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Um estudo em vermelho: O inverno cripto de 2018 e o que podemos aprender com ele

Mão sangrando segurando uma rosa morta, pendurada de cabeça para baixo

Foto de Mohamed Nohassi em Unsplash

Durante um momento de medo, dúvidas e incertezas a respeito do mercado, vamos viajar de volta ao passado e tentar aprender com o inverno cripto de 2018.

Introdução: Medo extremo

Desde que o Bitcoin (BTC) alcançou US $64.895,22 em abril de 2021, até sua Alta Histórica (ATH) em novembro de 2021, sendo negociado por US $69.000, o mercado passou por algumas quedas, inclusive após os $69k USD, que trouxeram sentimento negativo entre os investidores, com o índice de medo e ganância caindo significativamente em direção ao medo.

Mesmo nos fortes picos de queda, a percepção do mercado ainda era bastante equilibrada e, na medida do possível, controlada.

Com a sequência de queda que estamos observando nos últimos dias e até mesmo nas últimas semanas, o Feer & Greed (Medo & Ganância) passou a registrar patamares muito baixos, que chegam bem próximos dos níveis observados durante o período que ficou conhecido como Inverno Cripto, em 2018.

Fonte: AlternativeMe – Índice Feer&Greed
Fonte: AlternativeMe – Histórico do Índice Feer&Greed

A segunda-feira do dia 09 de maio de 2022 registrou mais de 12% de queda da capitalização total de mercado (CRYPTOCAP:TOTAL), sendo chamada por alguns investidores de #BlackMonday, já que esta foi a maior perda de capital do mercado em um único dia desde 19 de maio de 2021, um ano atrás.

A manhã da quarta-feira do dia 11 de maio de 2022, viu mais de 300 mil traders sendo liquidados de suas posições, com prejuízo acumulado superior a $4 bilhões de reais em 24 horas.

Saiba mais: Winter is coming: O que é o inverno cripto e como se proteger

O estudo “em vermelho”

Todo este cenário caótico e pessimista fez com que alguns investidores e traders começassem a profetizar a chegada de um novo inverno cripto, que ainda não sabemos se realmente virá, ou com que força ele viria, caso realmente ocorra.

Foi com este pensamento que, na redação, decidimos construir um relatório inédito sobre as criptomoedas que mais cresceram no inverno cripto de 2018. Após muita pesquisa, encontrei pouca informação que atendesse minhas expectativas e meu objetivo para este relatório, mesmo em plataformas pagas.

Não hesitante, passei a missão para a equipe de dados da Timeslab que em algumas horas conseguiu entregar uma planilha completa com dados coletados no fechamento da primeira e da última semana do ano de 2018, com todos os projetos listados no CoinMarketCap.

Infelizmente, os projetos que, no período, apresentaram valorização positiva, com exceção das stablecoins como USDT e SAI (outra versão da DAI), hoje se encontram em uma situação bem ruim, com alguns nem mesmo estando mais listados no mercado e outros, sem volume, ranqueados em posições superiores à #1.000 por capitalização.

Dados coletados pela própria equipe do Cointimes/Timeslab

A ideia de trazer os projetos com maior crescimento de preço perdeu o sentido, já que é possível concluir que muitos destes foram valorizações que aconteceram durante um pump momentâneo, não sustentável, de projetos com baixíssimo marketcap e volume, mesmo durante a alta.

Quando filtrei os dados apenas para projetos que estavam no top 100 na última semana de dezembro, todos acumulavam perdas superiores a 59% no ano. Entenderam agora o que significa um Inverno Cripto de verdade?

Dados coletados pela própria equipe do Cointimes/Timeslab

Podemos notar que o líder, BTC, assume a nona posição de melhor desempenho, perdendo para projetos como ChainLink (LINK), Waves (WAVES), BNB e MakerDAO (MKR) – que vinham com propostas inovadoras para a época e utilidades específicas e diferenciadas, como é o caso da LINK e MKR.

Crescimento no ranking de marketcap durante o Inverno Cripto

Decidi então olhar essa informação de outra maneira e trazer os projetos com maior crescimento no ranking de capitalização.

Com isso conseguimos analisar quais as moedas ou tokens obtiveram um melhor desempenho de mercado em relação às outras, dentro de um leque mais sólido (top 100) e tirar algumas conclusões interessantes.

