Crispin Odey, gerente de um bilionário fundo de hedge, disse que os governos podem proibir a propriedade privada de ouro se perderem o controle da inflação após a crise do coronavírus.

Em uma carta aos investidores vista pela Bloomberg, Odey escreveu:

“Não é surpresa que as pessoas estejam comprando ouro. Mas as autoridades podem tentar, em algum momento, desmonetizar o ouro, tornando ilegal a posse de um indivíduo privado”

“Eles só farão isso se sentirem a necessidade de criar uma unidade de conta estável para o comércio mundial”.

Odey é um crítico de longa data das políticas do banco central e aumentou a posição de ouro em seu principal fundo da Odey European Inc. durante o mês de abril.

As participações em futuros de ouro de junho representavam 39,9% do valor do patrimônio líquido do fundo no final do mês, ante 15,9% no final de março.

Uma participação na Barrick Gold Corp., a segunda mineradora de ouro do mundo, era sua maior posição acionária. O fundo, que ganhou 21% em março, caiu 9,5% em abril, segundo a carta.

O governo pode tomar seu ouro?

O medo do confisco do governo é um tema comum entre alguns dos mais fervorosos apoiadores do ouro, que apontam para precedentes as compras forçadas do governo dos EUA de propriedades privadas de ouro em 1933.

O preço do ouro subiu de US$ 20,67 a onça para US$ 35, onde permaneceu até os EUA encerrarem o padrão-ouro em 1971.

Hoje, com as principais moedas não mais lastreadas em ouro, não há indicação clara de que governos ou bancos centrais estejam considerando repetir essa ação.

Odey, que já havia comparado a atual pandemia à Grande Depressão da década de 1930, argumentou que os bancos centrais deixariam de conter a inflação à medida que a economia se recuperasse do impacto dos lockdowns.

“A história está cheia de exemplos em que os governantes, em momentos de crise, recorreram à degradação da moeda”, escreveu ele.

Odey não está sozinho em apostar que o ouro se beneficiará de uma possível inflação alta seguindo a crise do coronavírus, embora as medidas de mercado sobre as expectativas de inflação mostrem que isso está longe de ser consenso.

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A inflação alta prejudicaria títulos de longo prazo e ações de crescimento, previa Odey, citando previsões de taxas de inflação de 5% a 15% em 15 meses.

“Espero que as autoridades combatam essas tendências predominantes em cada centímetro do caminho, mas não espero que ganhem essa luta”, escreveu ele.

Odey é conhecido por suas perspectivas de bear market. Em 2016, ele previu que uma possível recessão após a votação do Brexit poderiam levar as ações do Reino Unido a caírem 80%.