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Moeda Digital da China é uma ameaça diz chefe do Serviço de Inteligência do Reino Unido

moeda digital da china

O chefe da Government Communications Headquarters (GCHQ), uma das três grandes agências de inteligência no Reino Unido, levantou preocupações em relação à China e sua moeda digital.

Sir Jeremy Fleming afirmou que o CBDC chinês, já existente, poderia ser usado para coletar informações dos usuários e, hipoteticamente, para controlar e filtrar (censurar) transações globais.

O que diz a inteligência britânica sobre a moeda digital chinesa

Sir Jeremy Fleming, chefe da GCHQ, uma das maiores agências de inteligência do Reino Unido, alertou sobre possíveis efeitos negativos nas transações globais relacionadas à adoção do do yuan digital.

Fleming afirmou que se a moeda se estendesse a outros países e outras instituições ou indivíduos a usassem como os chineses, isso poderia ter um efeito negativo na saúde do sistema financeiro. Ele disse:

“Se implementado incorretamente, dá a um Estado hostil a capacidade de vigiar as transações. Isso dá a eles a habilidade(…) de ser capaz de exercer controle sobre o que é conduzido nessas moedas digitais.”

O GCHQ tem a responsabilidade de proteger as informações do Reino Unido e coordenar a defesa cibernética do país em caso de ataque.

Moeda digital da China nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim

Do dia 04 ao 20 de fevereiro de 2022 acontecem os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim (Olimpíada de Inverno de 2022).

A China já vem comunicando que pretende utilizar sua nova moeda digital como método de pagamento alternativo para os jogos.

Isso pode fazer com que estrangeiros também precisem instalar e usar as carteiras de Yuan digital para pagar por bens e serviços durante o período do evento.

A preocupação de Sir Jeremy Fleming se dá, principalmente, porque a China já é o país mais avançado no desenvolvimento de uma CBDC (Moeda Digital do Banco Central), enquanto outros países possuem apenas projetos relacionados.

Ele afirma que a China está investindo forte na tecnologia, abertamente e secretamente. O que levanta questões de preocupação sobre a operação das moedas digitais em um contexto digital ainda pouco estudado e conhecido.

“Ainda falta uma estrutura para administrar esse tipo de moeda globalmente, e Pequim não mostrou intenções de colaborar com outros países no que se refere a essa questão.” No entanto, Fleming destacou a importância do comércio aberto e da colaboração entre as duas nações.

As moedas digitais controladas por Bancos Centrais podem ser um problema

A criação das moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs) é uma resposta direta ao avanço tecnológico do sistema monetário e financeiro promovido pelo surgimento da Blockchain e do aumento de popularidade do Bitcoin e outros ativos digitais descentralizados.

Com o advento da blockchain, os indivíduos conseguiram encontrar uma alternativa ao dinheiro controlado por bancos centrais, governos, grandes bancos privados e outras corporações financeiras que detinham controle do mercado financeiro.

As pessoas conseguiram encontrar soberania para seu dinheiro, sem precisar depender de intermediários, em uma rede não lastreada em confiança a órgãos centrais, mas a um conjunto de regras programadas (protocolo) e distribuída.

Na história política e econômica existem inúmeros casos de abuso do poder sobre o dinheiro por parte de governos e bancos centrais.

Monitoramento, congelamento de contas e fundos, confisco de propriedade, perda do poder de compra por políticas inflacionárias, cobrança de impostos abusivos direto na fonte, espionagem internacional, neutralização de recursos, etc.

Protocolos digitais descentralizados como Bitcoin, Ethereum, Monero e Nano oferecem proteções específicas contra esses problemas. São impossíveis de serem confiscados e censurados, a menos que o atacante possua as chaves privadas que abre a criptografia na rede.

A existência desses protocolos ameaça o controle de bancos centrais que, ao não estarem dispostos a abrir mão desse controle, passaram a desenvolver uma tecnologia de moeda digital, com a intenção de “competir” com o dinheiro digital descentralizado, mas são coisas completamente diferentes.

O objetivo das criptomoedas não é ser apenas moeda digital, mas ser moeda digital descentralizada e segura. O que não acontece em CBDCs como o yuan digital, na China, que não só continua sendo centralizada, como oferece ainda mais controle, vigilância e poder dos governos sobre as finanças e sobre o patrimônio das pessoas.

Em governos autoritários, como é o caso do chinês, através do PCC (Partido Comunista da China), esse controle é ainda mais grave.

O governo chinês pode, literalmente, diminuir o saldo das carteiras de pessoas que desobedecem suas leis ditatoriais.

A preocupação do chefe de inteligência do Reino Unido está no sentido de que esse controle pode expandir para outros países no mundo inteiro, com a realização dos jogos de inverno.

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