Atenção! Este é um assunto sério (Escola sem partido), delicado e precisa ser despido de olhos apaixonados, dando alguns passos atrás, analisado cautelosamente e principalmente fugindo das histerias de militantes mimados em redes sociais.

A polêmica da Escola Sem Partido

No dia 4 de janeiro de 2019, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) protocolou uma nova versão “melhorada” de aplicação do que ficou conhecido no passado como “Escola sem Partido”.

O upgrade conta com a possibilidade de gravações de aulas pelos alunos, proibição de gremistas fazerem atividades político-partidárias e também permissão para fazerem denúncias anônimas.

Mas, o que raios é “Escola sem partido”?

Escola sem partido:Antes de tudo, é preciso saber que este movimento não propõe algo novo ou totalmente diferente do que já é obrigação dos professores em sala de aula, segundo a Constituição Federal.


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Tem como objetivo então, a conscientização dos alunos – por meio de cartazes fixados nas salas – em escolas públicas sobre essas obrigações e dar a eles mecanismos para se protegerem das possíveis (e certeiras) ideologias que venham porventura serem ensinadas.

Antes de eu explicar os prós e contras dessa iniciativa, por favor alguém demita o departamento de marketing que inventou este nome!

Já teci críticas à nomenclaturas mal elaboradas que denotam uma outra imagem à qual originalmente deveria, como por exemplo o anarcocapitalismo, que ao meu ver e de mais alguns deveria se chamar “voluntarismo”.

(Ancaps, não me odeiem por isso. Concordo com quase 100% do que vocês defendem mas o nome é realmente terrível).

Primeiro passo atrás – Não adianta negar o óbvio

Ainda existem, em 2019 pessoas que acreditam religiosamente não haver o que é popularmente conhecida como “doutrinação” nas escolas, que basicamente consiste no ensino com viés ideológico esquerdista.

Coloque nesse bolo canhoto Foucault, Marx, Lenin, Gramsci, Trotsky, Engels, Che Guevara, Luta de classes, Proletariado, Coletivismo etc. Toda uma cartilha pronta criada com o claro objetivo de pregar apenas uma verdade e fazer com que o aluno entre na universidade já com a cabeça feita.

Sim, isso faz parte da estratégia de marxismo cultural e não, não vou explicar isso agora.

Mas vale dizer que não é novidade o fato de que o ensino público principalmente universitário se tornou um dos ambientes mais deturpados, para não dizer perdidos do Brasil, uma fábrica de Imbecilização.

Essas afirmações obviamente não representam TODOS os professores, mas posso afirmar que vim de escolas públicas e vez ou outra me aparecia algum inimigo do capitalismo malvadão com meia dúzia de jargões e frases feitas sobre o período militar querendo emboscar alunos com ideias torpes e argumentos cíclicos.

Se alguém nega veemente que isso não acontece, das duas uma: ou não faz ideia do que se trata ou age de má fé.

Segundo passo atrás – o método de imbecilização

Paulo Freire é por lei desde 2012 (ou seja pelo estado, não pelo povo) o patrono da educação Brasileira. Nos anos 1960 ganhou notoriedade pelo seu método de ensino com adultos, depois foi exilado, voltou nos anos 1980 auxiliando a criar o Partido dos Trabalhadores e em 1989 foi secretário da educação da então prefeita Luiza Erundina.

A partir dele popularizou-se o Construtivismo, que de tão flutuante se torna algo que nem os Construtivistas conseguem explicar.

Na prática, pressupõe que o conhecimento é “construído” a partir de um certo nivelamento intelectual ou social (autoridade) entre alunos e, neste caso, professores. Juntos encontrarão a solução mais correta para cada problema, relativizando o conhecimento.

Diferente de Vygotsky, o idealizador dessa corrente com inúmeras coletas de dados e propostas de melhor aproximação das limitações de aprendizado dos alunos para melhorá-los, Freire utilizou do artifício para disseminar a relativização do conhecimento.

Nos ditados populares se resumiria no dito: “nem melhor, nem pior. Apenas diferente”. É como se alguém não saber a tabuada do 3 não o fizesse “não saber a tabuada do 3”.

Então o problema da educação no Brasil tem nome e se chama Paulo Freire, correto? ERRADO!

Freire tem culpa sim no cartório por uma cópia mal feita da metodologia de Vygotsky, mas se analisarmos, durante e depois do período militar o Brasil passou por décadas de ministros da educação sendo a maior parte com ministros do PFL, hoje DEM e a menor parte com ministros do PT.

Isso significa que o buraco vem sendo cavado a muito tempo por aliados e opositores.

