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Finanças e criptoativos: Qual o retorno do bitcoin? Mercado

Finanças e criptoativos: Qual o retorno do bitcoin?

Quanto rendeu o dinheiro de quem comprou bitcoin? Veja o retorno e volatilidade desta criptomoeda.

Rafael Lemos
Rafael Lemos

Como mencionado em nossa série “Bitcoin e Investimentos”, o bitcoin não rende juros ou dividendos, diferentemente de aplicações em renda fixa ou ações, por exemplo. Neste sentido, 1 btc sempre será 1 btc, independentemente de quanto tempo você o guarde.

Pensando por este lado, o bitcoin possui mais características em comum com o ouro, por exemplo, do que com ações. O ouro é um bem escasso, assim como o bitcoin, e se você comprar 1 barra de ouro, ela sempre será 1 barra de ouro. O ouro é reconhecido como uma boa reserva de valor, e a opinião de muita gente é que o bitcoin também cumpre bem esse papel, sendo chamado por alguns de “ouro digital”.

Assim como em qualquer outro mercado, é possível especular com o ouro e bitcoin. Ambos possuem suas cotações de mercado, que são determinadas pela lei da oferta e demanda. O intuito deste texto é calcular o retorno mensal do bitcoin.

Obviamente é impossível prever o retorno que o bitcoin dará, mas podemos analisar o histórico de preços e retornos passados para definir seu retorno médio e sua volatilidade (representada pela dispersão – desvio padrão – dos retornos em relação à média).

RETORNO E VOLATILIDADE

Caso você já tenha intimidade com estes termos, pode pular e ir direto para análise de dados.

O retorno basicamente é a valorização que o bem teve em determinado período de tempo. No caso, analisaremos o período de 1 mês. Para calcular o retorno líquido:

retorno do bitcoin

Onde ri= retorno líquido, Vf = valor final (cotação do bitcoin no momento da venda), Vi = valor inicial (cotação do bitcoin no momento da compra).

O retorno médio é o somatório de ri dividido pela quantidade de observações:

retorno do bitcoin

A volatilidade, por sua vez, é uma medida de dispersão dos retornos em relação à média. No caso, a volatilidade será mensurada através do desvio padrão (σ) dos retornos em relação ao retorno médio:

retorno do bitcoin

ANÁLISE DE DADOS

Os dados analisados foram retirados do Yahoo Finance, desde julho/2010 até o dia 24/abril/2018, e filtrados na frequência mensal, já que o objetivo é determinar o retorno mensal médio do bitcoin.

O primeiro passo para calcular o retorno mensal médio é medir o retorno mensal de cada um dos períodos. Como o histórico é desde 2010, ao todo são 94 observações de retorno mensal. Plotei os dados em um gráfico para a visualização ficar melhor:

retorno do bitcoin

O eixo X representa as datas e o eixo Y representa o retorno mensal, em percentual, do bitcoin. Podemos perceber que o ponto mais alto no gráfico é próximo ao ano de 2014, onde o retorno mensal do bitcoin ultrapassou a marca dos 400%.  Para ser mais preciso, este foi o retorno do bitcoin do dia 30/09/2013 até o dia 01/11/2013, onde a cotação saiu de 211,16 dólares para 1205,66 dólares, apresentando um retorno líquido de 470,94%.

Aplicando os retornos obtidos à fórmula do retorno médio, chegamos ao número 0,237309045, o que indica um retorno médio de aproximadamente 23,73% ao mês. Atenção: este resultado não significa que o bitcoin valorizará 23% todo mês, esta é uma mera análise do histórico de comportamento do ativo.

O desvio padrão é responsável por mostrar como os dados de retornos anteriores se comportam em relação à média, ou seja, quais seus desvios em relação à média. Como já podemos observar pelo gráfico, há uma discrepância muito grande entre os retornos mensais do bitcoin. Ao calcular, o resultado obtido é σ = 0,70695476361, indicando que o comportamento esperado destes retornos é de ±0,70695476361 em relação à média de 0,237309045. 

retorno do bitcoin

Através destes dados é possível constatar que, apesar de apresentar um retorno médio mensal extremamente alto, o bitcoin também se mostra um ativo com alta volatilidade, como podemos observar pela dispersão dos retornos mensais em relação à média, tanto no gráfico quanto no valor de seu desvio padrão. Diante disto, faz sentido reforçar que bitcoin é um ativo de altíssimo risco, mas que faz total sentido entrar em seu portfólio de investimentos na hora de diversificação.  

Rafael Lemos
Rafael Lemos

Estudante de Economia, com grande interesse por finanças. Dedico boa parte do meu tempo a projetos relacionados à Criptoeconomia. Atualmente trabalho na Foxbit, na produção de conteúdo.

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