token. Vanessa ressaltou que não acontece transferência de fiat money. Nesse caso o BNDES libera o token e os clientes passam para o fornecedor e os fornecedores podem resgatar o token no BNDES.

A primeira aplicação foi realizada no Estado do Espírito Santo e com a Ancine. O bndes é um token erc-20 e cada unidade tem o valor de R$ 1 e simplifica o andamento do projeto.

O BNDES token é monitorado em um dashboard, a ideia é abrir os dados para toda a sociedade e permitir a rastreabilidade das transações. O dashboard é integrado no blockchain do ethereum.

Vanessa argumentou que não bastava criar um token erc-20, era preciso ter um token identificado pela necessidade conhecer as partes envolvidas nas transações. Para isso, foi criada uma solução ligando o CNPJ à chave publica, o endereço.

As provas de conceito foram executadas em 2018 e foi lançada uma consulta pública para o mercado. Era preciso ouvir o mercado e entender melhor outras soluções. Vanessa contou que apareceram 19 soluções rodando em 10 plataformas diferentes. 

O BNDES token está em fase piloto integrado com a Ancine. Para Vanessa, o desafio é sair da fase de piloto e ir para a operação em escala. Os maiores desafios são aspectos jurídicos e contábeis e a indefinição sobre as propriedades do Token.

Além disso, é preciso criar um modelo financeiro para incentivar todos os agentes da rede a usar BNDES tokens. A conclusão foi que a tecnologia tem potencial na redução de custos com auditoria e transparência em pagamentos não reembolsáveis.

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