Pioneiro do Bitcoin no Brasil e fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina (B3:QBTC11), João Paulo Mayall, em coautoria com Gerson de Souza Júnior, PhD e portfolio manager da Hashdex, divulgou na SSRN um estudo empírico que confirma, com seis décadas de dados americanos e duas décadas de dados brasileiros, aquilo que a Escola Austríaca defende desde Ludwig von Mises: inflação é fundamentalmente expansão da oferta monetária, e os índices de preços do consumidor captam apenas o eco do fenômeno, com mais de um ano de defasagem.
Intitulado “An Asymmetric Weighted Moving Average for Monetary Aggregates: Evidence from the United States and Brazil”, o paper formaliza uma nova metodologia para medir liquidez monetária e aplica a três agregados monetários distintos — o M2 do Federal Reserve, o True Money Supply (TMS-2) da tradição austríaca e o Divisia M4 do Center for Financial Stability — para Estados Unidos (1959–2026) e Brasil (2002–2026).
“O CPI contemporâneo é o eco. O sinal vem antes. Quando você abre a defasagem de transmissão monetária, o que parecia ruído vira correlação evidente.”
A frase resume o achado mais provocativo do estudo. A correlação entre o crescimento do M2 e o CPI americano sai de praticamente zero no momento da medição (ρ = 0,07) e sobe para 0,43 quando se considera defasagem de 25 meses. No Brasil, o efeito é ainda mais nítido: a correlação entre o agregado monetário e o IPCA passa de –0,22 contemporânea para +0,44 em lag de 15 meses.
O dado que muda a leitura da inflação
A literatura monetária ortodoxa, desde Milton Friedman em 1961, reconhece que mudanças no estoque de moeda levam tempo para se traduzir em preços. A meta-análise consagrada de Havránek e Rusnak (2013) consolidou esse intervalo em algo entre 6 e 18 meses. O paper de Mayall e Souza Júnior documenta que, na prática, a defasagem efetiva é ainda mais longa: 21 a 26 meses nos Estados Unidos para os agregados ortodoxos (M2 e Divisia M4), e 15 meses no Brasil.
A consequência prática é direta: quem usa o índice de preços ao consumidor para decidir alocação está reagindo a uma onda que já passou pela parte estrutural do sistema dois anos antes. O paper inclui ainda uma análise de quebras estruturais via programação dinâmica que mostra que os três agregados captam regimes monetários distintos — o TMS-2 detecta a desregulamentação dos depósitos de poupança nos anos 1980 (era Volcker), o Divisia M4 isola a crise financeira de 2009, e o M2 marca o início da pandemia em 2020.
“A escolha do agregado monetário não é uma questão técnica menor. É um compromisso teórico sobre o que constitui dinheiro. Quando você troca o M2 pelo True Money Supply, a história da inflação americana muda.”
Quem é João Paulo Mayall
Para quem não acompanha, João Paulo Mayall é um dos nomes mais relevantes do ecossistema Bitcoin no Brasil, com projeção int