Com a maior parte das economias do mundo em frangalhos, a diretora em Washington do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kristalina Georgieva pede por um “novo momento Bretton Woods“. Veja o que isso pode significar e a opinião dos economistas.

No dia 15 de outubro, o FMI publicou uma fala escrita de Kristalina Georgieva ( diretora do FMI da capital dos EUA). O artigo causou grandes receios em economistas da escola austríaca e defensores do livre mercado. Nele, Kristalina diz que é necessário um novo momento Bretton Woods, com novas políticas econômicas para diminuir o desemprego e a desigualdade de gênero.

“Hoje enfrentamos um novo “momento” de Bretton Woods. Uma pandemia que já custou mais de um milhão de vidas. Uma calamidade econômica que tornará a economia mundial 4,4% menor neste ano e retirará cerca de US $ 11 trilhões de produção no próximo ano. E desespero humano indescritível em face de enormes perturbações e aumento da pobreza pela primeira vez em décadas.”

diz o artigo

Porém, o que chamou mais atenção foi o trecho sobre a reestruturação das dívidas públicas:

“Além disso, onde a dívida é insustentável, ela deve ser reestruturada sem demora. Devemos avançar para uma maior transparência da dívida e uma melhor coordenação dos credores. Sinto-me encorajado pelas discussões do G20 sobre uma estrutura comum para a resolução da dívida soberana, bem como por nosso apelo para melhorar a arquitetura para a resolução da dívida soberana, incluindo a participação do setor privado.”

Para Raoul Pal, CEO da Global Macro Investor e Real Vision Group “Esta será a maior reforma do sistema financeiro global desde Bretton Woods. Este artigo do FMI alude a uma grande mudança que se aproxima, mas carece de clareza real fora de permitir muito mais estímulo fiscal por meio de mecanismos monetários.”

Mas o que foi Bretton Woods

Mas da onde vem esse tal Bretton Woods para começo de conversa? O acordo de Bretton Woods foi a reunião dos principais poderes mundiais em 1944 para a criação de políticas monetárias e econômicas após a Segunda Guerra Mundial.

Neste acordo foram definidos que:

  • O dólar seria a moeda padrão para transações internacionais;
  • O padrão-ouro, no qual cada dólar deveria equivaler a 35 gramas de ouro nos cofres dos governos dos EUA;
  • Entidades supranacionais deveriam fiscalizar e dar apoio para o crescimento econômico, como o FMI, BIRD e Banco Mundial;

Mas além das medidas acima, o acordo permitiu que os países usassem o dólar como reserva para imprimir moeda como os países desejassem. A concentração de poder nos EUA também permitiu que o país imprimisse grandes quantidades de dinheiro, além da sua capacidade de lastro em ouro.

A medida que o dólar foi subvalorizando, ficou claro que os EUA não tinham o estoque suficiente de ouro para cumprir suas promessas. Então, em 1971 Nixon pôs fim ao acordo.

Reset mundial?

Willem Middelkoop, autor de The Big Reset e fundador do CD Fund, acredita que haverá o surgimento (ou pelo menos tentativa) da implementação de um novo padrão global que substitua o dólar.

“Todos os truques do livro foram usados para convencer os países a apoiarem o dólar e marginalizar o papel do ouro. Mas desde que o FED começou a monetizar a dívida como parte das suas operações de QE, o ponto de não retorno passou. Provavelmente até mesmo dentro da próxima década, o sistema financeiro terá que achar uma nova âncora”

tweetou Willem

Apesar de todas as especulações, não é possível saber para onde esse novo acordo pode ir ou se ele realmente vai acontecer. Entretanto, é certo que algumas potencias mundiais querem mudar o funcionamento do sistema monetário global, como mostramos nas matérias:

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