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Polícia Civil apreende máquinas de mineração de criptomoedas de bicheiros em SC

Máquinas de mineração apreendidas

Máquinas de mineração apreendidas. Foto: PCSC

A operação policial “Deu Zebra” resultou na apreensão de equipamentos de mineração de criptomoedas de um grupo responsável por organizar jogos do bicho na Grande Florianópolis.

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quinta-feira (12) a operação “Deu Zebra” na intenção de coibir a lavagem de dinheiro e bloquear patrimônio de um grupo acusado de exploração de jogos de azar.

De acordo com publicação da Polícia Civil, foram cumpridos 9 mandados de busca e apreensão, o sequestro e indisponibilidade de 18 imóveis e 19 veículos automotores, que totalizam aproximadamente R$ 20 milhões.

Durante as buscas, a Polícia também identificou no banheiro de um dos imóveis uma operação de mineração de criptoativos. Segundo o comunicado, os dispositivos eletrônicos usados para cunhar criptomoedas foram “possivelmente adquiridos com valores arrecadados da prática delitiva”.

“A investigação apontou que integrantes de um grupo criminoso responsável pela exploração das bancas de jogos de azar, há décadas, ostentavam histórico policial relacionado ao jogo do bicho, cuja atividade é extremamente lucrativa, investiam os recursos provenientes da atividade delituosa na aquisição de bens de luxo em nome de “laranjas ou testas de ferro” e movimentam grande quantidade de valores proveniente de suas atividades ilícitas.”, disse o comunicado.

Vale ressaltar que a prática de mineração de criptomoedas não é ilícita, mas a operação tinha o objetivo de sufocar financeiramente a atividade delituosa de jogos de azar.

Jogo do bicho é ilegal?

Em 1892, no Rio de Janeiro, o jogo do bicho foi criado pelo Barão João Batista Viana Drummond como uma atração para os visitantes de seu Jardim Zoológico. Na compra do ingresso, o visitante recebia uma figurinha de um bicho. Na entrada do zoológico, o desenho de um dos 25 bichos da lista era mantido em segredo dentro de uma caixa, até ser revelado no fim do dia.

Quem estivesse com a figurinha do mesmo animal ganhava um prêmio de 20 vezes o valor da entrada, que era de 1.000 réis, cerca de 100 reais. No começo, o jogo havia sido liberado pela Câmara, sujeito à fiscalização da polícia. No entanto, ele rapidamente estendeu-se para fora dos muros do zoológico, “bicheiros” concentravam apostas em ruas, praças, cafés, casas de fumo, lotéricas, vendas etc.

A partir de 1894, cada visitante podia comprar quantos ingressos quisesse, transformando a prática em um jogo de azar. A legalidade do jogo do bicho acabou com o ato de proibição assinado pelo prefeito do Rio de Janeiro, em 1895. Mas mesmo com a proibição, o jogo do bicho se tornou praticamente incontrolável por ser uma atividade lucrativa, praticada em todo o país. Nem mesmo a criminalização, que chegou em 1946, foi capaz de parar os bicheiros e os apostadores.

No entanto, por vezes a prática ainda é reprimida pela polícia por ainda ser ilegal. Existiram tentativas de descriminalizar jogos de azar em 2016, mas sem sucesso. Atualmente o assunto volta à tona com Paulo Guedes falando em aumentar a arrecadação estatal com a legalização dos jogos de azar.

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