Em um movimento inédito para o mercado de criptomoedas, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu publicamente a necessidade de regular o uso das moedas digitais descentralizadas como o Bitcoin.
A declaração ocorreu neste sábado (21), durante a X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizada em Bogotá, na Colômbia. O discurso oficial do presidente foi lido aos líderes da região pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Esta é a primeira vez que Lula aborda o tema das criptomoedas de forma tão direta em um fórum internacional, conectando a regulação da tecnologia à segurança pública e à estabilidade geopolítica de todo o continente.
Criptomoedas e o combate ao Crime Organizado em destaque no discurso de Lula
O eixo central do discurso presidencial foi um chamado à união da América Latina e do Caribe contra a polarização e as pressões de potências estrangeiras.
No entanto, o tom subiu quando o texto abordou a ameaça do crime organizado transnacional.
Lula enfatizou que uma região politicamente desarticulada é o cenário perfeito para o fortalecimento das facções criminosas.
Segundo o presidente, para destruir essas organizações, é preciso asfixiar toda a sua cadeia de comando e, principalmente, a sua estrutura financeira em nível global.
Foi neste contexto que o presidente brasileiro cravou a necessidade de regulação do setor cripto. “Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vêm de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas“, afirmou Lula no texto lido pelo chanceler.
O presidente alertou aos demais chefes de Estado que “ações pontuais geram resultados momentâneos” e que apenas o fortalecimento e a integração das instituições governamentais poderão garantir soluções duradouras contra o crime.
Projeto de Lei Antifacção no Brasil
Para ilustrar o endurecimento do Estado contra o crime financeiro e violento, o discurso citou as movimentações internas do Brasil.
Lula destacou o “Projeto de Lei Antifacção”, uma iniciativa recente do seu governo que visa criar novos instrumentos legais para as forças de segurança.
A proposta busca acelerar as investigações da Polícia Federal, asfixiar o braço financeiro das facções — que, como o próprio presidente indicou, utilizam métodos complexos de lavagem de dinheiro e criptoativos — e endurecer a punição para grupos com atuação interestadual e internacional.
Soberania tecnológica e minerais críticos
Além da segurança pública, o discurso do presidente brasileiro abordou a soberania tecnológica da região, alertando sobre o perigo da “manipulação de algoritmos e a produção de conteúdos falsos por inteligência artificial“, que ameaçam as democracias locais.
Lula também chamou a atenção