Gráficos, números, siglas, códigos, e moedas. Para quem não é do mercado financeiro, e às vezes até para quem está habituado a essa realidade, tudo isso pode ser um pouco intimidante e de pouco apelo. E muito se perde.

Eu poderia, e deveria, fazer uma mega introdução sobre esse assunto polêmico aqui, mas prefiro ir direto ao assunto: faltam pessoas no mercado das criptos! Calma, eu explico meu grito. Não estou falando de profissionais trabalhando, sei que eles existem. Falo da falta de cuidado, de ver as caras. Continua confuso? Eu contextualizo como caí nesse mundo e como meu olhar crítico, e muitas vezes chato, me fez ter essa percepção.

Eu iniciei no mundo de criptomoedas em dezembro de 2017 (“não compre na alta e nem venda na baixa”, eles disseram) e tudo ainda era muito novo pra mim. Já tinha ouvido falar de bitcoin e blockchain, claro. Afinal, trabalho com marketing e tecnologia há mais de 10 anos. No entanto, prevalecia aquele receio clássico que conhecemos na hora de investir qualquer dinheiro em algo que, pra mim, parecia tão complexo.

Após alguns dias imersos no mundo das criptos, decidi colocar meus primeiros reais e comprar minhas primeiras frações de bitcoins (confesso que fazia parte na estatística do desconhecimento de que poderia comprar apenas partes da moeda). Comprei meu primeiro 0,01, sem dor, fácil e rápido.

Vocês poderiam me perguntar “qual foi o problema então?” Respondo, mas divido minhas respostas em três momentos, é só holdar nesse texto um pouquinho (já me achando o trader dos termos*!).

O primeiro problema: em quem confiar?

O primeiro momento de “faltam pessoas” eu chamo de pré compra, o mais trágico em minha opinião. Foi quando eu percebi que precisei trabalhar em uma exchange para entrar no mundo das criptos de vez. Precisei de pessoas, ouvir muito delas sobre Bitcoin para ganhar confiança.

Nesse momento aprendi mais sobre criptografia, escassez, descentralização, etc. Todo aquele discurso e propósito lindos que eu só lia e não ouvia ninguém falar.

A mídia é cruel com o nosso mundo. E eu, como a maioria dos brasileiros, não tinha onde encontrar informação confiável ou pessoas com conhecimento suficiente ao meu redor para me dar a segurança que eu precisava para iniciar nesse mundo.

 O segundo momento: apenas gráficos?

O segundo momento de confirmação foi na hora de fazer aquela boa e velha pesquisa de onde comprar, ou “benchmarking”, para os mais marketeiros. Entrei em todos os sites das maiores exchanges do Brasil e do mundo. Sabe o que eu vi em todas as homepages? Tudo, menos pessoas.

Vocês podem me dizer para deixar de ser chato, já que essas são as pessoas com quem as exchanges querem conversar. Vocês poderiam dizer que eu só reclamo por ser de marketing. Calma, amigo leitor! Essa é uma provocação bem válida. A mídia caiu matando no bitcoin por anos falando que era deepweb, bolha, lavagem de dinheiro entre outras infâmias.

Todas aquelas mentiras contadas mil vezes, que acabam virando verdades amplamente divulgadas, estavam prontamente não contraditas em todas as páginas que visitei. Chuva de números, gráficos soltos, páginas escuras e mal estruturadas, cifrões, zero UI e UX.

Resumidamente, um descaso completo com um novo possível usuário aterrisando por ali.  Me senti pior nessa navegação do que em tempos de Orkut tentando subir no máximo 12 fotos. Era só mais uma confirmação de que realmente era um mundo feito de bots e computadores, não por pessoas. Faltam pessoas, strike 2, amigo! (leiam com aquele sotaque mexicano muito bom)

O terceiro momento, mas não menos importante: onde estão?

Grande parte das exchanges estavam escondidas, sem endereço confirmado. 99% delas sem um canal direto e rápido com o atendimento, sem funcionários trabalhando nas empresas no Linkedin e com um bônus parrudo de reclamações no Reclame Aqui. Então me diga, diante desse cenário, que confiança esse mercado passa? Quase nula, certo? Tá aí, strike 3 e vocês estão fora, exchanges do mundo. FALTAM PESSOAS!

Isso é ruim pro mercado como um todo. Portanto, amigos criptolovers e criptoworkers, deem as caras, eu vos imploro. Conversem com os amigos no churrasco de domingo, apareçam de verdade, no Facebook, no Linkedin, nos grupos do whatsapp, que podem ser mais que fotos bonitas de bom dia e boa noite!

Quanto mais vocês se escondem, mais casos como o meu acontecerão, mais espaço para os piramideiros vocês darão e, infelizmente, menor fica a fatia do bolo pra todo mundo. A cara tá aí, pra bater ou pra aplaudir, mas jamais escondida.