Gosto muito deste vídeo do professor Pierluiggi Piazzi pedindo aos professores para valorizarem suas aulas e dá um show sobre os efeitos nocivos desse tipo de pedagogia:

Terceiro passo atrás – Não é o momento para esta discussão

(Esta é a hora que as pessoas me xingam de todos os nomes). Sim, é importante o debate sobre este assunto mas não, este não é o momento e arrisco dizer, não é a época também.

Convenhamos, há inúmeras universidades que usam como vestibular uma simples redação de 20 a 25 linhas sobre um tema de escolha do redator, ou que usam o pior score do ENEM como filtro para admissão dos seus alunos.

Por que? Porque o aluno sai do ensino médio um analfabeto funcional! Não sabe o básico de interpretação de texto, equação do segundo grau, não vive sem uma calculadora e tem mais saudade das aulas de educação física do que de matemática ou português.

Ah! Mas são matérias chatas! Quem preferiria Matemática e Português a Educação Física?

É justamente esta a mentalidade limitada que dá liberdade de atuação a professores e por que não dizer também alguns alunos, de literalmente pregarem em salas de aula.

O mercado não está errado em aproveitar a oportunidade para lucrar, afinal, para todo semiletrado que o estado formou, haverá sempre uma vaga de ensino “superior” com matrícula grátis ou um programa de financiamento estudantil em 150 anos.

Pergunto: Os idealizadores do projeto escola sem partido realmente acreditam que o problema maior é o fato de professores humanas/sociais empurrarem Gramsci goela abaixo dos alunos?

Será mesmo que nossos alunos saem tão bem preparados assim do ensino fundamental e médio ao ponto de enxergarmos a doutrinação nas escolas como o pior mal que lhes pode acontecer? Porque é o que parece!

Quarto passo atrás – Por que foram criadas as escolas?

As escolas foram criadas para que as crianças, que são o futuro do nosso país tivessem as ferramentas necessárias para se desenvolverem, se tornarem  adultos responsáveis, produtivos e devolvessem à sociedade o “benefício” que o estado deu a elas. Correto? ERRADO!

A doutrinação em escolas nada mais faz do que cumprir o seu papel original (das escolas) que em sua origem era:

– Domesticar a sociedade no período imperial;
– Doutrinar de forma a controlar o pensamento para evitar rebeliões;
– Garantir que houvessem pautas formatadas, exatas e absolutas sobre a história que seriam ensinadas como únicas e suficientes verdades.

E ponto! As escolas foram criadas para evitar que a população saísse do controle de quem estivesse no controle. Ou você acha realmente que o clero europeu ficava muito feliz com as revoltas populares?

Quando digo que a coisa vai além do partidarismo nas escolas me refiro a todo o histórico das escolas, do conceito de escola, da finalidade, do propósito das escolas. É preciso olhar para o passado e entender que o que vemos hoje como um problema já foi previamente planejado.

Quinto e último passo atrás – A Ordem da Fênix e Escola sem Partido

Se não se interessa pela série Harry Potter, somos dois. (Todo respeito aqui aos fãs do bruxinho). Em Harry Potter A Ordem Da Fênix, um episódio muito interessante acontece.

O ministério da magia começa um plano forte de censura. Afastam alguns professores, aplicam regras e limitam as matérias que os alunos precisam para o dia-a-dia e que seriam úteis na luta contra o Lord Voldemort.

A ação das crianças:Criar uma segunda escola dentro da escola existente para ensinar o que realmente deveria ser ensinado

A ação do Ministério: Travar uma guerra contra professores e alunos

Este é o ponto central e que melhor ilustra minhas observações quanto ao projeto “Escola sem Partido’. No filme, o ministério da magia seria o estado querendo controlar e ditar o que as crianças podem ou não aprender.

E ao contrário do que possa parecer, na vida real o ministério da magia não seriam os professores pregadores das próprias opiniões.

O problema de colocar um cabresto em um cavalo não é o foco que ele passa a ter no que lhe vem adiante, e sim o foco que ele perde do que lhe vem pelos lados.

Por mais absurdas e facilmente refutáveis que sejam as idéias Marxistas, é importante que as conheçamos tanto quanto suas antagonistas. Não seria possível dizer isso se eu não as conhecesse!

Acredito sim que há a necessidade de uma certa fiscalização do que é “ensinado” nas escolas uma vez que nossos filhos estão lá, e ainda que sob a tutela provisória de um professor, a responsabilidade de zelar pela sua integridade ainda é dos pais.

O que não acredito é que isso deva acontecer ao preço de censura. Não é a limitação do conhecimento que fará um jovem mais preparado para a vida e sim um grande leque de opções.

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