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O novo pulo do gato: por que o crime organizado está minerando Bitcoin com energia roubada      

 A descoberta de uma fazenda clandestina de mineração durante operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro não representa exatamente uma novidade, embora chame atenção pela escala. Casos semelhantes já apareceram em diferentes países, sempre com um elemento em comum: a mineração em si não é uma atividade ilícita, mas essas operações clandestinas quase sempre aparecem associadas ao furto de energia.

E a explicação, no fundo, é econômica.

Mineração de Bitcoin é, antes de qualquer coisa, um negócio de energia. Pelas imagens divulgadas, a operação aparenta reunir 32 máquinas compatíveis com mineração profissional. Dependendo do modelo, cada equipamento pode entregar algo entre 100 e 150 terahashes por segundo, unidade que mede a capacidade computacional dedicada à mineração. Em termos simples, isso representa quantas tentativas matemáticas por segundo essas máquinas fazem para disputar as recompensas distribuídas pela rede Bitcoin.

Mesmo considerando equipamentos usados ou adquiridos fora do mercado formal, trata-se de uma operação que exige capital relevante. Uma estrutura desse porte poderia facilmente representar investimento de algumas centenas de milhares de reais.

Somadas, essas 32 máquinas poderiam colocar a operação na faixa de 3 a 4 petahashes por segundo, um volume relevante de poder computacional. Dependendo da eficiência dos equipamentos, do preço do Bitcoin e da dificuldade da rede, uma estrutura desse porte poderia gerar algo entre R$ 60 mil e R$ 150 mil mensais em receita bruta, em estimativas naturalmente sujeitas à volatilidade do mercado.

Mas mineração não é um negócio em que receita bruta automaticamente se converte em lucro.

A principal razão está justamente na energia.

Uma operação desse porte pode consumir algo entre 80 kW e 100 kW continuamente, sem contar refrigeração e perdas auxiliares. Mantida ao longo de um mês, essa carga pode ultrapassar 60 mil kWh, algo compatível com o consumo de centenas de residências brasileiras.

Com tarifas comerciais urbanas, especialmente em um estado como o Rio de Janeiro, isso pode significar algo entre R$ 40 mil e R$ 80 mil mensais apenas em eletricidade.

Ou seja: em muitos cenários, a principal despesa da operação consome justamente a maior parte da receita.

Quando ainda entram manutenção, conectividade, reposição de máquinas e a própria volatilidade do mercado, a mineração legal deixa de parecer um negócio extraordinário e passa a ser uma operação de eficiência apertada, em que recuperar o investimento inicial pode levar bastante tempo.

É exatamente por isso que o furto de energia muda completamente a equação.

Não porque reduz um custo secundário, mas porque elimina artificialmente justamente a principal despesa do negócio.

Uma operação que poderia gerar lucro limitado, ou sequer compensar em determinados momentos de mercado, passa a operar com vantagem econômica b 

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