Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, o chefe de Saúde da Unicef Dr. Stefan Peterson avisou que as “medidas indiscriminadas de bloqueio não têm um efeito ideal sobre o vírus” em países de baixa e média renda.

Também pelo mesmo jornal foi entrevistada a consultora científica chefe do Departamento de Desenvolvimento Internacional (Dfid) e membro do Grupo Consultivo Científico para Emergências do Reino Unido (Sage), Charlotte Watts.

“Em termos de sistemas de saúde, acho que também enfrentaremos desafios mais amplos – como nos mobilizamos corretamente contra a Covid – para oferecer programas para outras doenças.

Por exemplo, apoiar a distribuição de mosquiteiros contra malária ou garantir que as pessoas com HIV possam acessar medicamentos que salvam vidas.

E ainda há o risco de que as pessoas tenham medo de ir aos centros de saúde em primeiro lugar, se acharem que não são seguros”, comentou Watts, se referindo à situação na África subsaariana.

Charlotte Watts, em entrevista ao The Telegraph

O doutor argumentou que “pedir às famílias que fiquem em casa em um quarto de uma favela, sem comida ou água, não limitará a transmissão do vírus“.

O argumento da professora Watts também se aplica às favelas brasileiras, onde, assim como foi reportado pelo G1, muitas famílias enfrentam a pandemia sem acesso à água, internet e saneamento básico, ou até mesmo vivendo em condomínios superlotados.


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31,1 milhões de brasileiros (16% da população) não têm acesso a água fornecida por meio da rede geral de abastecimento; 74,2 milhões (37% da população) vivem em áreas sem coleta de esgoto e outros 5,8 milhões não têm banheiro em casa.

11,6 milhões de brasileiros (5,6% da população) vivem em imóveis com mais de 3 moradores por dormitório, o que é considerado adensamento excessivo.

Dados retirados da reportagem do G1. Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad 2018) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“(São fatores como este que) superam muito qualquer ameaça apresentada pelo coronavírus”, se referindo aos países em desenvolvimento que perderam suporte de saúde internacional.

“Estou preocupado que as medidas de quarentena tenham sido copiadas entre países por falta de saber o que fazer, raramente com qualquer contextualização para a situação local”.

“”Um tamanho não serve para ninguém.” O objetivo é retardar o vírus, não de prender pessoas. Precisamos levantar os olhos e olhar para o quadro total da saúde pública (e não apenas o coronavírus).”

Stefan Peterson, chefe de Saúde da Unicef, ao The Telegraph

Efeitos em diversas regiões

Ao ser questionado sobre os efeitos do Covid se tornando o centro das atenções, Peterson comentou sobre a situação da África subsaariana:

“Desde que começamos a contar a mortalidade infantil e materna, esses números vêm diminuindo e diminuindo. E, na verdade, esses tempos são sem precedentes, porque é muito provável que olhemos para um cenário em que os números estão subindo.

Isso não é de Covid – não é uma doença infantil. Sim, existem casos raros, e os vemos divulgados na mídia. Mas pneumonia, diarreia, sarampo, morte no parto, essas são as razões pelas quais veremos o aumento das mortes”, afirmou. “Essas ameaças superam em muito qualquer ameaça apresentada pelo coronavírus em países de baixa e média renda“.

Stefan Peterson, chefe de Saúde da Unicef, ao The Telegraph

Além disso, também foi relembrado na entrevista com Charlotte Watts o fator de violência doméstica, que teve grande aumento em frequência em todo o globo, incluindo o Reino Unido e Brasil:

“No momento, estamos analisando todo o nosso portfólio na Dfid para pensar em como é o desenvolvimento em um mundo da Covid. Por exemplo, poderíamos adaptar programas para o HIV para que os pacientes colhessem um conjunto maior de comprimidos de uma só vez e não precisassem voltar ao sistema de saúde com tanta frequência.”

Charlotte Watts, em entrevista ao The Telegraph

Esperanças por um fim?

Quando questionada sobre a vacina para Covid-19, Watts comparou a situação com a vacina para malária e HIV.

O desenvolvimento de qualquer vacina é difícil. […] Ainda não temos uma vacina altamente eficaz para a malária ou o HIV.

Mas, pelo meu entendimento, durante discussões com outros cientistas, há mais confiança sobre o Covid, em parte porque há pesquisas e trabalhos de desenvolvimento de vacinas que foram realizados em outros vírus que já podem ser aplicáveis ​​ao Covid. E também porque o vírus sofre mutação menos rapidamente – por isso é um alvo mais fixo do que algo como o HIV.

Mas não podemos garantir que teremos uma vacina no futuro próximo, embora haja um grande esforço para acelerar o processo e maximizar nossas chances.

Charlotte Watts, em entrevista ao The Telegraph

Por fim, Stefan Peterson disse em entrevista que estava preocupado com a “atual batalha contra o Covid-19 estar se transformando em uma crise dos direitos da criança“, roubando uma geração de suas perspectivas em saúde, educação e economia.


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