O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realizaram na última semana um curso avançado focado na recuperação de ativos e no combate à lavagem de dinheiro.
O evento, que ocorreu em Belo Horizonte entre os dias 17 e 19 de março, integrou o Programa Nacional de Capacitação e Treinamento (PNLD).
O encontro reuniu cerca de 200 agentes públicos de toda a região Sudeste do país com um objetivo central e atualizado debater e traçar estratégias contra crimes cibernéticos, uso ilícito de criptomoedas e fraudes envolvendo apostas de cota fixa, as populares “bets“.
Desafios do ambiente digital e recuperação de ativos
A iniciativa foi conduzida pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) em conjunto com o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI).
A meta do programa era transformar os participantes em verdadeiros multiplicadores de metodologias de investigação para otimizar o uso de recursos públicos.
Durante a abertura do evento, a promotora de Justiça e coordenadora do Caoet, Janaína de Andrade Dauro, ressaltou que o módulo propôs um espaço de reflexão voltado aos desafios contemporâneos da criminalidade no ambiente digital.
A promotora destacou que a conjugação de esforços interinstitucionais é a única forma eficaz de desarticular essas organizações e transformar os prejuízos causados à sociedade em novos investimentos públicos.
O procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, reforçou o grave impacto social da corrupção, que drena recursos vitais da saúde e da educação.
Para ele, a capacitação contínua dos profissionais envolvidos na prevenção e repressão foi um passo essencial discutido no encontro para garantir um rastreio mais proativo do dinheiro sujo.
Ações prioritárias para 2026 e o cerco ao capital ilícito
A cúpula também serviu para o alinhamento das diretrizes da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).
A coordenadora de estratégias da Senajus, Maria Beatriz Pereira dos Santos Amaro, detalhou as dez ações prioritárias do órgão para o ano de 2026.
Além do alerta sobre o ecossistema cripto, a especialista pontuou que o Estado busca asfixiar a inserção do crime em cadeias lícitas da economia tradicional.
O radar das autoridades inclui o fortalecimento da prevenção à lavagem no comércio internacional e a fiscalização de setores estratégicos, como o imobiliário, o de combustíveis, a mineração e o mercado de artes e antiguidades.
Para ilustrar essa intersecção, o encontro contou com a exposição cultural “A fraude ilustrada Os crimes contra a ordem econômica à luz da arte”, sediada na Faculdade de Educação Artística (FEA).
O encerramento da capacitação ocorreu no icônico