Dados coletados pela própria equipe do Cointimes/Timeslab

Novamente vemos um foco em projetos com bons fundamentos e boas propostas de utilidade no mundo real ou no próprio ecossistema cripto.

O método escolhido possui a desvantagem de não tratar das criptomoedas que já estavam bem posicionadas no ranking, mas o objetivo aqui é mais em demonstrar potencial de crescimento sustentável e menos em demonstrar solidez, que pode ser alcançada através de stablecoins atreladas a moedas mais estáveis como o dólar (USD).

No inverno cripto não há muito para onde correr

A conclusão a que chegamos é que não existem muitos estudos e relatórios publicados sobre este período tenebroso, pois o interesse do mercado também foi diminuindo conforme as perdas eram acumuladas.

O mercado de baixa veio de forma inesperada e muito rápida, surpreendendo os traders e investidores que foram tomando decisões apressadas em um momento de extremo pânico e incertezas, com corridas de projetos falidos e um efeito cascata de chamadas de margem, com posições liquidadas e falta de liquidez para sair dos ativos com forte pressão vendedora.

Mesmo o Bitcoin (BTC), que em tese era o projeto mais sólido e com menor volatilidade, graças a sua elevada capitalização de mercado em relação aos demais ativos, se viu em uma situação complicada, registrando perdas de 76,54% segundo os dados coletados pela nossa equipe.

Dados coletados pela própria equipe do Cointimes/Timeslab

Com outros projetos, surpreendentemente, conseguindo um melhor desempenho no período analisado.

Conclusão sobre o inverno cripto 

A lição que podemos tirar é que ninguém nunca está realmente preparado para o inverno cripto e nenhum projeto dentro do mesmo mercado pode ser considerado realmente como um hedge de proteção mais sólido e verdadeira reserva de valor, já que todos estão, de alguma forma, atrelados entre si, mas também com forças e fraquezas específicas dentro de seus próprios nichos.

Mesmo aqueles ativos que fecharam o ano de forma positiva, desapareceram completamente do mapa, como o caso dos low caps apresentados no começo do texto e da stablecoin SAI.

Neste momento atual, em 2022, estamos vendo algo parecido ocorrer com projetos que valorizaram muito e cresceram muito rápido em pouco espaço de tempo, como Terra (LUNA) e o protocolo de liquidez Anchor (ANC), que correm o risco de nunca mais se recuperarem – ainda que uma recuperação seria possível.

E até mesmo a stablecoin TerraUSD (UST), que perdeu sua característica estável quando se desprendeu do dólar.

É por isso que, ao se tratar de um mercado ainda muito novo, em grande parte experimental, a gestão de risco por parte dos investidores é imprescindível para evitar desastres financeiros.

Alocar apenas capital que pode assumir perdas ou se manter ilíquido durante um longo período até a recuperação de valor.

A chegada do inverno é imprevisível e normalmente só é possível saber que ele chegou quando já é tarde demais. É preciso estar preparado sempre, aprender a fazer suas próprias pesquisas, tirar suas próprias conclusões e saber controlar as emoções quando os tempos difíceis chegarem.

A diversificação de portfólio é importante, já que alguns projetos inovadores podem surpreender, mesmo em cenários bem negativos e ainda mais importante quando feita em ativos completamente desvinculados, como alocações fora do mercado de criptomoedas, por exemplo, e manutenção de reservas em fiat para emergências.

Um outro ponto crucial, que também foi observado no estudo, é sobre projetos com fundamentos sólidos e utilidade real. Já que estes, mesmo ao sofrer fortes quedas, oferecem uma maior probabilidade de recuperação no futuro, já que sua demanda continua existindo além da especulação pura.

Acumular ativos financeiros que você pode utilizar para algum fim além do trade e fazer isso de forma correta, assumindo auto-custódia e soberania total sobre estes ativos, sem depender de terceiros é primordial para sobreviver no inverno cripto, quando muitos prestadores de serviços – como exchanges e outras carteiras custodiais – acabam falindo no inverno e alguns até mesmo desaparecem completamente com os fundos de seus usuários.

“Not your keys, not your coins” (Se você não tem as chaves privadas, as moedas não são realmente suas).

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