Uma batalha perdida

O maior esforço dos reis durante a idade medieval era transformar ferro em ouro. Eles estavam aprisionados à dura escassez que o ouro impunha diante de seus olhos. No entanto, com a evolução do dinheiro e das instituições que governam nossa sociedade, os governantes conseguiram o que queriam: o poder de criar ouro do nada através de dinheiro estatal.

Entretanto, eles não conseguiram necessariamente criar ouro do nada. Mas conseguiram encontrar algo melhor ainda: transformar papel sem valor em ouro. Através do sistema de reserva fracionária, os bancos puderam lentamente destruir todo aquele sistema monetário baseado em ouro e outros metais preciosos como bronze e prata.

Isso aconteceu porque não era tão simples e seguro armazenar metais preciosos para realizar transações no cotidiano. Era preciso ter confiança em um banco para realizar a custódia, ganhando um papel que poderia ser utilizado para resgatar o ouro. Depois que os bancos começaram a criar mais papel do que a quantia em ouro depositado, surgiu o sistema de reservas fracionárias, logo depois, as primeiras moedas lastreadas em ouro.

Nosso dinheiro atual nasceu de uma fraude

Os bancos começaram a emprestar mais dinheiro do que haviam em custódia, criando papéis sem valor. Quando os governos perceberam isso, viram uma excelente oportunidade para obter recursos de forma fácil e rápida. Não demorou muito até que surgissem os Bancos Centrais, com o monopólio da cunhagem e impressão de dinheiro dados pelo poder do governo.

De certa forma, uma moeda lastreada em ouro ainda requeria uma disciplina de bancos e governos: o resgate do ouro. O que aconteceria com a economia se todas as pessoas corressem para os bancos solicitando o resgate do seu ouro? O sistema monetário entraria em colapso de uma hora para a outra.

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De forma sagaz, o Nixon fez questão de cortar o lastro do Dólar com o ouro. Pela primeira vez na história o nosso dinheiro deixa de ser lastreado em algum bem físico. Para a felicidade dos bancos e governos, agora eles podem criar dinheiro do nada, que têm lastro em nada. Você me pergunta agora: se o dinheiro é tão ruim, por que as pessoas não usam outro?

As pessoas não usam outro dinheiro por causa da lei de curso forçado. Além de poder criar dinheiro do nada, os governos podem fazer as leis e te obrigar a usar o dinheiro definido por ele. Nesse momento eu tenho que admitir: foi uma jogada de mestre.

O confisco do ouro da população americana pelo governo foi um dos maiores roubos da história da humanidade. Todo aquele ouro tomado foi para os cofres do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), onde permanecerá estático por décadas nas mãos de um banco central privado.

A desmoralização do dinheiro estatal

Desde a criação do Federal Reserve, o poder de compra do Dólar caiu 95% ao longo das décadas, como você pode ver na imagem abaixo. O resultado, obviamente, não poderia ser tão previsível. Afinal, é isso o que ocorre depois de décadas de criação desenfreada de dinheiro a partir do nada. 

depreciação do dinheiro estatal

Enquanto isso, durante a crise de 2008, surge a primeira moeda digital da história: Bitcoin. Que é uma moeda lastreada em sua escassez legítima, segurança e semi-anonimato. É possível transformar o dinheiro estatal em Bitcoins e transferí-lo para qualquer pessoa do mundo em minutos a um custo muito baixo sem a necessidade de bancos. Sabe qual o melhor disso tudo? O Bitcoin é uma moeda que não tem dono e não é controlada por nenhum indivíduo, banco ou governo. 

Em maio de 2010, o Bitcoin foi utilizado pela primeira vez como um meio de troca, tendo seu preço estimado em menos de US$0,01. Em apenas 7 anos o mesmo Bitcoin comprava mais de US$19.000, com a correção no seu preço, ele compra aproximadamente US$6500. De 0 pessoas utilizando o dinheiro digital em 2009, ele chegou a quase 1% da população mundial em menos de 10 anos. Uma verdadeira humilhação para a moeda americana.

Depois do Bitcoin, surgiram uma infinidade de moedas digitais, como a Nano, que permite transações instantâneas e sem taxa. As pessoas em países pobres e com a moeda destruída como a Venezuela começaram a usar essas moedas para trocá-las por comida. Ou seja, ainda há dúvidas que as criptomoedas não são um sucesso?

A vitória das criptomoedas é inevitável

O dinheiro estatal é um dinheiro concebido através de fraude. É um dinheiro sem escassez, que pode ser criado a partir do nada graças ao sistema de reservas fracionárias. As consequências disso foram duas crises econômicas gravíssimas, a última delas (2008) quase levando o sistema monetário e financeiro ao abismo.

Esse sistema, por si só, é insustentável, porque ele cria ciclos econômicos de crise que se repetem indefinidamente. Você pode criar dígitos na conta de alguém, emprestando dinheiro indiscriminadamente, baseando o crescimento econômico em consumo sem poupança. Quando a taxa dos empréstimos é ajustada, começam a surgir os primeiros devedores, até que os bancos declarem falência, como ocorreu em 2008.

O ponto é simples: a conta não fecha. Com as criptomoedas isso não é possível, porque elas são um dinheiro escasso, porque as pessoas não precisam dos bancos, elas são donas de seu próprio dinheiro. Um dinheiro escasso impõe uma responsabilidade à todo sistema financeiro.

A questão não é mais se as criptomoedas vieram para ficar. O que devemos nos perguntar é: quando elas vão substituir nosso sistema monetário? A resposta para essa questão é simples: não levará muito tempo. A derrota das moedas estatais é simplesmente inevitável.

Se você quiser um motivo mais forte, veja o gráfico de adoção das tecnologias abaixo. A internet em pouco tempo mudou completamente a forma como vivemos em sociedade. Você ainda duvida que as criptomoedas vão mudar a nossa maneira de lidar com o dinheiro?

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