A Amazon, uma das maiores empresas do mundo, resolveu aumentar o salário mínimo dado aos seus trabalhadores. Mas, o aparente ato de caridade pode não ser tão positivo quanto possa parecer.

A Amazon não parou por aí, mas seguiu gastando milhões em lobby para aumentar o salário mínimo federal, afetando seus concorrentes.

A Amazon, uma empresa problemática?

A Amazon foi sempre muito criticada pelos seus concorrentes pelos baixos preços praticados. A companhia consegue reduzir os custos e diminuir o preço de muitos produtos.

Em 2017, alguns representantes do FED chegaram até a culpar a Amazon pela diminuição da inflação norte-americana. Apesar da afirmação discutível, é inegável que a Amazon é benéfica para os consumidores. Produtos baratos e geralmente um tempo de entrega ágil, qual o problema?


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As atitudes da empresa parecem ser todas direcionadas ao estabelecimento de um grande monopólio. Às vezes são atitudes mais sorrateiras, como quando queimaram caixa vendendo fraldas a um preço irrisório apenas para quebrar a concorrente Diapers.com.

Mas por vezes eles investem direto em lobby político, se aproximando do Estado, o monopólio da coerção, como explica o sociólogo Max Weber.

Problemas amazônicos

No começo de 2020, Bernie Sanders, democrata que já se candidatou à presidência dos Estados Unidos, ligou para Jay Carney, vice-presidente de assuntos corporativos globais da Amazon, para elogiar a companhia:

“Olá, Jay? É Bernie Sanders. Escute, [eu] só queria parabenizar a Amazon por aumentar seu salário mínimo para US$ 15 por hora. Isso é bom para seus trabalhadores. É a coisa certa a fazer. Por favor, agradeça a Jeff Bezos (CEO da Amazon) por mim.”

Entretanto, nem sempre foi assim. A gigante do comércio online era acusada de pagar tão pouco que seus funcionários tinham que recorrer a programas sociais do governo. Por isso, era constantemente atacada por Sanders, e por consequência, pela mídia.

Mas não parava por aí, haviam boatos de que os funcionários trabalhavam em situações precárias, sendo negados até mesmo o direito de parar para usar o banheiro. Embora não se saiba da veracidade das acusações, os relatos mancharam a imagem da companhia.

Recentemente o ex-vice-presidente alegou que saiu da empresa quando a Amazon passou a demitir quem abertamente denunciava as condições de trabalho nos armazéns da empresa durante a pandemia.

Logo, Bezos pareceu ceder estabelecendo um salário mínimo de US$ 15 por hora para os funcionários. Mas ele já tinha em andamento um plano de substituir o máximo de trabalhadores possíveis por máquinas.

robôs na Amazon

O piso salarial, portanto, não traria grandes impactos a Amazon, diferente do que aconteceria se seus concorrentes pequenos tentassem fazer o mesmo. E é por isso que o lobby para tentar tornar o salário mínimo mais alto uma lei que tenha validade para todos começou.

A situação se agrava ainda mais quando a Amazon, diferente das concorrentes, não tem o peso dos impostos em cima dos seus negócios. Sim, a Amazon praticamente não paga impostos. Nós explicamos essa curiosidade no podcast abaixo:

Qual o problema com o salário mínimo?

Como explicamos no artigo “Empresa de tecnologia estabelece salário mínimo de US$70 mil: o que aconteceu?“, um aumento geral de salários dentro de uma empresa privada pode ser benéfico para a produtividade e o bem estar dos empregados.

Porém, nem todos tem um grande caixa para queimar, nem parcela de mercado bem estabelecida. No Brasil, por exemplo, 58% dos donos de negócios tem uma baixa renda de até 2 salários mínimos.

Portanto, quando o Estado impõe um aumento do salário mínimo, ele estabelece uma dificuldade maior para o pequeno negócio conseguir escalar e competir com as gigantes como a Amazon.

Garantindo então uma parcela de mercado maior para grandes empresas, como a própria Amazon, a lei tende a aumentar o fluxo de caixa destas gigantes, facilitando ainda mais o pagamento do estabelecido salário mínimo. Em contrapartida, a livre concorrência é prejudicada.


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