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Economia

Inflação volta a ser assunto na Alemanha

Dados preliminares para este mês de julho mostram que o CPI (Consumer Price Index, ou Índice de Preços ao Consumidor, uma espécie de índice de inflação) na Alemanha deve vir acima do esperado de 3,3% e fechar em 3,8% (ano a ano), segundo o Federal Statistical Office (FSO) alemão. Abaixo, dados com as prévias das leituras de julho de 2021 de alguns dos índices mais importantes:

Segundo o FSO, esse aumento na taxa de inflação em julho é causada, em particular, por um efeito básico: desde janeiro de 2021, as taxas de IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) de quase todos os bens e serviços voltaram aos níveis anteriores aos do começo do ano passado, quando elas foram temporariamente reduzidas em julho de 2020 devido à crise do coronavírus.

Se confirmado, os resultados finais a serem divulgados em 11 de agosto de 2021 podem mostrar o maior valor desde o período pós-reunificação alemã. Apesar de 3,8% não representar um valor que assuste, a Alemanha é tradicionalmente cautelosa com a inflação por razões históricas. Assim como o Brasil, o país europeu já sofreu bastante com a alta descontrolada da inflação décadas atrás. A hiperinflação extrema no início dos anos 1920 devastou a economia, e isso alimentou a instabilidade política na incipiente República de Weimar, que precedeu o regime nazista.

A inflação na República de Weimar

A foto em destaque mostra duas crianças alemãs empinando uma pipa feita de dinheiro que, durante a hiperinflação de 1923, valia tão pouco que era utilizado para outras coisas. Existem relatos e fotos de pessoas acendendo fogueiras com a moeda alemã da época, já que sairia mais barato queimar cédulas do que lenha.

A hiperinflação é descrita como “um caso extremo de desvalorização monetária tão rápida e fora de controle que os conceitos normais de valor e preços não fazem mais sentido”.

O que aconteceu foi que, com a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a hoje designada “República de Weimar” possuía dívidas enormes. Com os volumosos custos para reconstruir o país, o governo decidiu não pedir dinheiro emprestado a outros países, e começou a imprimir grandes quantias da moeda local, o marco, para pagar as dívidas, que eram atreladas a moedas mais fortes.

Em 1917, a proporção era de 100 marcos para 1 onça-ouro. Durante um período de estabilização de aproximadamente seis meses em 1920, 1400 marcos alemães foram iguais a 1 onça-ouro.

Em julho de 1922, o marco alemão caiu para 300 marcos por US$ 1. Em meados de novembro de 1923, chegou a atingir 2,5 trilhões de marcos para cada US$ 1, variando de cidade para cidade.

À medida que se imprimiam novos marcos, eles perdiam mais valor. Quando a Alemanha não quitou o que devia em 1923, tropas francesas e belgas ocuparam o vale de Ruhr (centro industrial alemão), interrompendo parte da produção, para exigir o pagamento da dívida em moedas fortes.

Em outubro de 1923, a inflação havia disparado para 29.500% ao mês, com preços duplicando a cada 3 ou 4 dias. Uma onça de ouro em 1920 equivalia a 1.400 marcos alemães. Três anos depois, a mesma onça de ouro estava avaliada em 20.000.000.000.000 de marcos alemães.

No auge do período hiperinflacionário do país, uma nova unidade monetária foi instituída em outubro de 1923, o “marco seguro” (retenmark), com a equivalência de 1 rentenmark por 1 trilhão de marcos-papel, e a conversibilidade em ouro.

O então político alemão Hjalmar Schacht, em sua biografia lançada em 1953, observou que: “A introdução do rentenmark só foi possível porque o governo e o banco central prometeram que a cédula de papel seria conversível em ouro sempre que o portador assim exigisse”.

A nova moeda foi recebida ansiosamente pela população, que não possuía outro meio de pagamento estável para realizar suas operações cotidianas. Os preços se estabilizaram mais, e os credores da Alemanha concordaram em renegociar as dívidas de guerra.

Dentre os fatores decisivo que contribuíram para o controle da inflação nos anos seguintes, estão a restrição imposta ao Reichsbank de emitir novas moedas, ao mesmo tempo em que foi imposto um rígido limite aos gastos governamentais e das empresas cuja dependência do Reichsbank de capital de giro era um dos fatores que impulsionavam a inflação.

Dinheiro de papel, produzido “do nada” e injetado na economia por meio do crédito bancário, gera inflação de preços, distorce os investimentos, e ocasiona um endividamento excessivo da população. Assim que a população começa a sofrer as consequências do alto endividamento, o crédito bancário é reduzido, e a economia entra em recessão. É um ciclo.

No atual momento de juros baixos em várias das maiores economias do mundo, a expansão do crédito unida ao endividamento crescente começa a trazer desafios que, de certa forma e guardadas as devidas proporções, seguem a direção daqueles observados na República de Weimar, 90 anos atrás. Se na época eles recorreram ao ouro, será o Bitcoin uma alternativa agora?

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