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Mesmo com o crescimento na adoção de bancos 100% digitais e de criptoativos, os grandes bancos continuam extremamente relevantes e lucrativos no cenário atual. 

O setor financeiro tradicional, historicamente, é um dos mais resilientes e lucrativos até mesmo em épocas de crise, principalmente nas economias em que há poucos grandes players detendo a maior participação de mercado.

Com o intuito de mitigar a inflação no país, as autoridades do FED, Banco Central dos EUA, recentemente aumentaram sua principal taxa de juros em 0,75%, marcando o maior aumento desde 1994. Ademais, a instituição sinalizou que outro aumento semelhante poderia ocorrer em julho. 

A alta enviou a taxa de juros de referência para uma faixa de 1,5%-1,75%, o nível mais alto desde março de 2020, quando a pandemia de Covid começou efetivamente.

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Grandes bancos se beneficiam dos juros altos

As ações de banco geralmente se saem bem em um ambiente de taxas de juros crescentes, pois a receita de juros obtida por eles com empréstimos e investimentos aumenta mais rápido do que o valor que eles pagam pelo financiamento. Quanto mais altas são as taxas de juros, maior é a renda líquida de juros para os bancos.

A renda líquida de juros é uma métrica de desempenho financeiro que reflete a diferença entre a receita gerada pelos ativos remunerados de um banco e as despesas associadas ao pagamento de seus passivos remunerados.

Embora o aumento das taxas de juros normalmente beneficie as ações dos bancos, o Bank Index KBW (BKX), índice que acompanha o desempenho dos principais bancos e instituições de poupança, está 24% abaixo este ano.

Isso pode ser uma consequência de investidores avaliando cautelosamente os riscos crescentes de uma recessão com ganhos potenciais nas margens decorrentes de custos de empréstimos mais altos.

Com a probabilidade de que o FED reproduza seu comportamento de 1994, causando recorrentes aumentos de taxas por um período de 12 meses, a CNBC Pro buscou no índice S&P 1500 as ações de bancos norte-americanos que subiram mais de 10% durante o período crítico de 28 anos atrás.

Ações de bancos que podem subir 30% em um ano, segundo analistas

As ações abaixo têm expectativa de crescimento de pelo menos 10% até o final deste ano, e também são cotadas na bolsa pela maioria dos analistas, que esperam que elas aumentem pelo menos 30% nos próximos 12 meses.

  • Um dos destaques são as ações do Charles Schwab (SCHW), que subiram 17,7% nos 12 meses de aumento de taxa em 1994. Espera-se que a receita líquida de juros cresça mais de 30% este ano. E, considerando a posição de compra dos analistas, o potencial da ação é de +55,2% durante os próximos 12 meses.
  • O SVB Financial Group (SIVB), matriz do Silicon Valley Bank, também se destacou. As ações do banco ganharam mais de 45% durante a alta das taxas de 1994, e espera-se que aumentem sua receita líquida de juros em mais de 70% este ano. Os analistas que cobrem as ações veem um potencial consensual de aumento de 71,2% sobre as ações.
  • As ações do Valley National Bancorp (VLY) subiram mais de 13% em 1994. Espera-se que o banco aumente sua receita líquida de juros em 27,3% este ano, e os analistas dão um potencial de valorização das ações de 42%.
  • Outras ações de bancos norte-americanos mencionados pela pesquisa da CNBC Pro foram o First Bancorp (FNLC) e o Cadence Bank (CADE).

No entanto, o aumento das taxas de juros também acarreta riscos inerentes. Um deles é a possibilidade de venda em massa de títulos. Em 1994, o aumento das taxas do Fed levou ao “grande massacre dos títulos de 1994,” quando mais de US $1 trilhão foi eliminado do mercado de renda fixa em novembro de 1994.

Um ciclo excessivamente agressivo de aumento das taxas também poderia levar a economia a uma recessão, causando menos empréstimos e, potencialmente, maiores inadimplências à medida que os consumidores e as empresas lutam para pagar suas dívidas.

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