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R$ 11,3 bilhões desaparecidos do Wirecard AG “não existem”

Wirecard CEO Markus Braun

Wirecard CEO Markus Braun

Relatos voltados à situação da prestadora de serviços financeiros e tecnológicos Wirecard AG, com sede na Alemanha, apontam que a empresa “nunca teria admitido possuir € 1.9 bilhão”.

A renomada firma de contabilidade Ernst & Young (EY) não assinou uma auditoria para a Wirecard, pois o provedor de serviços financeiros não foi capaz de fornecer evidências de que realmente exista o montante declarado.

Sendo essa a primeira vez que a empresa não recebeu confirmação da auditoria contábil EY, perguntas começaram a ser levantadas quanto ao porquê.

Os “bilhões fictícios”

“O Conselho de Administração da Wirecard avalia […] que existe uma probabilidade predominante de que os saldos das contas fiduciárias dos bancos no valor de 1,9 bilhão de euros não existam“.

Comentou a empresa na segunda-feira, 15 de junho

Imediatamente após serem questionados, a empresa não foi capaz de comprovar a posse, implicando de que as transações realizadas na instituição no ano de 2019 tiveram seus valores falsificados.

“Há indicações de que foram fornecidas confirmações falsas de saldo por parte dos administradores, respectivamente, da conta do administrador depositando bancos ao auditor, a fim de enganar o auditor e criar uma percepção incorreta da existência desses saldos em dinheiro ou da manutenção das contas para o benefício das empresas do grupo Wirecard”, comentou a Wirecard sobre o escândalo levantado pela EY.

“O conselho de administração da Wirecard está trabalhando intensamente em conjunto com o auditor (EY) para esclarecer a situação”, alertando que se “demonstrações financeiras anuais e consolidadas certificadas não puderem ser disponibilizadas até 19 de junho de 2020, empréstimos feitos à Wirecard AG no valor de aproximadamente EUR 2 bilhões podem ser rescindidos. ”

Consequentemente, as ações da empresa entraram em um declínio irrefreável, perdendo pelo menos R$ 7 bilhões (US$ 1.3 bilhões) no processo.

O órgão de fiscalização financeira da Alemanha, BaFin, proibiu a venda de ações da Wirecard temporariamente. Além disso, o chefe do órgão Felix Hufeld admite que a perda de 11 bilhões de euros no valor de mercado da Wirecard se mostrou “um desastre total”.

Isso obviamente resultou em uma grande perda de credibilidade do Bafin.

Investigações e a prisão do CEO da Wirecard

No início de junho, os escritórios da Wirecard foram revistados pela polícia da Alemanha em sonda, envolvendo uma investigação à alta administração da empresa.

“As investigações não têm como alvo a empresa, mas membros do conselho de administração“, afirmou Wirecard em comunicado. “O conselho de administração está confiante de que o problema será resolvido e as alegações se mostrarão infundadas”.

No fim de semana, o CEO da Wirecard Markus Braun resignou de seu cargo, sinalizando de que algo estaria errado com a administração da empresa. Na segunda-feira, o COO da empresa também foi demitido, alimentando ainda mais os rumores envolvendo os administradores.

Já nesta semana, Braun se entregou à polícia, enquanto a empresa teve seu valor de ações dilacerado: despencou mais de 90% em poucas horas.

Ações da empresa derretem seguido de acusações

“Um comunicado do Ministério Público disse que Braun foi detido por suspeita de inflacionar o balanço da empresa e as receitas para torná-lo mais forte e mais atraente para investidores e clientes. Três outros gerentes também estão sendo investigados”, informou a Deutsche Welle (DW).

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