Os enormes gastos decorrentes da pandemia do coronavírus estão elevando as já altas dívidas públicas dos governos para cerca de 100% do PIB mundial. Porém, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), esse aumento deve ser um fenômeno único caso o crescimento econômico seja retomado em 2021.

O monitor fiscal do FMI apontou que o défice anual dos governos saiu de 3.9% do PIB em 2019 para 12.7% em 2020. “O que vemos é um salto da dívida em 2020, após isso uma estabilização depois de 2021 e até uma ligeira tendência de queda em 2025”, disse o diretor de assuntos fiscais do FMI, Vitor Gaspar.

Apesar das dívidas elevadas, as baixíssimas taxas de juros e uma possível retomada da economia podem ajudar os governos a reverem o equilíbrio fiscal. A Inglaterra recentemente anunciou a possibilidade de uma taxa bancária de juros negativa. Já o crescimento econômico pode não ocorrer com a velocidade esperada pelos governos. O famoso investidor Raoul Pal não tem uma posição tão otimista sobre o assunto:

“Não há estímulo por aí e temos mais problemas por vir na Europa, nos Estados Unidos e em outros lugares. E as empresas não têm fluxo de caixa suficiente, estão fechando em massa.“

O investidor recomenda a compra de ativos que possam servir como porto seguro em um momento de crise. Pal revelou que a maior parte do seus investimentos estão alocados em bitcoin e ouro.

Aparentemente, os governos não têm interesse em reduzir os gastos para conter as suas dívidas astronômicas. No Brasil, para pagarmos a dívida pública, cada brasileiro deveria desembolsar cerca de 30 mil reais. E essa métrica deve continuar crescendo visto que não há nenhuma perspectiva de curto ou médio prazo para redução -significativa- dos gastos da máquina pública.

Em meio ao desequilíbrio fiscal, ativos escassos, como ouro, prata e bitcoin tiveram ótimos desempenhos no ano de 2020. Eles podem ser uma boa reserva de valor em um possível calote em massa, ou em um cenário onde governos imprimem papel moeda descontroladamente para pagar suas dívidas.


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